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16 de Novembro de 2018

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Edição nº 751 / 2013

27/12/2013 - 11:13:00

O goveno no leito de Procusto

Cláudio Vieira Advogado e escritor membro da Academia Maceioense de Letras

“Quem diabos é esse tal de Procusto?” - haverá de se perguntar leitor menos familiarizado com a mitologia grega. Explico: o sujeito seria um bandido possuidor de maléfica cama de ferro na qual submetia suas vítimas a torturas. Obrigava-as – ou perfidamente as convidava, tanto faz – a deitarem na dita cama e, acaso não medissem o tamanho exato da mesma, decepava-lhes as pernas ou esticava-lhes o corpo, visando adequa-las à medida do leito medonho.

Jamais o tamanho de ambas, vítima e cama, coincidia, porquanto o tal Procusto tinha mais de um daqueles leitos; dizem que ao menos dois, um grande e um pequeno, de uso adaptado à situação e ao momento.A imagem do celerado mitológico veio-me insistente à mente ao ler, em determinado jornal local, reportagem na qual se criticava o governo de Alagoas por formar rápida e incipientemente mil policiais militares e colocá-los no combate à violência.

Segundo dita matéria, os novéis PMS, dado o curto período de aprimoramento, estariam despreparados e, via de consequência, seriam inúteis no combate aos bandidos que atormentam o Estado. A esse coro, lamentavelmente, sindicatos e sindicalistas aderem pressurosos, amalgamados em massa de manobra ávida por “tirar uma casquinha”. Afinal, o avizinhamento das eleições reabre possibilidades muitas a quem se dispuser submeter-se ao crivo popular.

 Ocorre que tal diário ultimamente, com a notória proximidade do pleito político-partidário, vem sendo contumaz nas cáusticas críticas ao governo alagoano, culpando-o da crescente violência que infelicita as famílias. Há alguma justeza nas críticas, claro. Todavia, o interesse eleitoral tem patrocinado exageros visíveis a olhares escrutinadores, aos quais é perfeitamente claro e inteligível que nenhum governante, em sã consciência, quererá omitir-se na prestação de segurança à população do seu Estado. Se ela, a violência, existe, cresce e persiste, certamente alguma razão muito séria há de haver, talvez até fundada em passados governos recentes.

O mal é que os críticos não examinam as raízes da questão e, ignorando-as, não descobrem ou apresentam soluções. Desse modo, as censuras tornam-se meras críticas pela crítica; ou melhor, crítica pelo voto próximo, o interesse eleitoreiro toldando as mentes interessadas no pleito que se avizinha, ao ponto de não perceberem a incongruência de criticar o governo também quando este aponta alguma solução. Deitam-no, então, na cama de Procusto, decepando-lhe as pernas, pois deverá ele, para o bem dos interessados opostos, permanecer no tamanho que pretendem, ou seja, imobilizado, inoperante, manietado à conveniência daqueles que certo político alagoano já alcunhara de “cassandras do apocalipse”.E viva o voto dos eleitores, esses tolos necessários que somos! 

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