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13 de Novembro de 2018

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Edição nº 756 / 2014

29/01/2014 - 08:32:00

Jorge Oliveira

O plano B de Lula

Rio - O brasileiro precisa está atento para o que vai acontecer a partir de janeiro de 2015 caso o PT seja derrotado nas eleições deste ano. Com o estado aparelhado, os petistas em represália vão tentar desestabilizar o país porque ainda são o partido mais organizado. Comanda as centrais de trabalhadores e milhares de sindicatos, portanto, têm como liderar greves e incentivar à massa a ir às ruas contra o novo governo. Os petistas não vão dar trégua porque, ressentidos com a derrota, tentarão de todas as formas inviabilizar o sucessor.

Além disso, resistirão a abandonar os cargos para não perder os salários milionários sem antes boicotar o serviço público e  paralisar as atividades afins do estado. É assim que opera o PT. E foi assim que a cúpula do partido agiu nos primeiros anos do governo Collor, quando estimulou a paralisação da máquina estatal,  criou CPIs, quebrou o sigilo fiscal de autoridades do governo, fabricou escândalos e levou às ruas milhares de jovens (os caras pintadas) para derrubar  o primeiro presidente eleito pelo voto direto depois da ditadura.  

O PT  não se contentou com a derrota do Lula e organizou suas bases (sindicatos e centrais) para confrontar o novo governo. Criou núcleos de espionagem dentro dos órgãos federais infestados de seus militantes e simpatizantes e em pouco tempo derrubou o Collor, que já estava na corda bamba pelo governo medíocre que fazia com denúncias de corrupção pipocando por todos os lados.Na oposição a partir de janeiro, caso a Dilma não se reeleja, os petistas vão infernizar a vida de quem assumir o governo.

Quatorze anos administrando a máquina pública, eles aparelharam o estado e agora conhecem como funciona a estrutura por dentro. Para desalojá-los do poder, o presidente eleito certamente gastará boa parte do mandato na assepsia das estatais onde os petistas estão infiltrados independente da qualificação profissional.Lula está acompanhando com lupa a campanha da Dilma. Anunciou inclusive que estará na linha de frente dos trabalhos da reeleição da sua presidente.

Acontece, porém, que ele hoje já tem dúvidas quanto ao êxito do sucesso dela e analisa prognósticos desfavoráveis a sua candidata. Por isso começou a trabalhar com outro cenário político: aumentar as bancadas petistas na Câmara e no Senado Federal. A estratégia consiste em dominar o Congresso Nacional no caso do PT não conseguir reeleger a Dilma. Perde-se, portanto, o governo, mas em compensação ganha-se o  parlamento submetendo o novo presidente às ordens petistas, leia-se lulista.

Nos estados onde o PT não desponta como favorito ao governo, Lula tem estimulado uma aliança independente de ideologia para aumentar o número de parlamentares, o que permitiria o partido ter maioria no Senado e na Câmara e indicar os presidentes.É assim que o ex-presidente quer permanecer soberano na política. Lula sabe que a Dilma estaria definitivamente fora da política se perder a reeleição porque não teria condição de se eleger nem a síndico de prédio.

 A dificuldade dela de se manter na política deve-se a sua falta de base eleitoral em Minas Gerais e no Rio Grande do Sul os dois estados que abraçou para viver. Lula sabe também por experiência própria que num regime presidencialista como o nosso, manter a presidência das duas Casas é dominar o destino político do país como fazem alguns partidos, a exemplo do PMDB de Sarney, de  Renan e Michel que mantêm o Executivo sob seu jugo. 

Incompetência

Não à toa, Lula não demonstra nenhum apetite para ocupar o lugar da Dilma. Conhece como  ninguém a incompetência da sua presidente para administrar o país e do fracasso que ronda o setor econômico em 2014. Assim, previne-se ao entregar os anéis para preservar os dedos: quer a Câmara e o Senado  para transformar o Executivo refém do seu partido, no caso de uma reeleição frustrada da Dilma.  


Bolsa crack

O Jornal Nacional mostrou mulheres e homens uniformizados, lesados pelo crack, em São Paulo, de vassouras nas mãos limpando a cracolândia. Meia dúzia de gatos pingados. Ao lado, centenas de maltrapilhos, que não aderiram ao programa, envolvidos no vício e traficantes que fazem do centro da cidade a feira degradante do comércio da droga. O circo armado pelo prefeito Fernando Haddad é próprio de governos petistas que tentam na improvisação encontrar soluções para tudo, inclusive a de tentar acabar com a cracolândia oferecendo 15 reais aos viciados para ajudar na limpeza de ruas. O jornal O Globo não embarcou na onda do factoide paulista, versão Haddad,  e não registrou o fato em suas páginas. 


Lesionados

As cenas degradantes mostraram bem a espetacularização do “novo” programa petista de acabar com os centros consumidores de crack de São Paulo. E o Jornal Nacional prestou um desserviço ao exibir depoimentos de pessoas doentes e lesionadas pelo vício dizendo, meio abobalhadas, o que a prefeitura queria, como por exemplo: “Agora vamos ter uma vida nova” ou “essa é a oportunidade que a gente esperava” como se isso fosse resolver o problema que a Dilma disse em campanha que iria encontrar solução ao chegar ao governo. Quatro anos se passaram  e o vício e o tráfico só se agravaram no país todo.

Higienização

Enquanto mulheres e homens apareciam na televisão varrendo a cracolândia, empregados da prefeitura apressavam-se em desmontar os barracos de madeira e de papelão que abrigavam vários deles dia e noite nas ruas. Pronto, o problema estava resolvido. A poucos meses da Copa do Mundo, a cidade que vai abrir os jogos, não estaria mais contaminada por homens, mulheres e crianças envolvidas no vício do crack. A solução simplista para um grande problema só mostra que a prefeitura de São Paulo não tem um projeto definitivo para enfrentar o vício. Prefere medidas paliativas a enfrentar a situação como um caso de saúde pública, confrontar o traficante e criar núcleos de triagem que possam abrigar os dependentes químicos. A falta de orientação, certamente vai levar muitos deles a usar os 15 reais para comprar mais crack fortalecendo o mercado da droga.


Truque

A raiz de tudo isso está no desarranjo familiar, na falta de perspectiva de vida e na desocupação. Não é pagando que se vai consertar o vício, limpar as ruas para os turistas e amontoar pessoas desorientadas em pensões baratas da cidade sem o acompanhamento necessário. O Bolsa Crack da prefeitura apenas está mudando o problema de um lugar para o outro. Se é para encontrar soluções, uma delas, mais eficaz, seria a de criar centros de apoio para tentar primeiro curar o viciado. O emprego ocorreria depois da sua recuperação, quando ele já estivesse apto para o trabalho.


Crack da Bolívia

Outra proposta seria a de um convênio entre a prefeitura e as empresas que prestam serviço ao município para empregar os drogados recuperados. Mesmo assim, aassistência seria constante para evitar que ele volte ao vício, o que ocorre na maioria das vezes. Além disso, a polícia deveria intensificar o trabalho ao tráfico da droga que chega da Bolívia em quantidade assustadora, papel que caberia ao Ministério da Justiça que vê o problema se agravar e não se movimenta para impedir esse tráfico livre do país vizinho.


Os zumbis

As cenas dos craqueiros exibidas pelo Jornal Nacional foram deprimentes e humilhantes ao ser humano já degradado pelo vício. Deprime mais ainda quando se assiste também a secretária do Serviço Social dando entrevista como se tivesse encontrado a solução definitiva para acabar com a cracolândia . Enquanto falava, ali, muito próximo dela, a imagem de centenas de viciados disputando como zumbis a última pedra do cracké a prova de que essa ainda não é a solução para acabar com a cracolândia e recuperar os flagelados das drogas. O ex-prefeito Cesar Maia, do Rio, fez escolas com seus factoides quando queria a aparecer na mídia simulando que trabalhava.

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