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21 de Novembro de 2018

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Edição nº 751 / 2013

30/12/2013 - 10:38:00

Em meio à crise na segurança pública, Renan Calheiros fecha apoio a Collor

Resposta do presidente do Senado vem após pesquisa apontando Vilela como 7º pior gestor do Brasil

Odilon Rios Especial para o Extra

A coletiva do presidente do Senado, Renan Calheiros, do PMDB, fechando apoio do partido à reeleição do senador Fernando Collor (PTB) surpreendeu até mesmo os calheiristas mais próximos. Mas, a estratégia havia sido traçada após a pesquisa CNI/Ibope, apontando Téo Vilela como o 7º pior gestor do Brasil, acompanhado a semana em que militares e servidores da Assembleia fecharam as portas do Legislativo.Renan Calheiros segue orientação do Palácio do Planalto: fecha, nos estados, os apoios com as legendas da base da reeleição à presidente Dilma Rousseff.

Ainda fazendo mistério sobre a disputa ao Governo (Renan não deve disputar no próximo ano), ele apresentou três nomes do PMDB para a chefia do Executivo: Luciano Barbosa (ex-ministro da Integração Nacional do governo FHC); o médico cardiologista José Wanderley Neto e o deputado federal Renan Filho- este último, nos bastidores, com mais chances, por causa dos índices baixos de rejeição, nas pesquisas internas do PMDB. Sobre Collor, fez elogios ao ex-presidente da República. Ex-inimigos, ambos reataram nos palanques alagoanos há duas eleições :“Eu acredito que o Collor seria um bom candidato ao Senado Federal. Ele tem tido um bom desempenho nas pesquisas e tem feito um bom trabalho em Brasília.

Acho possível a inclusão do PTB nesta chapa. Mas ainda é muito cedo e tudo pode acontecer”, disse Calheiros. O apoio de Renan não vem por acaso: há pressão de Collor por uma resposta do presidente do Senado sobre 2014 (com ameaça do ex-presidente de se lançar na disputa ao Governo, desmantelando as composições de Renan).Calheiros se aproximava do governador Téo Vilela - principal rival de Collor na disputa ao Senado.

“O Governo não tem acertado a mão em relação às políticas públicas essenciais, como saúde, educação e segurança pública. É lamentável a forma como o governo do Estado vem conduzindo o programa federal Brasil Mais Seguro. Já foram gastos mais de R$ 200 milhões só em Alagoas. E só agora o governo vai colocar mil policiais nas ruas, descumprindo promessas de campanha”, disse.São declarações que vêm no rastro de uma outra crise: o desgaste do Governo com funcionários públicos.

Desta vez, são os policiais militares, que, junto a servidores da Assembleia fecharam esta semana as portas do Legislativo Estadual para impedir a votação do orçamento para o próximo ano.Os militares querem melhores condições de trabalho e alteração nas escalas de trabalho, que piorou após a implantação do programa Brasil Mais Seguro - plano modelo de segurança do Governo Federal.Já os servidores não receberam o 13º salário. Segundo os deputados, a Assembleia precisa de um crédito suplementar de R$ 12 milhões para fechar as contas neste  final de ano.“Não aguentamos mais. A escala de trabalho está acabando com nossos PMs.

Já são 12 mortos este ano, irmãos militares tombando por causa da violência em Alagoas, o lugar que mais se mata no Brasil. Queremos ser ouvidos e a queda do secretário de Defesa Social, coronel Dário César”, disse o soldado Élcio Sarmento, o mais antigo em atividade na patente: 38 anos.Os militares pintaram o rosto, gritavam palavras de ordem e conseguiram uma reunião com a presidente interina da Assembleia, deputada Flávia Cavalcante (PMDB).

 Ao mesmo tempo, eles decretaram Operação Padrão. Os bairros mais violentos de Maceió deixam de receber segurança, até que o Governo possa rediscutir o orçamento. Os efeitos foram sentidos no bairro do Vergel do Lago, parte baixa da capital. Nesta quarta, foram registrados quatro assassinatos.

 Desde o início da semana, ao final da tarde, os militares saem em protesto pelas ruas da capital, em direção ao Palácio República dos Palmares, sede do Governo, onde fazem o enterro simbólico do chefe do Executivo. Durante entrega de viaturas, com a secretária Nacional de Segurança Pública, Regina Miki, nesta terça-feira (17), ao passar em revista a tropa, o governador e ela passaram por constrangimento: os militares amarraram fitas pretas no pulso, em sinal de protesto.“O plano federal Brasil Mais Seguro precisa de reformulação.

Temos propostas. Por exemplo: há 550 militares nos gabinetes, quando deveriam estar nas ruas combatendo o crime”, disse o coronel Ivon Berto, um dos líderes do movimento grevista na PM alagoana. Ele diz que os PMs ameaçam não fazer a segurança dos maceioenses nas festas de Natal e Ano Novo.

 “A violência é uma preocupação recorrente. Tentamos combater o crime sem dar tréguas. Está mal informado quem diz que o Programa Brasil Mais Seguro não está dando resultado. São operações conjuntas das policias Civil e Militar contando com 80 ou 100 policiais, sistematicamente. Talvez, o resultado não seja ainda o que queremos. Em 2013, já fizemos mais de 2.200 prisões. É uma guerra dura, difícil e eu não estou satisfeito”, disse  Téo Vilela.

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