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José Mauricio Brêda
Opinião

José Mauricio Brêda

Por José Mauricio Brêda
OPINIÃO

A sopa do denis

04/05/2020 13h01

Crítico, quando preciso, basta ler “No tempo em que desembargadores andavam de bonde” - o título tudo exprime - é apaixonantemente envolvido pela Viçosa mais viçosa de todas que existem, quando a descreve. Paixão que ainda carrega e transmite. Quando de seu berço fala, sente-se um halo que contagia. Contaminei-me por, prazerosamente, encontrarmo-nos aos sábados para um bom papo, sempre na companhia de meu saudoso amigo e seu irmão, Dêvis Portela de Melo. 

Assim que “Do fundo da gaveta” chegou-me às mãos, senti enorme impulso de tecer meus modestos comentários. Livro lançado em fins de 2008, teve orelha e apresentação de Marcos Vasconcelos Filho e Aldo Rebelo, respectivamente, que dispensam apresentação, deixando ao escriba aqui, muito pouco. Mas Denis Portela de Melo envolve-nos de tal forma com o que tirou de sua gaveta, que não pude deixar de bedelhar. 

Nas tantas crônicas gostosas de sua vivência viçosense, nota-se o fulgurante papel que o município desempenhava na ainda pequena Alagoas de antão. O funcionamento de bancos, indústrias, tipografias da terra e muitos outros serviços, hoje inexistentes, são veementes testemunhos. Só para citar como exemplo, em 13 de outubro de 1931, comemorando os cem anos da Viçosa, foi editado o Álbum do Centenário, composto e impresso na “Typographia Viçosense”. A vocação para o cultivo da intelectualidade favoreceu a presença marcante no mundo das artes e letras, de há muito, até nossos dias. Neste belo livro, Denis traz tantos relatos interessantes que não se pode destacar algum, mas, como usei como mote, vou servir a sua “Sopa”.

O Bar Fênix funcionou do início da década de 1930 até fins dos anos 1980, passando por vários donos, desde Juca Toledo, seu fundador, até Wilson Silva. Do Bar do Wilson, como ficou conhecido, diz “recordar com saudade de suas deliciosas sopas, servidas a partir das 21 horas, para atrair aqueles que desfrutavam dos encantos da noite, como eu (em priscas eras, naturalmente)”. Se a sopa era uma delícia durante toda a semana, aos sábados, era de “estalar os beiços, um acepipe”, diz o escritor. Não chegava para ninguém. Porém, quando ele esteve pela última vez, antes da morte do proprietário, Denis referiu-se ao sabor incomparável de sua sopa, especialmente a do sábado. Ao que lhe disse Wilson: “Olha rapaz, a receita era simples: eu ia juntando o que sobrava da segunda, terça, quarta, quinta e sexta e misturava tudo no sábado”. 

De certa forma, assim fez meu amigo Denis; trouxe-nos “Do fundo da gaveta”, com recordações de várias épocas da sua amada Viçosa, juntou tudo e brindou-nos como uma deliciosa sopa. A sopa do Denis.

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