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Fátima Vasconcellos
Opinião

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Por Fátima Vasconcellos
OPINIÃO

Descaso em hospitais

Fátima Vasconcellos

26/04/2020 10h10 - Atualizado em 26/04/2020 10h10

Entre os profissionais da área da saúde as queixas sobre descaso dos gestores com a saúde deles só aumentam. E vêm não somente da rede pública, mas também dos hospitais particulares. É preocupante o índice crescente de afastamento dos profissionais da área por apresentarem sintomas suspeitos de corona vírus, sem falar nos casos já confirmados. O pior é que nem no momento de pico da pandemia os diretores melhoram as condições de trabalho. 

Basta dizer, por exemplo, que no espaço de descanso onde os técnicos de enfermagem viram os plantões noturnos, pasmem, nem colchonete tem. O descanso é no chão frio. Francamente, esse tipo de tratamento desumano é inadmissível mesmo fora da pandemia, imagine no auge dela alguém passar a noite num chão frio, tentando se proteger somente com um lençol. Resultado: está assolando uma gripe em todos que viram o plantão dessa maneira - a maioria evolui para o pior, e sai infectando os demais colegas em toda unidade hospitalar, afinal, surge um efeito dominó.

Nem num período como esse, a alta hierarquia dos hospitais abre mão da habitual indiferença com a saúde dos trabalhadores. Ou seja, o mau exemplo está nas dependências internas dos hospitais, onde a sociedade nem as autoridades sanitárias podem ver. Quem vivencia essa realidade sofre calado, com medo de sofrer ainda mais com as consequências de denunciar a crueldade. Também há um ceticismo em relação a punição dos gestores, e a correção do problema. Os chefes costumam dizer secamente que tem gente demais na fila, caso seja preciso substituir os que se ausentarem seja lá por qual motivo.

O clima sempre foi tenso nos hospitais, principalmente nos privados, mas ficou pior. Será preciso filmar flagrantes dos maus-tratos? Constituir provas e, assim finalmente pedir punição aos gestores? Eles agem assim e ainda ousam estampar certificados insinuando uma qualidade que só existe na ficção das estratégias de marketing. Que nos socorra o Ministério Público!!!Vale lembrar que o vírus veio justamente para mudarmos a maneira de tratar os outros. Proteger o próximo significa, por extensão, proteger a nós mesmos. Enquanto continuarem subestimando essa lição, fica difícil baixar a curva de aumento da doença.

Fazer vista grossa com o adoecimento dos trabalhadores, dizer que é fácil substituir quem morre ou adoece, convocar outros e outros para se submeterem as mesmas condições subumanas, fazer mil e uma artimanha sem mudar a origem do problema é de uma insensatez sem precedente. A rede pública também caminha nessa direção: insiste em manter os erros. Basta verificar a quantidade de trabalhadores precarizados, sem direito a nada. Quem morrer não gera nem pensão para os dependentes. 

Exigem assiduidade, pontualidade e tudo o mais que é exigido ao trabalhador de carteira assinada, mas sem a contrapartida dos direitos. Predomina no estado e na maioria dos municípios o vínculo informal, o contrato de boca. Há muito tempo deixaram de fazer concurso público. Quando muito, fazem processo seriado seletivo. Mas alheio a isso, tá todo mundo homenageando os heróis da saúde, mas longe de tratamento digno a eles. Assim não dá.

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