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18 de Setembro de 2018

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Edição nº 756 / 2014

29/01/2014 - 16:32:00

Carlos Alberto Canuto volta a ser acusado pela morte do vice-prefeito

Dorgival da Silva Barros - testemunha-chave - revela detalhes da execução do ex-vice-prefeito do Pilar e acusa delegado Mario Jorge de Barros de articular o crime e forjar as investigações

Carlos Victor Costa Repórter

Sete anos depois, o assassinato de Gilberto Pereira, então vice-prfeito do Pilar, o Beto Campanha, continua sem esclarecimento. Mais um crime de pistolagem que a polícia alagoana não conseguiu elucidar. Nesta semana o Extra traz o assunto à tona através de uma entrevista com Dorgival Silva de Barros, testemunha-chave do caso que se encontra foragido. Ele acusa o atual prefeito de Pilar, Carlos Alberto Canuto, e o atual delegado regional de União dos Palmares, Mário Jorge de Barros, de serem os responsáveis pela execução do ex-vice-prefeito do município. As investigações do caso  foram marcadas por idas e vindas da polícia e da Justiça.

Inicialmente, a então primeira-dama do município, Telma Prado – que para polícia tinha inimizade assumida com Beto Campanha – foi indiciada como mandante do assassinato, e chegou a ser presa. Pelas primeiras investigações, ela teria tramado a morte do vice-prefeito junto com o policial Petrúcio Cavalcante, apontado pela polícia como seu amante.

Nada disso foi provado e ela foi libertada.Ao procurar o jornal Extra,  Dorgival Silva de Barros alegou ter recebido ligação telefônica alertando que o delegado Mário Jorge de Barros teria ido ao Pilar negociar a sua execução com o prefeito Carlos Alberto Canuto. Segundo o prórpio Dorgival, o delegado descobriu que ele estava escondido na cidade de Ibateguara, por ser responsável pela delegacia regional de União dos Palmares.

 “Tenho uma prisão decretada lá na região, referente à morte de um empresário,  daí o delegado aproveitou o ensejo e foi tramar em Pilar com o prefeito a minha execução. Por isso estou abrindo o jogo, pois vou me entregar antes do dia 19 de fevereiro, quando terei uma audiência sobre esse caso que mencionei. Resolvi falar também porque estou marcado para morrer, pois em 2008 quando estive preso, tentaram me matar lá dentro do presídio.  Mas irei me apresentar na vara de execuções penais”, disse a testemunha-chave.

ARMAÇÃO DO DELEGADO 

Dorgival explicou ainda porque foi acusado de ser um dos matadores do vice-prefeito Beto Campanha. “Tudo isso foi uma armação do delegado Mário Jorge Barros. No dia  do assassinato do vice-prefeito eu estive em Atalaia; tinha ido para uma vaquejada para matar um maloqueiro que tinha me assaltado. Não mato homens de bem, só  bandidos; mas nada aconteceu.

Mas, infelizmente, na volta fui parado em uma blitz da polícia e acabei sendo preso por porte ilegal de arma. Daí começou toda a armação do delegado, que  envolveu meu nome nesse crime de Pilar”, disse.Dorgival lembrou que estava em companhia de Givanildo José, que também foi acusado de participar do assassinato de Beto Campanha. “Mas ele não tem nada a ver com a morte do vice-prefeito.

Tudo isso foi montado pelo delegado Mário Jorge Barros”, destacou. A testemunha revelou ainda que quando foi preso, em abril de 2008, e ficou na carceragem da Polícia Federal, já havia denunciado toda a armação do delegado Mário Jorge e também havia acusado Carlos Alberto Canuto de ser o mandante do assassinato de Beto Campanha. “Tudo isso eu já havia denunciado na sede da Polícia Federal, em Maceió, na presença dos procuradores da República  Rodrigo Tenório e Daniel.

“Depois desse depoimento, o delegado inventou até que eu estava planejando matar os dois procuradores, tudo mentira”. Dorgival Silva garante saber tudo sobre a morte de Beto Campanha e explica: “Em 2006 recebi uma proposta apresentada por dois homens que trabalhavam para Acácio Serafim, que na época era empresário e amigo de Canuto, e hoje é seu vice-prefeito. Antônio de França e o policial militar Amabílio Loureiro foram enviados em nome do prefeito para me contratar para matar Beto Campanha, mas eu não aceitei. Por isso envolveram meu nome nesse crime, mas os verdadeiros assassinos são Antonio de França e Amabilio, que depois foram assassinados, por queima de arquivo.” 

CHEFE DE BATALHÃO ENVOLVIDO

Dorgival garantiu que além de Antônio de França e Amabílio, um oficial da PM estaria envolvido no crime. “Não posso revelar o nome dele agora, pois até ele pode ser morto, já que também participou do esquema criminoso; só revelarei o nome no dia do julgamento. Sei que ele está envolvido, pois na época do crime era major da PM, e logo depois foi promovido a  tenente-coronel e começou a chefiar um batalhão da polícia. Tudo será esclarecido durante o julgamento dos acusados. Não posso deixar que pessoas inocentes paguem pelo que não cometeram, pois isso foi um crime político, e além do prefeito e do delegado há outros políticos envolvidos, e todos esses nomes serão revelados em depoimento na justiça.”

 Outro fato denunciado pela testemunha foi uma invasão à sua casa ocorrida em 2008 antes dele ser preso. “A polícia invadiu minha casa por ordem do juiz federal Rubens Canuto, filho de Carlos Alberto Canuto. Sem mandado judicial, o juiz  autorizou a entrada dos policiais, que não foram lá para me prender, mas para me matar. Eles quebraram tudo que viram pela frente, e só escapei com vida porque fui esperto e consegui sair de casa antes da invasão”, disse.

 Segundo ele, o delegado Mário Jorge “inventou também que eu teria um plano para matar o juiz. Isso nunca aconteceu, mas apenas deixo um pedido para sua excelência: que seja honesto e faça realmente justiça, prendendo seu pai e esse delegado, que são os responsáveis por esse crime, são os mandantes. Como não sou político nem autoridade importante, fui para prisão, que na verdade seria o lugar desses dois”, ressaltou. 


PRIMEIRA-DAMA É INOCENTE 

O inquérito “forjado”, segundo Dorgival pelo delegado Mário Jorge, apurou que Beto Campanha teria uma foto de Telma Prado saindo de um motel em companhia do policial militar Petrúcio Cavalcante e estaria usando esse fato para chantagear a primeira-dama e extorquir recursos da prefeitura.

O que para polícia seria o motiva de Telma ter encomendado a morte de Campanha. Fato este negado pela própria Telma Prado que conversou com o Extra em junho de 2007 e disse que isso foi calúnia divulgada na cidade pela esposa de Carlos Alberto. Ela também negou ter problemas com o vice-prefeito assassinado.  

Na época do crime, após o inquérito do delegado Mário Jorge, a primeira-dama do Pilar foi presa, junto com seu filho, Maurício Tavares Prado de Moraes, que era secretário de Turismo; a presidente da Comissão de Licitação da prefeitura de Pilar, Genilda Medeiros de Omena; e o ex-secretário de Infraestrutura, Geraldo Carvalho Domingos, além do policial militar Petrúcio, o “Tu”, apontado pela polícia como amante da ex-primeira-dama.

 “Canuto montou essa história de traição para trazer Beto Campanha para seu lado e ser seu candidato a vice-prefeito,  mas o Beto não aceitou e daí planejaram sua morte e colocaram a culpa na primeira-dama.Tudo isso para derrubar o prefeito Marçal Prado da prefeitura, como foi feito; todo mundo sabe dessa história.”   

QUEIMA DE ARQUIVO 

Cinco suspeitos citados pela polícia foram executados como queima de arquivo. Antônio de França (o “Cigano”) e o PM Amabílio Loureiro foram mortos dias após o crime. O policial civil José Alfredo de Souza Pontes, o “Alfredinho”, foi morto a tiros no bairro do Poço, em Maceió, em fevereiro de 2008, logo após dá uma declaração na TV, de que seu envolvimento no crime seria uma trama da polícia para incriminá-lo, já que o mesmo tinha fama de pistoleiro.

Menos de um mês depois, foi a vez dos réus José Maurilio, o “Di Lampião” e sargento Dimas Barbosa, duas das vítimas da chacina do Restaurante do Pangola, em Arapiraca. Para Dorgival, os acusados Givanildo José, que já foi indiciado e vai a julgamento, Telma Prado, Mauricio filho da primeira-dama, os ex-secretários Geraldo e Genilda, Petrúcio, Alfredinho seriam todos inocentes e foram vítimas de uma armação do delegado Mário Jorge. Dorgival falou também sobre o empresário Alex Farias, filho do delegado Angélico Farias, que teve seu nome envolvido no crime e chegou a passar 9 meses preso. “Alex foi confundido com Amabilio que era segurança do Acácio Serafim, e ele não tem nada a ver com isso; foi preso injustamente por incompetência da polícia.” 


PRONUNCIADOS E IMPRONUNCIADOS

 Givanildo José e Alex Farias são os únicos acusados que foram pronunciados, mas o que chama atenção é o fato de que na época do crime, os dois foram impronunciados por falta de provas. Apenas a primeira-dama Telma Prado,  seu filho Mauricio e o PM Petrucio haviam sido pronunciados. Mas no Tribunal de Justiça tanto Genivaldo como Alex voltaram a ser pronunciados, mas a primeira-dama foi impronunciada o que significaria que o crime ficaria sem mandante, mostrando que a justiça está confusa, pronunciando e impronunciando. Por fim, Dorgival pediu que o secretário da Defesa Social tome as providências e investigue o envolvimento do delegado e do prefeito nesse crime que ocorreu há exatos sete anos. 


PREFEITO NEGA,DELEGADO NÃO ATENDE 

Por telefone, o jornal Extra entrou em contato com o prefeito Carlos Alberto Canuto para ouvir sua opinião sobre essa acusação. O prefeito disse que Dorgival já havia declarado isso várias vezes. “Esse cara já fez várias declarações como essa, mas não existe nada disso. Todo mundo sabe quem é ele”, finalizou, e rapidamente, despachou a reportagem.  O delegado Mário Jorge de Barros também foi procurado pela reportagem, através do número de final 9838, mas até o fechamento da matéria não atendeu e nem retornou a ligação. 


O CRIME 

Beto Campanha foi assassinado a tiros de pistola em 19 de janeiro de 2007, em uma emboscada em frente ao supermercado Makro, na Av. Durval de Góis Monteiro, no bairro Tabuleiro dos Martins, em Maceió. Ele era vice-prefeito do Pilar, eleito em 2004 na chapa do prefeito Marçal Prado. Havia possibilidade de sua reeleição em 2008 ao lado de Marçal Prado, ou ser ele próprio candidato a prefeito. Por isso perdeu a vida.

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