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Edição nº 758 / 2014

12/02/2014 - 09:12:00

Mais de 100 prédios podem ser tombados como patrimônio histórico e cultural em Viçosa

Grupo da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Ufal fez levantamento das unidades na cidade e na zona rural do município

Redação com assessoria

Se depender dos esforços dos alunos da disciplina de Prática de Restauro da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal de Alagoas, liderados pela professora Josimeire Ferrare, o município de Viçosa, zona da Mata, em Alagoas, terá mais de 100 prédios tombados como patrimônio histórico e cultural. Os alunos registraram as características de 144 unidades, no centro da cidade e na área rural, algumas em localidades de difícil acesso.Os estudos foram iniciados em  2011, quando os alunos da disciplina de Restauro fizeram um projeto para realização de um inventário com edificações e saberes da cidade.

“Abraçamos essa demanda por indicação da então reitora, Ana Dayse Dorea. Ela informou que a secretária de Cultura de Viçosa buscava especialistas que realizassem esse levantamento na cidade “, relatou a professora Josimeire Ferrare. A educadora acrescentou  ainda que “foi um trabalho que exigiu empenho dos alunos.

Observamos prédios dos mais simples aos mais sofisticados, representandos de períodos históricos da cidade.Para visitar alguns casarões da área rural foi preciso fazer caminhadas, quando as estradas, em período de chuva, estavam intransitáveis. Mas foram tarefas que os alunos cumpriram com disposição e criatividade”, destacou a professora. Um dos projetos realizados se refere ao diagnóstico de quatro unidades da antiga Fazenda São Luis, atual unidade de ensino da universidade. As unidades analisadas foram: a antiga casa de administração do Ceca, a antiga Casa de Hóspedes, a casa onde funciona o atual ambulatório do curso de Veterinária e a casa onde funciona a garage e alguns depósitos.

O objetivo foi fornecer elementos à Sinfra para elaborar os projetos de restauro dessas edificações.Em 2012 e 2013, os trabalhos continuaram com turmas diferentes. Foi feito o dossiê para o tombamento de uma edificação no centro da cidade, onde funcionou a antiga prefeitura e depois se tornou a casa de cultura.

“Observamos que esse prédio tem características das edificações desenhadas pelo arquiteto italiano Luigi Lucarini, que deixou seus traços em obras de destaque em Alagoas, no final do século XIX e início do século XX. A relação está sendo investigada, mas basta comparar fotos para perceber que o prédio de Viçosa é muito parecido com a antiga prefeitura de Maceió, na praça dos Martírios, projetada por Lucarini”, explica Josimeire.

Com o dossiê preparado pelos pesquisadores da Ufal, Karina Padilha, que até ano passado respondia pela pasta da Cultura em Viçosa, solicitou o tombamento estadual da edificação. “Conseguimos o tombamento como patrimônio histórico e cultural de Alagoas e fizemos uma grande comemoração no dia 13 de outubro de 2013, durante as festas da Emancipação Política de Viçosa.

Agradecemos aos estudantes de arquitetura e à professora Josimeire Ferrare pelo suporte de conhecimento técnico que permitiu essa conquista para a cidade”, agradeceu a ex-secretária, Karina Padilha.Polígono Arquitetônico- A documentação elaborada pelos estudantes foi organizada em um mapeamento que indica a formação de um polígono no centro da cidade, ou seja, um aglomerado de edificações representativas de um período histórico que podem ser tombadas conjuntamente, a exemplo do que aconteceu no centro histórico de Marechal Deodoro.

“Já temos um Conselho Municipal de Cultural criado no final do ano passado, cujos conselheiros serão nomeados em breve, e estamos pensando em solicitar o tombamento municipal, já que a cidade deve ser a primeira a valorizar seu patrimônio”, ressaltou Karina Padilha.

O trabalho realizado em Viçosa rendeu produtos diversificados. Os alunos demonstraram criatividade para apresentar os resultados, criando materiais didáticos que podem ajudar as crianças da cidade a valorizar o patrimônio histórico que as cerca. A aluna Rafaela Cristina dos Santos Carvalho, monitora do projeto,  destaca  a importância dos alunos participar do projeto.

“É gratificante participar de uma experiência concreta na nossa área profissional e ver os resultados concretos que os estudos trazem para a preservação do patrimônio histórico das cidades”, disse Rafaela.O patrimônio imaterial também foi registrado pelos alunos. Foi elaborada uma cartilha explicando que esse patrimônio é formado pelas manifestações culturais e pelo saber-fazer das técnicas que são passadas de geração em geração. Entre elas, a confecção de instrumentos para a banda de pifes.

“Mestre Bia já tem 84 anos e ele é o único que conhecemos que confecciona os instrumentos da banda de pifes. Esse é um conhecimento que não pode se perder”, destacou a arquiteta Josimeire Ferrare.Entre o material didático e lúdico que os alunos elaboraram para as escolas, destacam-se o dominó de mestres dos folguedos da cidade, o quebra-cabeça com imagens das edificações históricas, uma brincadeira de passeio pela cidade que se joga com dados e pinos, com referências culturais e geográficas de Viçosa, um baralho com ícones culturais, postais com fotografias de vários elementos arquitetônicos, enfim, criatividade sem limites para valorizar a cultura local.

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