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17 de Novembro de 2018

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Edição nº 751 / 2013

27/12/2013 - 11:10:00

Estou com muita raiva de voce!

José Arnaldo Lisboa Martins [email protected]

Estou danado com você, Papai Noel ! Estou com muita raiva de você, porque quando eu era criança, você deixava milhões delas sem receber nada, como presente de Natal. Eu tenho muitas lembranças, dos Natais, nos quais eu recebia muitos presentes dos meus pais, das tias e de outros parentes, às vezes ficando com os braços e as mãos, cheios com tantos brinquedos. Eu me lembro muito bem, Papai Noel, da minha casa enfeitada por mamãe, com motivos natalinos e das roupinhas novas que eu e minhas seis irmãs recebíamos, das costureiras. Eu me lembro dos perus recheados, dos bolos e das caixas de bombons.  

Ainda me lembro da felicidade de Papai e de Mamãe e das músicas alusivas ao Natal de Jesus. Eu me lembro do carrossel, da roda-gigante, da gangorra e das barracas com bolos, doces e pirulitos. Me lembro do dia em que Papai trouxe de Arcoverde, em Pernambuco, um pequeno guarda-chuva para mim, e que durante dias e mais dias, não apareceu uma gota de chuva, sequer, para eu inaugurar aquele presente. Cheguei até a chorar, por falta da chuva! Eu tenho tudo na mente, como se fosse hoje, Papai Noel.

Antes, os festejos natalinos eram realizados nas praças públicas, onde os parentes e amigos se cumprimentavam, durante as “missas do galo” ou em família, quando aconteciam as trocas de presentes. Não faltavam, o “champagne”, vinhos, cervejas e jantares com gostosos perus.

O Natal deixou em mim, as marcas das festas, dos presentes, dos namoricos, das roupinhas novas e das músicas repousantes que homenageavam o Menino Jesus.  Agora, Papai Noel, eu passei a ver e a sentir, uma realidade que, como criança eu não via e não sentia, pois, para mim tudo era festa, nos Natais, nos Carnavais, nas festas de São João e de São Pedro. Agora, eu passei a ver um mundo diferente e, até cruel, onde a fome humilha e mata, tanto as crianças como os adultos.

Eu estou vendo famintos pelas calçadas das cidades, nas choupanas, nos casebres e nos barracos de lonas. Eu recebo e dou presentes nos Natais, mas, eu sofro porque muitos não podem comprar, sequer, um carrinho ou uma boneca, daquelas de plástico, das mais baratas, vendidas pelos camelôs.

Por causa de tantas coisas assim, Papai Noel, eu passei a ter raiva de você, porque as crianças pobres, no Natal, não podem saborear, sequer, os ossinhos de peru ou se deliciar com os chocolates ou pirulitos que você pode comprar em pacotes ou em caixas.  Não é que eu queria, Papai Noel, que todas as crianças sejam presenteadas com lindos carrinhos ou bonecas que choram ou que sorriem. Bastava, que você incentivasse os Governantes a acabarem com a fome, sem a necessidade das tais “bolsa família”, impregnada de corrupção e de “necessitados de mentirinha”, protegidos por políticos que trocam votos.

Estamos numa dessas festas natalinas, nas quais você incentiva os Pais e Mães a darem aos seus filhos, caros presentes, expostos nas vitrines dos grandes “shooping”. Tudo bem, Papai Noel, mas, pelo amor do Menino Jesus, primeiro mate a fome das crianças deste Brasil, dando-lhes o maior e mais importante presente, pois, é o que elas preferem.Em tempo – Agradeço à senhora Myrtes Brandão Pita, por ser ela uma das conterrâneas de Mata Grande  que me incentivam

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