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24 de Setembro de 2018

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Edição nº 752 / 2013

31/12/2013 - 08:54:00

Jorge Oliveira

Máfia das doações

Brasília - A reeleição, um ato casuístico do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, para ficar mais um mandato, foi um tiro no pé dos próprios tucanos que tentam agora voltar ao poder. Há dez anos no comando do país, o PT não dá sinais de que vai entregar a rapadura facilmente.

O PSDB não pode reclamar das facilidades para quem disputa a reeleição porque se beneficiou desses privilégios: aviões; servidores públicos dia e noite; pesquisas dos institutos amigos; dinheiro de empresários; e cargos públicosa políticos nem sempre qualificados para o cargo. Alheio a essas benesses, o STF agora avança com o propósito de moralizar o processo eleitoral ao tentar impedir que empresas contribuam legalmente com as campanhas, uma ingênua decisão de quem não conhece como funciona o mundo político. A forma atual é mais transparente: sabe-se  quem é o contribuinte e para onde está indo o dinheiro.

O impedimento proposto pela OAB  ao tribunal pode proporcionar um mercado paralelo de dinheiro sujo. Ao decidir como seu colegiado pela proibição da contribuição empresarial, o STF fecha a discussão coma sociedade. Corre, então, o risco de tomar uma decisão parcial. Cria-se assim uma contradição dos seus últimos atos: condena a cúpula petista por crime, entre outros, de caixa dois, mas estimula a fabrica clandestina de dinheiro.Com as novas regras do STF, ninguém sabe quem financia a campanha. Se a ou b. Abre-se, assim, o processo anárquico da contribuição anônima e o compadrio entre políticos e empresários na manipulação de cifras milionárias ilegais que já derrubaram Collor e botaram na cadeia petistas notórios.     

A ação do STF já foi votada parcialmente  por alguns ministrosque defenderam os mensaleiros porque ela é a simpática aos petistas que torcem pelo financiamento de campanhas com dinheiro público.  Adecisão final do STF, porém,pelo fim da contribuição empresarial, pode acarretar num sério problema: a criação da máfia da doação,a grana não contabilizada, como definiria o presidiário Delúbio Soares ao ser flagrado com a boca na botija.A contribuição empresarial atual écontrolada pelos tribunais, cada dia mais vigilantes.  

No caso da desobrigação do cadastro dessas empresas como doadoras, fica impossível rastrear que grupo econômico está por trás de determinado candidato. Ora, se o STF decide pelo fim da contribuição empresarial, deveria, em contrapartida, sugerir alternativas para o financiamento das campanhas.

Corre- se o risco, então, de prevalecer a tese dos petistas de que as campanhas deveriam ser financiadas com dinheiro público,  uma injustiça com os pequenos partidos que ficariam à margem desses recursos. A outra proposta de aumentar o fundo partidário  descambaria em mais desembolso do Tesouro Nacional penalizando o contribuinte e privilegiando também os grandes partidos. 

Intromissão

O mais grave de toda essa zorra é a intromissão do STF nas coisas do parlamento, que se enfraquece e vê a sua autonomia agonizar. A omissão do Congresso abre espaço para que a Justiça decida sobre a reforma politica ferindo o principio da independência entre os dois poderes.


Desacordo

No momento Justiça e Parlamento não se entendem e provocam uma desordem institucional geral. O STF cassa políticos, legisla e mete o bedelho nos trabalhos do Congresso Nacional. O legislativo nem sempre cumpre o que determina o Tribunal. E assim as leis não são respeitadas por pirraça de ambos. 


Legitimidade

A discussão precipitada sobre a contribuição ou não do empresário em campanha só embanana a cabeça do eleitor que há muito tempo é obrigado a votar. Se o voto fosse facultativo, corria-se o risco do Chile que elegeu a presidente com apenas com 40% dos votos validos, o que expõe a legitimidade da vitória.


Marionete

Está provado que o Guido Mantega não tem mais a menor ingerência no seu ministério. Menos de uma semana depois, ele anunciou que recuou da decisão e vai obrigar a indústria automobilística a dotar de Airbag e freios ABS os novos carros vendidos a partir de primeiro de janeiro de 2014.


O mágico

O ministro da Fazenda, o mágico que escamoteia os números da economia para produzir notícias agradáveis aos seus superiores, hoje é um personagem desprezível no governo da Dilma. Ainda continua no cargo por determinação do ex-presidente Lula a quem realmente presta contas do seu ministério. MortesAo decidir pelo adiamento da segurança dos carros, Guido Mantega não pensou nos malefícios que a sua atitude iria provocar com a morte e ferimentos em milhares de pessoas. Quis apenas evitar que a inflação, descontrolada sob o seu comando, subisse uns pontinhos mais e prejudicasse a reeleição da Dilma.


Descrédito

Guido Mantega é o responsável pelo descrédito da economia brasileira no exterior. Ninguém confia em suas previsões porque são dotadas de números fictícios e informações falsas sem o menor valor no mercado internacional. O desastre na queda do PIB, o menor dos últimos dez anos, e a inadimplência das pessoas físicas e jurídicas podem levar o Brasil a recessão econômica em 2014.


Fragilidade

A repercussão negativa e a fragilidade econômica do país deixaram Mantega no mato sem cachorro: manter o adiamento da instalação dos airbags e dos freios ABS em todos os carros significava a sua degola do ministério. Além disso, descobriu-se dentro do seu ministério um foco de corrupção que gerava dinheiro sujo na sua antessala. O recuo também ocorreu depois da repercussão e das críticas ao governo de proteger a indústria automobilística que tem dentro do PT defensores incondicionais com interesses escusos nas montadoras.


Proteção

Desde que assumiu o governo, há dez anos, os petistas protegem os barões dos carros. A pretexto de manter empregos e de não aumentar os índices inflacionários, o ministro Mantega mantém privilégios da indústria automobilística enquanto sacrifica outras áreas da economia, a exemplo das micro e pequenas empresas, geradoras de milhares de empregos, que pagam impostos exorbitantes e não têm incentivos para produzir.


Sacrifício

A reação em cadeia contra mais um  favorecimento impediu que o PT cometesse esse ato criminoso contra o consumidor brasileiro, já tão endividado pela irresponsável política de incentivo à compra de carro. 

Incineração

Depois que o corpo do governador de Sergipe, Marcelo Deda, foi incinerado em Salvador, é grande a fila de sergipanos com planos futuros para cremação. A fila é tão grande que empresas projetam construir fornos no estado para atender a  demanda que se expande. Virou moda, virar cinzas.

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