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20 de Setembro de 2018

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Edição nº 754 / 2014

14/01/2014 - 09:16:00

Jorge Oliveira

Proibido viajar

Rio – Os brasileiros estão cansados,  perdendo a força e a indignação diante de tantas mazelas do governo. Depois que o Lula chamou-os de vira-latas, aí então é que eles botaram o rabinho entre as pernas e se encolheram, apequenaram-se. Preferem as novelas insossas da Globo, a adoração aos milionários jogadores de futebol, as festividades da Copa do Mundo, a pancadaria do Anderson Silva e as juras de amor a Dilma Roussef à lutar pelos seus direitos.

É por causa dessa leniência que o governo vem tratando seus súditos como cães sarnentos, decidindo, agora, de cima pra baixo, como devem comer,  vestir,  se divertir e até viajar como se fossem um bando de alienados, comandados por ditadores de uma republiqueta de bananas. É assim que começamos 2014, com a Dilma mandando o Guido Mantega, o ministro da Fazenda, ítalo-brasileiro, agir como um déspota aumentando de 0,38% para 6,38% o imposto sobre qualquer tipo de operação com moeda estrangeira.

Pegos de surpresa no exterior, milhares de brasileiros refazem suas contas, reduzem  suas compras e restringem seu divertimento porque a presidente Dilma decidiu numa canetada penalizá-los, aproveitando-se do recesso do Congresso, a quem caberia também discutir sobre essa questão. Vive-se hoje no Brasil uma ditadura branca disfarçada de democracia, com um Congresso fraco e um Executivo forte. Ao decidir pelo aumento da alíquota, o governo garante uma receita anual de R$ 552 milhões.

Mais uma vez sacrifica o contribuinte com aumento de imposto para tentar equilibrar as contas de uma economia maquiada e em frangalhos e para evitar mais gastos dos turistas lá fora, que até novembro foram de U$ 23,1 bilhões, 14% a mais do que 2012. Ora, ir ao exterior deixou de ser privilégio da classe média. Milhares de brasileiros de todos os níveis sociais gastam lá fora porque no Brasil é mais caro pagar um hotel, comprar uma roupa ou simplesmente frequentar um restaurante, principalmente no Rio e São Paulo.  

Voar, então, nem se fala. O bilhete está ficando cada vez mais inalcançável. É mais fácil comprar um pacote com hotel e passagem aérea para os Estados Unidos ou para a Europa do que para o Nordeste, por exemplo, onde uma passagem em dezembro não custava menos do que R$ 3 mil só uma perna. Veja que absurdo. Um turista que a partir de agora efetuar um carregamento de U$ l mil no cartão pré–pago pagará U$ 63,80, uma extorsão ao bolso do consumidor.

O governo não avisa previamente medidas como essas que afetam o contribuinte, o último a saber.  Mesmo assim, os brasileiros parecem anestesiados diante de tanto  desrespeito e autoritarismo de um grupo de burocratas que decide agora como você come, bebe, se veste e viaja sem levar em conta que pelo menos quatro meses do seu trabalho por ano são para pagar impostos. A acomodação a esses fatos é tão assustadora que ninguém se atreve a questionar o governo na Justiça sobre o aumento abusivo desse imposto que nem sequer foi discutido no Parlamento.

A OAB – que agora interfere na reforma política –  deveria também se preocupar com essas decisões verticalizadas tomadas entre quatro paredes por um governo insensível e incapaz de tirar o país do atoleiro com inteligência e competência, numa evidente demonstração de que a economia brasileira continua se arrastando no improviso. 

Desvio

O mais desalentador é que ninguém sabe para onde vai tanto dinheiro arrecadado com imposto no Brasil, que está no topo dos países com a maior carga tributária do mundo. De uma coisa é certa, boa parte dessa grana é desviada para paraísos fiscais. Segundo a Fundação Getúlio Vargas, nos últimos 10 anos, 40 bilhões dos cofres públicos foram parar nas mãos de empresários, burocratas e políticos corruptos.


Escolas

Li esta semana em um jornal que um corrupto se chateou porque seu filho foi admoestado numa escola onde estudava na Zona Sul do Rio. De fato, não é fácil ser filho de corrupto, mesmo sabendo que a neurociência ainda não chegou a conclusão da pesquisa para provar que  nem sempre “filho de peixe peixinho é” . O máximo a que os estudos alcançaram de verdade até agora é a comprovação da mudança de comportamento do filho do corrupto. Normalmente, ele leva uma vida acanhada, envergonhada e se torna uma pessoa isolada, introvertida. Nas reuniões, na escola e nas festinhas, por exemplo, é o último a chegar e o primeiro a desaparecer para não ser notado.


Constrangimento

Discute-se no meio acadêmico no momento se não seria melhor isolar o filho do corrupto da garotada, digamos, normal, aquela que preserva os princípios da honestidade. Assim se evitaria que as crianças traumatizadas pelos antecedentes dos pais passem por constrangimentos nas escolas.  A outra proposta é de que o governo deveria criar escolas de amparo aos filhos dos corruptos. Ali, em um ambiente isolado, aqueles que nasceram com o gênese dos pais, seriam acolhidos em horário integral para aprender como fraudar e roubar no Brasil. 


Evolução

O currículo seria discutido nos presídios pelos Ph.D.s na matéria ou mesmo dentro dos ministérios onde muitos desses corruptos continuam na prática ensinando aos seus subordinados novas técnicas de roubar o dinheiro público já que de mil flagrados apenas um ou dois ficam mais de uma semana na cadeia, sinal de que há uma evolução no modus operandi da gatunagem de não deixar pistas. Do Ministério do Trabalho, por exemplo, onde a Polícia Federal prendeu dezenas deles acusados do desvio de 200 milhões de reais,  poderiam ser convocados alguns para falar sobre “como roubar e não ser condenado: métodos do bem-viver”, como uma disciplina extracurricular.

Especiais

Encontrar locais especializados para os neocorruptos evitaria que os pais passassem pelo vexame de ver seus filhos discriminados pelos colegas nas escolas comuns. À esses garotos, acostumados à polícia na porta de casa, estariam reservados currículos específicos e aulas teóricas e práticas do desvio de recursos. Juntariam-se a eles também os filhos de banqueiros e de empreiteiros flagrados no comércio da propina e do suborno. Uma das disciplinas indispensáveis ao currículo seria licitação pública: “Como adulterar e viciar as licitações públicas em conluio com funcionários públicos”. Essas aulas seriam ministradas nas escolas e dentro dos próprios ministérios, onde os estudantes assistiriam ao vivo e a cores a conversa entre empreiteiros e burocratas, sobre os métodos de suborno e os truques para o dinheiro roubado chegar ao paraíso fiscal.

Disciplinas

Outra matéria importantíssima: “Como desviar dinheiro destinado às calamidades”. As aulas também seriam práticas e rápidas. Consistiriam em ver como a grana sai do ministério para os flagelados e, como, num passe de mágica, desaparece no meio do caminho. O que chega ao destino normalmente é dividido entre os prefeitos e seus assessores, como ocorreu no Rio. Para os miseráveis apenas os donativos que depois da tragédia normalmente é jogado fora por falta da logística de distribuição.


Vestibular

Para  que o aluno ingresse na Universidade da Corrupção não precisa de vestibular. Exige-se apenas a apresentação da folha corrida do pai com os antecedentes criminais. Quanto mais suja melhor. O mestrado e o doutorado inevitavelmente serão feitos dentro dos próprios ministérios que garantem inclusive o estágio já no primeiro ano do curso. Afinal de contas, o Brasil não pode desperdiçar a experiências e a prática diária de seus corruptos para não desativar a Polícia Federal que trabalha hoje exclusivamente para prender os comissionados do governo. Sem essas escolas, corre-se o risco de um Brasil vazio, sem grandes emoções.

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