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Edição nº 752 / 2013

31/12/2013 - 09:29:00

Noites natalinas

Antônio Miguel da Silva Professor

No balouçar sucessivos dos segundos e nas lentas passagens das horas, já se desenrolam vinte séculos da meada invisível do tempo, e se esconderam nas dunas cinzentas do infinito, nestes idos anos, naquelas tardes pretéritas, vislumbrava eu o sol enrubescido, rumava ao ocaso, prenunciando aquelas noites coloridas, encantadoras e sinfônicas: Meus olhos de saudoso poeta divisavam os voos simétricos dos pássaros, em cantos sonoros, riscando o espaço, certamente, pela transmissão divina, festejando aquelas datas natalinas, nos tempos ditosos de minha infância e adolescência, período em que, sorrindo de alegria, sabia eu, serem aquelas noites de ternuras e purezas, motivadas pelo nascimento do salvador do mundo.

Deslumbrava-me ante a tonalidade da Natureza, visto que, tudo traduzia esperança, felicidade, afago e amor: nascia, para espargir, em todo o globo, a certeza de nossa salvação. Nascia em uma manjedoura, em Belém de Judá, o filho de Deus, o maior universariante, dentro todos aqueles que nasceram na terra. Data de aplauso, de Júbilo, de meditação e de maior conscientização de amar o próximo como nós mesmos.

A Natureza vestia-se na túnica da salvação. No abóbada celeste, as estrelas tremulantes e candentes estendiam, sobre as frondes das árvores, um lençol de cambraia, bem como prateava os rios, e as cachoeiras que choramingavam, docemente, em saudação a Jesus Cristo, fruto da imaculada virgem Maria. Só hoje, depois de adulto, e muito ter lido as Escrituras, não posso acreditar que o Imaculado, pleno de poder, filho do Onipotente, tal qual é Jesus cristo, que ressuscitou Lázaro, que havia morrido há quatro dias, e contou para que nós analisássemos o que é o próximo, a parábola do Bom Samaritano: restituiu a orelha de Malco, decepada, á espada, por Pedro, multiplicou peixes e pães, e muitas outras coisas, provas de amor ao próximo, dadas por ele, durante trinta e três anos que habitou entre nós, tenha ele, cheio de ódio, quebrando mesas, chicoteado e expulsado os vendelhões de dentro da Sinagoga, outrossim, não concebo que Herodes cometeu o maior infanticídio do mundo, ceifando, á espada, cerca de duas mil crianças, com menos de dois anos, e, sem nenhuma intercessão dele ou de DEUS, isto é, á defesa, a priori.

Não! Mil vezes não! Houve, tenho absoluta certeza, erro na tradução dos pergaminhos, do aramaico para outras línguas. Se alguém lançar-me uma réplica, eu lançarei a tréplica, quantas vezes forem necessárias: é que, em Cristo, nunca existiu o ódio, a inveja, a maldade.O Papa João Paulo II, um pecador, foi á detenção perdoar o algoz que o feriu, fisicamente; Francisco de Assis escreveu uma sábia prece, que assim diz: “Onde houver o ódio que eu leve o amor”...

Calcule Cristo, que suplanta, universalmente, a generosidade do Papa e de Francisco de Assis.Mas deixo de lado estes não cabíveis atributos a Cristo e retorno á meada de minhas noites de natal, no meu Murici, gleba de meus sonhos, de minhas fantasias, onde vivem engastadas em meu cérebro as lembranças, onde junto ao meu povo comemorava os aniversários do enviado de Deus. Deslumbrado com as bandeirinhas multicoloridas, e o som dos altofalantes, levando ao ar as músicas natalinas. Lembro-me de todos aqueles que comigo conviveram, desfrutando, embebidos aos dourados sonhos dos nossos ternos dias.

Meu Deus, que ilusão e efemeridade é a vida! Uns já se encontram em outra dimensão, outros em lugares distantes e não sabidos; também há aqueles que se arraigaram á terra e lá estão, já se declinando ao poente da existência, mas pleno de vigor, porque tem Cristo no coração.Neste natal, desenrolo o carretel de meus passados dias, recordo, ainda infante e adolescente, e me vejo num terno sitio, onde vim ao mundo, e reminiscências incontáveis embalsam-me o cérebro e meu ego.

Era lá que naquelas risonhas noites, junto aos meus pais, eu improvisava uma manjedoura, em derredor de nossa casinha e varava a noite, festejando, ao trescalar dos frutos silvestres, este maior acontecimento do universo, o nascimento do Nazareno, o primogênito e unigênito Filho de Deus.

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