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15 de Dezembro de 2018

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Edição nº 752 / 2013

31/12/2013 - 09:30:00

PEDRO OLIVEIRA

Em Roma com “pão e circo”

As ações de alguns políticos e administradores me levaram a fazer uma reflexão sobre o momento que vivemos e a falta de compromisso desses agentes com o interesse público e ainda com a passividade e o distanciamento da sociedade dos reais problemas que a afligem, assistindo a todo esse descaso, porém sem reclamar, protestar e acusar os responsáveis. A política do Pão e Circo (panem et circenses, no original em Latim) como ficou conhecida, era o modo com o qual os líderes romanos lidavam com a população em geral, para mantê-la fiel à ordem estabelecida e conquistar o seu apoio.

Esta frase tem origem na Sátira do humorista e poeta romano Juvenal (vivo por volta do ano 100 d.C.) e no seu contexto original, criticava a falta de informação do povo romano, que não tinha qualquer interesse em assuntos políticos, e só se preocupava com o alimento e o divertimento.Esses ingredientes, em qualquer sociedade são perfeitos para detonarem revoltas sociais de grandes dimensões. Para evitar isso, os imperadores optaram por uma solução paliativa, que envolvia a distribuição de cereais, e a promoção de vários eventos para entreter e distrair o povo dos problemas mais sérios na fundação da sociedade romana.

Assim, nos tempos de crise as autoridades acalmavam o povo com a construção de enormes arenas, nas quais realizavam sangrentos espetáculos envolvendo gladiadores, animais ferozes, corridas de bigas, quadrigas, acrobacias, bandas, espetáculos com palhaços, artistas de teatro e corridas de cavalo. Outro costume dos imperadores era a distribuição de cereais mensalmente no Pórtico de Minucius. Basicamente, estes “presentes” ao povo romano garantia que a plebe não morresse de fome e tampouco de aborrecimento. A vantagem de tal prática era que, ao mesmo tempo em que a população ficava contente e apaziguada, a popularidade do imperador entre os mais humildes ficava consolidada.

Tal qual Roma aqui eles repetem

Tal qual em Roma vejo hoje muitos de nossos administradores totalmente desconectados dos princípios da moralidade, da legalidade e da eficiência e por conta disso buscando enganar a todos com a  política de “pão e circo”. Passado o primeiro ano de governo muitos prefeitos ainda não conseguiram  ou não quiseram por em prática os compromissos assumidos em campanha e pelo menos suas obrigações de oferecer o básico à dignidade humana: saúde, e educação . Alguns continuam “ culpando o passado” sem viver o presente e planejar o futuro, outros reclamam da falta de recursos e passeiam em carrões de luxo e dão demonstrações de repentino enriquecimento pessoal e de seus familiares. Foi mais um ano de sofrimento e penúria para os que mais precisam. As escolas continuam em estado precário e o ensino acompanha o mesmo quadro, nos Postos de Saúde o que mais falta é a própria “saúde”, que vai matando aos poucos pela falta de atendimento, de medicamentos e de uma atenção digna. É assim na capital, é assim na maioria das cidades do interior. O cidadão comum é tratado com desprezo e as promessas de campanha que os levaram ao “pódio” são mandadas às favas, pois o povo tem memória curta e certamente repetirá seus equívocos nas próximas  eleições. Falta dinheiro para a educação e a saúde da população, mas sobra dinheiro para festas durante todo ano: carnaval, aniversário da cidade, São João e já se anuncia animado réveillon e alguns até achando pouco farão quatro anunciando irresponsavelmente; “Não tem cabimento as festas se adensarem em um único ponto. Vamos levar palcos para shows em quatro bairros”. E o mais grave: Já há o anúncio para começar o ano com a “folia” (Festival de Verão em janeiro e Fevereiro). Em um país de respeito iriam  pagar de seus bolsos o dinheiro aplicado irresponsavelmente. Mas aqui eles continuarão praticando a política imoral do “pão e circo”, para enganar os tolos com as promessas que não cumpriram,  as obras que não fizeram a responsabilidade que não tiveram.


Palmeira do bem

A cidade está em cenário de destruição, não há um setor de serviço público que esteja funcionando regularmente, a população está indignada com o estado vegetativo de  Palmeira dos Índios, outrora um dos mais desenvolvidos  entre os municípios alagoanos. Mas nem tudo é desgraça para o palmeirense. Mais uma vez duas jovens estudantes são reconhecidas nacionalmente como “ jovens inventores”  por descobrir a solução para uma praga em hortaliças especialmente o couve. Luana e Luciana foram mostradas em rede nacional em um programa de televisão a exemplo de outras duas jovens também de Palmeira que na semana anterior tiveram a mesma exposição ao apresentarem outra invenção: tijolos feitos com bagaço de cana. Todas as jovens são estudantes do IFAL de Palmeira dos Índios.A “austeridade” de RenanEm rede de televisão o presidente do Congresso Nacional, Renan Calheiros, fez um pronunciamento no qual dizia que “ a austeridade do Senado mostrou que é possível fazer mais com menos, isso sem comprometer o funcionamento da Casa”. Ao mesmo tempo também dava uma demonstração aos brasileiros de  “como viajar mais com menos“, ao usar indevidamente um jato da FAB para cuidar de sua “careca” e “ retocar as bolsinhas de seus verdes olhos em Recife. Tudo bem que cuide de seu visual e procure ganhar mais cabelos, mas não à custa do dinheiro público. Prometeu devolver o dinheiro ao ser descoberto em mais uma peripécia. Quero ver a guia de recolhimento, pois a primeira referente a sua “viagem de serviço” para um casamento na Bahia ainda não vi.Agora falar em austeridade não acham que o mesmo que “ falar em corda em casa de enforcado”?


Prevenir para preservar

A Câmara  analisa o Projeto de Lei  do deputado Felipe Bornier (PSD-RJ), que obriga estabelecimentos de ensino a terem plano de evacuação em situações de risco.De acordo com a proposta, deverão ser avaliados os sistemas de emergência disponíveis, as características físicas do estabelecimento e como professores alunos e funcionários responderão à situação de risco.O plano de evacuação deverá prever a indicação do funcionário responsável; as ações de cada um quando soar o alarme; a planta do local, com extintores e portas de emergência; e os procedimentos específicos para evacuar crianças e pessoas com necessidades especiais.“Eclodida uma situação de risco ou na sua iminência, estarão dadas todas as condições necessárias para prevenir o pânico e permitir a mais rápida e segura evacuação do local”, ressalta Bornier. Ele lembra que o número de vítimas no incêndio da boate Kiss, em Santa Maria (RS), poderia ter sido bem menor se houvesse melhores condições de evacuação no local. O incêndio, em janeiro, matou 241 vítimas.


Os políticos e as fortunas 

Para escrever “Partido da Terra: Como os Políticos Conquistam o Território Brasileiro”, o jornalista Alceu Luís Castilho dedicou três anos à pesquisa de aproximadamente 13 mil declarações de bens de políticos eleitos entregues ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral). A investigação concluiu que os donos do poder são também os grandes proprietários de terra.O número comprovado desses bens --que pode ser maior que o declarado-- coloca 2 milhões de hectares nas mãos de políticos em mandatos municipais, estaduais e federais. Mesmo entre esses latifundiários --alguns dignos de uma capitania hereditária--, existe uma distribuição desigual: 31 políticos possuem 20 mil hectares. Alguns são acusados de usar trabalho escravo e/ou de serem responsáveis por desmatamento.Essa elite é afiliada a diferentes partidos políticos e de todo o país. Porém, PMDB, PSDB e PR são os que lideram o ranking. “Alguém se surpreenderá que os filhos da Arena possuem menos terras que os filhos do MDB?”, questiona Castilho sobre o crescimento da “esquerda latifundiária”.Entre os políticos eleitos no último pleito, os senadores são os maiores proprietários rurais do país. “A média de hectares por senador impressiona; são quase mil hectares (973) para cada um. Precisaríamos de vários planetas para que cada brasileiro possuísse a mesma quantidade de terras”, explica.

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