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Fátima Vasconcellos
Opinião

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Por Fátima Vasconcellos

Atropelando a imunização

Fátima Vasconcellos

19/03/2021 07h07

Temporada difícil essa em que predomina a ideologia do salve-se quem puder. Cada qual por si, dane-se a solidariedade e o senso de justiça. Cada um tenta ser vacinado antes do outro, a qualquer custo, sem aceitar o escalonamento determinado por norma mundial. Até os magistrados, que deveriam dar bom exemplo, estão entre os que vêm encorpando luta para acesso de forma diferenciada, sem aguardar a vez. Se a produção dos imunizantes ainda não é suficiente para todos, a prioridade de compra há de ser vedada para segmentos privados, é claro. O justo é vacinar a população conforme comprovado grau de risco de cada cidadão. Apenas esse critério e nada mais. Portanto, saibamos esperar.

Quem ficou fora do grupo prioritário, salvo exceção, apresenta quadro geral de saúde suficiente para chegar com êxito à reta final, desde que adote as medidas protetivas. Quem tiver mais idade, e complicação clínica, garante preferência independentemente da profissão e classe social. Não precisa 'furar a fila'. Qualquer artimanha para ser vacinado antes do previsto, no atual cenário de escassez da produção dos imunizantes, é inaceitável. A ordem é seguir as recomendações de segurança, e ser grato pela saúde que tem. Qualquer burburinho em sentido adverso soa como afronta – só falta dizer que a pressa pelas doses é para cair com segurança na aglomeração, assim, avesso à dor alheia.

Se a venda da vacina for liberada para segmentos privados, significa legitimar o extermínio dos que não podem comprar o produto. Seria justo? Outra observação: quem está recursando judicialmente o direito de aquisição dos imunizantes é exatamente quem está em home office, e pode desfrutar do isolamento social confortavelmente. Isso, em si, já é um privilégio. Vale exercitar a empatia e perceber as pessoas cujas atividades não podem ser feitas dentro do próprio domicílio. Semelhante aos integrantes de equipes de saúde, diversas outras categorias só conseguem desenvolver o trabalho fora de casa, e de forma presencial, sem ajuda de recurso tecnológico capaz de dar resolutividade à distância. 

Boa parte deles, aliás, é autônomo, tem baixa renda, e é obrigado a se arriscar na pandemia senão morre de fome. Já viu a rotina nos canteiros de obras? A labuta dos domésticos, dos rodoviários, trabalhadores dos transportes, enfim, de tantos outros pais e mães de famílias? Vários deles, por sinal, ficaram fora da prioridade de vacinação mas deveriam estar inseridos. Se você está do lado relativamente vantajoso, deve estender a mão para ajudar os menos favorecidos a saírem do perigo. 

Atropelar o cronograma da vacinação é dar rasteira em pessoas fragilizadas, piorando o que já está ruim. É, enfim, banalizar a possibilidade de criminalização do ato. Deveria sofrer dura pena. Que tal ocupar o último lugar da fila?

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