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José Mauricio Brêda
Opinião

José Mauricio Brêda

Por José Mauricio Brêda
OPINIÃO

Simplicidade dos astros

06/07/2020 15h03

O início dos anos 1970 lembra-me muita coisa. Indo buscar um empresário do Sul no Luxor Hotel, praia da Avenida, para jantar, e enquanto ele não descia do apartamento, fui até o balcão do bar e pedi uma bebida. Era início da noite, ambiente vazio, tinha um cidadão solitário sentado a uma mesa, parecendo-me conhecido. 

Perguntei ao barman se era quem pensava. Confirmou e disse ser uma pessoa simples. Não tive dúvida. Amante de sua música, fui até ele e batemos um grande papo. Era Martinho da Vila. Como estava perto da hora de seu show no Deodoro, disse que podia ficar à vontade para ir trocar de roupa. “Não visto nada especial para aparecer em público. Já estou pronto”. E deu aquela sua risada característica. Boa conversa que se nota em suas apresentações e entrevistas. 

Na mesma década, estava em Campina Grande com o CSA. Uma noite, na casa de um empresário local, apresentaram-me uma jovem e perguntaram se eu a estava reconhecendo. Como neguei, um amigo cantarolou: “Canta, canta passarinho, canta, canta miudinho”. Foi quando vi que era Elba Ramalho. Ainda novinha, estava procurando, com a dona da casa, camisolas antigas para se apresentar em shows. 

De outra feita, gostava de frequentar a AABB, ainda na Av. da Paz, quando um dos amigos lembrou que Djavan estava partindo naquela hora para o Rio de Janeiro. Levantou a ruma toda e partiu para o “bota-fora” na Rodoviária. Quase não tive contato com Djavan no seu tempo de Maceió. Gostava de ouvir e dançar ao som do conjunto LSD, no qual tocava e cantava. 

Mas, só isso. Um dia, de volta a Maceió, ele tem um encontro com amigos da época e tive a felicidade de participar. Ouvi, em determinado momento, Djavan referir-se a Guilherme Braga, hoje em outro plano, como patrão. Agora me veio à lembrança de ele ter trabalhado na distribuidora de revistas dos Braga. 

Para aclarar minha memória, ligo para meu colega de Diocesano e cunhado de Guilherme, Ricardo Peixoto. Confirmando o relacionamento patronal, contou-me que tem uma filha que mora em Atlanta, Estados Unidos, há vinte anos e ela foi para um show do Djavan. Quando acabou o espetáculo foi procurá-lo e disse que era sobrinha e afilhada de Guilherme Braga. No que o astro prontamente afirmou: “Meu patrão”.
Outro momento legal foi no Broma, em Bica da Pedra. 

Estava eu cantando à capela em pé no bar e encosta um sujeito bem forte e canta comigo. De calção de banho, mas consegui reconhecê-lo: era Sidney Magal. À noite, no aeroporto, batem no meu ombro e quando me viro, ouço: “Qual é a música?”. Era Magal inquirindo-me. Não basta ser astro, tem que ter simplicidade.

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