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Fátima Vasconcellos
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Por Fátima Vasconcellos
OPINIÃO

Custo por Km num busão

Fátima Vasconcellos

27/01/2021 11h11

Transporte público na berlinda
DivulgaçãoTransporte público na berlinda

A prefeitura não tem em mãos os números reais do serviço de transporte público. Perdeu a rédea faz tempo. Precisaria acompanhar o preço de todas as variáveis que compõem a planilha de custo, desde as despesas com os trabalhadores necessários botar cada ônibus nas ruas, até a manutenção do veículo, itens de reposição, combustível, impostos e tudo o mais. Além de ter ciência desse custo, precisaria ter também o valor arrecadado por cada viagem realizada, linha por linha.

Daí, dividindo a arrecadação pelo gasto, saberia de fato a rentabilidade do serviço, podendo definir tarifa justa. O problema é que o órgão gestor, SMTT, não detém esses números. Age com descaso. Ao invés de acompanhar, fiscalizar e elaborar os custos, pasme, recebe tudo pronto da contabilidade das próprias empresas. Como se diz: se você não assume seu papel alguém vai assumir, mas contra você. É verdade: basta ver o sofrimento dos que dependem do velho busão.

Nada funciona bem: a grade de programação de horários parece atender interesse dos empresários. Eles retiram linhas aleatoriamente, e impunemente, a qualquer dia e hora porque o que interessa é gerar economia à empresa. O povo passa horas e horas nos pontos, apesar do citamobbi informar horários de viagens que nunca são ofertadas (suspensas ao bel prazer). Na prática, essas viagens retiradas são fraudadas como válidas, ou seja, entram na planilha de custo das empresas. Omite-se a economia gerada irregularmente, mas a despesa é lançada automaticamente no sistema. Por essa e por outras é que a conta sempre fecha no vermelho. O empresário mostra alto custo, cobra que a prefeitura repasse a compensação, e o poder público, que não tem controle da situação, empurra com a barriga. 

As ‘coitadas’ das empresas operam no vermelho, enfrentam ‘prejuízo’ e a prefeitura caloteira nada faz. A briga tem sido nesse tom, mas nenhuma delas abre mão de operar em Maceió.

O município não trata com seriedade o sistema de transporte e trânsito. Ninguém sabe quanto a SMTT arrecada, quanto dispõe no fundo de transporte e onde aplica os recursos. Não leva a sério nem mesmo a câmara de compensação. Teoricamente seus membros são responsáveis pelo acompanhamento de todos os elementos variáveis da planilha de custo desse serviço público. Mas, reforçando, isso inexiste aqui. 

O Ministério Público diz que tem os números. Mas que números? Quem apurou os dados? A única entidade que tem informações da planilha de custo é a Associação das Empresas de Transporte (Transpal), que recebe o custo de cada empresa, linha por linha, tabula os dados e finalmente apresenta os gráficos do desempenho do sistema. Mas, frisando, é a versão dos empresários, não do setor público. Esse não tem nada a apresentar. Muitas vezes até copia o que recebe da Transpal e, desprovido de condição moral para confrontar alguma nada, acolhe como verdade absoluta. Portanto, cuidado com os números. Confira se são oficiais ou oficiosos.

Se daqui em diante a prefeitura fizer o dever de casa na área do transporte, podemos enfim saber com precisão o custo do serviço. Caso seja comprovado déficit em algumas linhas de ônibus é justo o poder público fazer compensação. Nada errado subsidiar um serviço que beneficia a população. O problema é subsidiar às cegas, sem saber a verdade. Concorda?

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