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26 de Setembro de 2018

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Edição nº 758 / 2014

10/02/2014 - 18:59:00

Estava escrito nas estrelas

JORGE MORAIS jornalista

Quando os representantes das entidades públicas, esportivas e privadas brigaram e, no final, vibraram, com a escolha do Brasil para sediar a Copa do Mundo, em 2014, fiquei sem entender muito os reais motivos dessa euforia toda. Um país com uma pobreza de fazer inveja, com dificuldades na educação, na saúde, na segurança, com tantos problemas pendentes de infra-estrutura, não pode se dá ao luxo de gastar bilhões com um evento de tamanha grandeza e importância.Da minha parte demorou a cair a ficha. Somente, agora, com o anúncio de que 10 bilhões de reais já foram gastos e nenhum aeroporto está pronto na sua ampliação, alguns vão receber uma maquiagem de terceiro mundo, como tendas refrigeradas; alguns estádios estão sendo feitos a “toque de caixa”, para serem entregues dias antes do início da competição; e o planejamento prometido de mobilidade urbanística, não saiu do discurso e das promessas, é que eu passei a entender.Se as nossas cidades já não comportam o trânsito de hoje, imaginem com o acréscimo dos turistas e visitantes que devem pipocar dos diversos países que estão com representantes na copa e aqueles que gostam de assistir aos jogos, independente do seu país estar participado ou não do evento. Só uma coisa me faz pensar nesse desejo todo em realizar a copa: o dinheiro, que entra e sai pelas construtoras parceiras desse negócio sujo.Agora é que eu entendo o porquê de tanta alegria e felicidade. Primeiro, gastar 10 bilhões com a Copa do Mundo num país pobre como o nosso, só mesmo um governo irresponsável como esse que temos. Segundo, gastar uma grana dessa e ainda não concluiu a obra de nenhum aeroporto a pouco mais de cinqüenta dias da competição, fica a pergunta: Onde está o dinheiro do povo? E o pior: depois, os aeroportos serão privatizados.Certeza absoluta que tem muitas pessoas mais ricas nesse país. Obras estão sendo superfaturadas e o governo sabe disso. O Ministério Público Federal e o Tribunal de Contas da União já embargaram várias dessas obras e o que queremos saber é: Quantos vão parar na cadeia depois desses novos escândalos da Copa do Mundo? O dinheiro do povo que está sendo gasto com essas obras, será devolvido aos cofres públicos? Só se eu acreditar, também, em “histórias da carochinha”.É uma pena que esse país poderia muito bem ser passado a limpo, mas os movimentos ainda não entenderam a força que tem e, com baderna e violência, eles não conseguirão chegar a lugar algum. Enquanto os vândalos tomarem conta das ruas, com depredação do patrimônio público e privado, assombrando a população que não tem o direito de transitar livremente para casa, o trabalho e as escolas, lamentavelmente, nenhuma posição mais séria e dura será tomada contra esses “novos ricos” das obras da copa no Brasil.Lamento muito que tudo isso esteja ocorrendo. Lamento mais ainda quando ouço do governo que tudo está indo muito bem e os ministros, com um discurso ensaiado de véspera de eleição, propaga que essa será a melhor copa do mundo de todos os tempos. Melhor para quem? Para o povo, que nem ingresso pode comprar ou melhor para eles que vão se aproveitar da copa para, além de ficarem mais ricos, tentarem ganhar votos em cima de uma pobreza que não anda de avião nem vai assistir aos jogos?Definitivamente, esse país precisa ser levado a sério. Na letra de uma de suas músicas, Charles Brow diz: “Sempre quis falar/Nunca tive chance/Tudo o que eu queria/Estava fora do meu alcance/Sim, já faz um tempo/Mas eu gosto de lembrar/Cada um, cada um/Cada lugar, um lugar/Eu sei como é difícil/Eu sei como é difícil acreditar/Mas essa porra um dia vai mudar/Se não mudar, pra onde vou.../Não cansado de tentar de novo/Passa a bola, eu jogo o jogo”. Realmente, tá na hora de saber cobrar para mudar.

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