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26 de Setembro de 2018

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Edição nº 751 / 2013

27/12/2013 - 11:01:00

Jorge Oliveira

Não aposte na Dilma

Brasília - Os atuais números da Dilma não são garantia de reeleição. O que pesa nos bons índices da presidente ainda são as mais de 13 milhões de famílias que vivem do Bolsa Família. Quando se transforma isso em eleitor – pelo menos três por cada família – têm um peso expressivo favorável a presidente. A análise mais cuidadosa desses estudos derrete o favoritismo da candidata quando constata que quase 60% dos eleitores ainda estão indecisos, o que significa que os candidatos Aécio, Eduardo e a própria Dilma estão dividindo um universo de votos de apenas 40% do eleitorado.

É muito cedo, portanto, para o PT cantar de galo. O Lula, experiente em campanhas políticas, sabe disso muito bem. Para chegar à presidência da república, ele disputou três eleições. Pra chegar lá teve que disputar um segundo turno com José Serra e,  já no cargo,  amargou  nova disputa  com Geraldo Alkmin, até então um desconhecido no Brasil. Ao contrário de FHC que ganhou as duas eleições já no primeiro turno. 

Os números que aparecem nas pesquisas de vários institutos são meros instrumentos de amostragem do momento. A Dilma com 40%, Aécio com quase 20% e Eduardo Campos beirando os 10% não refletem o desejo da grande maioria dos eleitores do país. Mesmo assim, pode-se constatar, para desespero dos socialistas, que Marina Silva até o momento não acrescentou um votinho sequer à urna de Campos. Transferência de voto é coisa difícil quando não se tem ainda dinheiro nem estrutura de campanha.Dilma não ganhou a eleição com atransferência de votos pura e simplesmente.

Foi eleita principalmente porque Lula azeitou a máquina do governo, favorecendo-a. Transformou-a em Mãe do PAC quando o dinheiro era distribuído a rodo para prefeitos e governadores, a economia saltava aos olhos do primeiro mundo em crise; o fortalecimento de uma aliança que trouxe, entre outros partidos, o PMDB inteiro para dentro do PT; e a fragilidade do José Serra, um candidato paulista, que age como paulista e fala como paulista.

Ou seja: desconhece a linguagem do povão e a necessidade das regiões mais carentes do Brasil, como o Nordeste, por exemplo, onde se concentra até hoje o maior eleitorado do PT.No momento atual, a presidente não tem que azeitar a máquina para um sucessor. Vai lubrificar a sua própria campanha.

Correr atrás para juntar os partidos e tirar deles um bom tempo de televisão para viabilizar a sua campanha, engenharia difícil hoje. Ocorre, entretanto, que a sua inexperiência política em eleições pode levá-la a perder terreno para dois dos seus principais rivais: Aécio, cujo partido, o PSDB, governa São Paulo e Minas Gerais, os dois maiores colégios eleitorais; e Eduardo Campos, do PSB, que promete esvaziar o manancial de votos do PT no Nordeste, de onde ele oriunda. Pesa contra Dilma a sua falta de base política. Nasceu em Minas Gerais e morou a maior parte do tempo no Rio Grande do Sul.Nesses dois estados nunca se elegeu a coisa alguma, portanto não tem intimidade com esse eleitorado. Quis o destino quechegasse à presidência atropelando a escadinha política.

Ao contrário dos seus adversários, Dilma não tem o traquejo do político calejado, do abraço, do aperto de mão e da manha com o eleitor. Deve concentrar a campanha na televisão para superar todas as dificuldades como a de não ter uma marca  própria de governo, por exemplo, e viver à sombra de Lula. 

Programas

Ora, se os seus principais adversários também acertarem a mão nos programas de TV, a Dilma terá uma eleição difícilmesmo usando a máquina e a força do partido. E no segundo turno, já previsto, não se deve apostar um tostão na reeleição da presidente.Conspira ainda contra a presidente, segundo as pesquisas revelam,  o sentimento de mudança incorporado pelo povo para 2014. 


Recuperação

O adágio popular de que o “seguro morreu de velho” foi discutido exaustivamente pelos integrantes da Cooperativa Sonho de Liberdade,  formada por presidiários, quando o seu presidente decidiu empregar os mensaleiros da Papuda. O primeiro nome da pauta foi o de Delúbio Soares, logo descartado para a administração da cooperativa pelos os maus hábitos de lidar com dinheiro. 

Cautela

O veredicto para não convocar o ex-tesoureiro do PT foi do próprio presidente, depois de analisar com muito cuidado o perfil de Delúbio que chegara à Papuda por desviar dinheiro do partido e dos empresários que colaboraram com a campanha de Lula: - Pois bem, – pigarreou o presidente,  antes de proferir o veredicto –  como mostram os fatos, o ex-tesoureiro do PT não foi transparente na tesouraria do seu partido, portanto, não podemos alocá-lo em cargo administrativo com acesso às finanças da cooperativa. 

Aplausos

Os presidiários ouviram a opinião sensata do presidente da cooperativa e aplaudiram a decisão que certamente iria evitar danos aos cofres da administração se Delúbio fosse apresentado ao dinheiro da cooperativa. Assim, o ex-tesoureiro do PT ficou de fora da proposta da Sonho de Liberdade que o empregaria para que saísse de dia e voltasse para dormir à noite no presídio. 

Escolhidos

Dois outros nomes, porém, foram aprovados por unanimidade para atuar nos trabalhos da cooperativa, os de José Dirceu e José Genoíno. Com a lista dos futuros colaboradores, aprovados em assembleia, a diretoria da cooperativa apresentou-se ao STF para anunciar suas novas aquisições e a atividade de cada um. A José Dirceu, por exemplo, o mais poderoso e famoso dos presos, foi-lhe oferecido um salário de R$ 508,50 bem menos do que os R$ 20.000,00 que iria receber como gerente no Hotel Saint Peter, administrado por laranjas. Zé iria trabalhar durante oito horas na produção de artefatos de concreto, com direito a capacete, luvas e outros apetrechos de segurança. 

Bola

A dúvida da cooperativa era quanto as funções do outro Zé, o Genoíno. A assembleia decidiu que ao ex-guerrilheiro, ex-presidente do PT e ex-deputado caberia uma atividade moderada devido a sua fragilidade. Aprovou-se então que ele atuaria na fabricação de bolas de futebol com remuneração de R$ 5 por bola costurada, bem menos do que os R$ 26.000,00 que ele pleiteia de aposentadora na Câmara dos Deputados. - Genoíno – disse o presidente aos cooperados – vai exercer uma atividade nobre porque vai costurar as bolas dos nossos futuros craques. Esse é um momento histórico para nossa cooperativa e para o futebol brasileiro, quando o nosso país vira sede da Copa do Mundo.Arrancou, mais uma vez, aplausos da plateia. 

Decisão

Cabe agora ao presidente do STF, Joaquim Barbosa, aceitar a proposta da Cooperativa Sonho de Liberdade que pretende reeducar os dois mensaleiros, oferecendo-lhes um trabalho digno e uma vida honesta fora do presídio. Afinal de contas, o preso precisa de uma oportunidade como essa para um dia voltar ao seio da família e à sociedade como um homem livre e recuperado.

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