Acompanhe nas redes sociais:

19 de Setembro de 2018

Outras Edições

Edição nº 752 / 2013

31/12/2013 - 09:25:00

Pena de morte

JORGE MORAIS jornalista

Quem disse que no Brasil não temos pena de morte? Mais do que isso: não é preciso nem a mudança na lei e o julgamento da justiça para que isso ocorra. A pena de morte foi decretada pelos bandidos, que matam para roubar e, às vezes, sem motivo algum, apenas pelo prazer de matar, se é que tirar a vida de outra pessoa seja motivo de prazer.

Em Alagoas, estamos vivendo uma situação ainda pior. Com o aquartelamento da polícia e a incompreensão do governo em entender a grave situação, estamos literalmente perdidos e condenados a esta “pena de morte”.

A proposta parcial de acordo do Governo do Estado não convenceu as lideranças do movimento da Polícia Militar, que fazem de conta que retornaram ao trabalho; as autoridades se enganam quanto ao cumprimento desse acordo; e o povo continua com medo e sem segurança.Além da real condição de trabalho, com viaturas e armamentos possantes para enfrentar os bandidos, os policiais querem salários compatíveis com sua função e riscos na profissão.

Hoje, os policiais saem de casa e não sabem se voltam com vida, pela desvantagem no embate com as armas poderosas que estão do outro lado. Segundo eles, o plano “Brasil Mais Seguro” é um engodo e que os números apresentados pelo governo são fantasiosos e que a realidade é bem diferente.Segundo alguns coronéis aliados do movimento de aquartelamento dos colegas de farda, esse programa do Governo Federal em Alagoas deveria passar por uma auditoria, para se saber como foram aplicados os recursos e qual o resultado disso tudo na relação custo benefício, inclusive no gasto com a mídia em campanhas que não retratam a realidade no quesito segurança, pelos números divulgados na imprensa, diariamente.Na semana passada, os jornalistas foram convidados para um café da manhã com o senador Fernando Collor, que fez um balanço de sua atuação nesse ano de 2013, no Senado da República.

Depois do encontro, alguns jornalistas resolveram ficar conversando, como a gente diz, jogando conversa fora, além de falar sobre os projetos e planos para 2014.Entre uma conversa e outra, um assunto foi levantado: segurança. Pasmem os senhores. Dos oito jornalistas que ali estavam apenas um ainda não tinha sido assaltado, em Maceió. Para todos é como esse companheiro tivesse recebido um grande prêmio na loteria, fato esse que consideramos muito difícil de acontecer.

Essa sorte grande não é para todo mundo.Os colegas que foram assaltados tiveram diante de si uma arma apontada por delinqüentes e bandidos drogados que, Graças a Deus, levaram apenas seus pertences, diferente do ex-presidente do CRB, Paulo Trindade, que, sem reagir, levou um tiro na barriga e faleceu na porta da residência de sua mãe, e tantos outros anônimos ou não que tiveram o mesmo caminho, a morte. Segundo eles, até hoje não conseguem sair de casa sem um misto de esperança e medo. Esperança de retornarem vivos e com medo de não passarem por tudo outra vez.

Vivem assustados.O único que ainda não passou por esse momento, e espera que isso nunca aconteça, saiu assustado, olhando com desconfiança para todo mundo que estava parado ou vinha em sua direção. Todos nós estamos com medo, vivendo num estado onde a “pena de morte” foi institucionalizada; não temos segurança; os bandidos estão misturados, em qualquer lugar e a qualquer momento para surpreender.Num lugar onde o próprio governador diz que está assustado com a onde de violência, o que dizer do restante da população? 

Comentários

Curta no Facebook

Siga no Twitter

Jornal Extra nas redes sociais:
2i9multiagencia