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24 de Setembro de 2018

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Edição nº 754 / 2014

15/01/2014 - 17:11:00

Decisão de Vilela acirra campanha de Collor e Heloísa Helena ao Senado

Desistência do governador surpreende jogo eleitoral em Alagoas e zera disputa majoritária

Odilon Rios Repórter

Uma declaração do governador Teotonio Vilela Filho (PSDB) remexeu todo o quadro político de Alagoas e pôs como rivais absolutos, do dia para a noite, o senador Fernando Collor (PTB) e a vereadora Heloísa Helena (PSOL); revirou o palanque ao Governo do Palácio República dos Palmares pelo avesso; e fez a esquerda sonhar com a cadeira marrom da chefia do Executivo Estadual.Uma coletiva na segunda-feira (6) encerrou, para Vilela, o sonho dele concorrer ao Senado.

Ele próprio deu a notícia: “Decidi ficar no governo até o final do meu mandato para ampliar as nossas conquistas principalmente nas áreas de segurança, educação e saúde. Quero a paz nas ruas que ainda não estão plenamente pacificadas e para que cada cidadão alagoano tenha um atendimento decente nas outras áreas a que ele tem direito.

Esse é um compromisso de fé que tenho com os alagoanos”, disse.Nos bastidores do próprio Governo, no dia 6, havia um desconforto estranho no ar: boa parte do secretariado foi convocada para o café da manhã com a imprensa para dar-se uma notícia decidida na noite anterior. Apenas um integrante da bancada federal estava no segundo andar do Palácio Floriano Peixoto: o deputado federal Givaldo Carimbão (PROS).

Nem o “amigo-irmão”- o presidente da Assembleia Legislativa, Fernando Toledo (PSDB), apareceu. Aliás, nenhum parlamentar da base estadual quis tomar café ao lado de Vilela.Sisudos, alguns secretários trocavam olhares raivosos com pessoas circulando no Palácio. Carimbão dava pistas que sabia do anúncio: “Se o governador sair em março, o PROS sai da administração.

Aí a questão é óbvia: por causa da eleição”, encerrou a conversa para apertar a mão de Vilela, chegando ao café da manhã. O secretário de Defesa Social, Dário César, estava ao lado.Após a coletiva, choveram especulações sobre a desistência do governador.

Vilela estaria doente? “Não, ele caminha todas as manhãs pela praia, eu vejo”, disse um aliado. “Foi a mulher dele e a filha quem pediram para ele se dedicar mais à família”, explicou outro. “O palanque do senador Aécio Neves (PSDB/MG) precisa de algum tucano no Nordeste. Como é que o governador vai sair da administração em março e deixar Aécio?”, perguntou outro.Integrantes do QG do senador Collor foram enfáticos: “É estratégia para ganhar tempo para, mais à frente, ele dizer que será candidato.

Vai organizar um encontro com Aécio, Serra, o Fernando Henrique Cardoso em Alagoas. E todo mundo vai ‘pressionar’ o governador a ser candidato ao Senado”.Já o QG de Heloísa Helena apostava em um acordo entre Collor e Vilela- o governador estaria de olho em uma vaga ao Tribunal de Contas da União; a esquerda dizia que Collor e os movimentos sociais haviam desidratado as chances do governador concorrer ao Senado.

Tudo negado por aliados de Collor. Primeiro porque o senador e o governador continuam em lados opostos. Segundo: a aprovação do nome de Vilela ao TCU dependeria da presidente Dilma Rousseff. Como Dilma aceitaria um líder tucano, indicado por ela, para julgar, no futuro, as contas do PT e dela mesma?“O governador é um homem de palavra. Disse que não vai concorrer e não vai. Zero chance, mesmo com pedido de Aécio ou Serra ou Fernando Henrique.

Essa dúvida é estratégia da oposição”, disse Claudionor Araújo, um dos tucanos mais próximos ao governador.E sobre o futuro? “Quanto mais cedo escolhermos um nome, melhor para consolidarmos nas ruas”, avisa.Ele tem uma defesa: o Palácio tem de definir um único nome para as duas disputas. “Quanto mais a gente dividir o jogo, mais vamos facilitar para a oposição”, disse.

Tanto o nome ao Governo quanto ao Senado serão chancelados pelo “maior comandante político do nosso lado: o governador. Todos os nomes dos aliados vão passar elo Téo, ele será o nosso coordenador. Essa é a consciência do grupo”.Do chapão, o deputado federal Renan Filho (PMDB)- de longe, com mais chances de concorrer ao Governo, disse que a declaração de Vilela resume a administração:“O que muda é o governador, que é peça importante, mas não é única na eleição.

A não candidatura dele é a demonstração de que o Governo não deu tão certo quanto o esperado. Ele próprio admitiu que o governo vai mal em setores fundamentais, como educação, saúde e segurança”, disse.Seja como for, os governistas movimentaram as pedras do imenso (e pesado) xadrez da administração estadual, em meio a uma crise de popularidade que devorou o Governo e o mês de azar na administração estadual: dezembro- quando até os militares ajudaram no desgaste do líder do Executivo estadual, os dados do Pisa- na educação- puseram Alagoas na liderança mundial (negativa) em leitura, matemática e ciências e o anúncio (feito, depois desfeito) do pagamento do rateio do Fundeb aos professores.

“Há uma revolução silenciosa acontecendo em Alagoas, uma mudança profunda e transformadora para a vida dos alagoanos. São ações inéditas de um Governo que tem um projeto de Estado, com investimentos para os próximos 20 anos. Estou otimista como nunca estive em um início de ano, com muita vontade, confiança e disposição para cumprir com meus compromissos e com o meu dever. Para fazer esse Estado ser admirado por nós mesmo e pela sociedade brasileira”, disse Vilela, tentando empolgar a administração. Nos próximos meses, ele terá de inaugurar obras federais- em parceria com estaduais- sabendo que o calendário eleitoral engessa os investimentos públicos no País a partir do segundo semestre. Ele vai conseguir reanimar o Executivo?

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