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Opinião

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Por Fátima Vasconcellos

Pagamos caro pela omissão de cada dia...

Fátima Vasconcellos

15/01/2020 11h11 - Atualizado em 15/01/2020 11h11

Dinheiro público é vendaval
DivulgaçãoDinheiro público é vendaval

Que a nossa legislação é cheia de brechas para a malandragem (ou seria melhor dizer, o crime?) todo mundo sabe, mas é graças a nossa omissão que os abusos acontecem. Silenciamos diante de muitos erros, como por exemplo, o da velha mania do governo em entregar a responsabilidade de políticas públicas a grupos privados. Por aqui as experiências, salvo exceções, têm sido desastrosas. 

Basta lembrar a situação da saúde, onde a terceirização abrange quase tudo, sem, no entanto, haver melhora na qualidade do atendimento - apenas um pequeno esforço para manter aparência superficialmente razoável. Na prática, houve aumento de desvio de recursos. Vimos isso recentemente, com a operação da Polícia Federal em hospitais do Estado. 

Alguns segmentos da sociedade (entidades da classe médica, notadamente) até tentaram 'frear' o crescimento da terceirização, advertindo sobre os perigos, mas não adiantou. Fato é que, na sombra do descaso com o assunto, os gestores expandiram cada vez mais o negócio. Hoje os hospitais públicos parecem 'feudos' – quase todas as especialidades são, em tese, ofertadas por 'empresas privadas'. 

Quer dizer, ao invés de fazer concurso para admitir os profissionais, o governo exige um CNPJ como condição para quem quiser suprir as carências. Além disso, claro, o interessado tem que fazer parte do grupo de afeto dos gestores. Resultado? A resposta certamente se assemelha ao que está nos relatórios da PF mostrando os desvios de recursos no setor de ortopedia do HGE. 

Só aí foram mais de R$ 30 milhões, mas estrago pode ser maior, afinal, a terceirização atinge quase todas as especialidades dentro dos hospitais. Quem são os verdadeiros beneficiados com a terceirização da medicina na rede pública? Enquanto eles, os beneficiados, estão muito bem, a saúde do cidadão comum, a nossa, corre risco de morte. Pagamos caro pela omissão. 

Propositadamente os gestores deixam acabar tudo nas unidades de atendimento. Primeiro vem a escassez - falta desde material de consumo até mão de obra especializada. Quando o sucateamento vira alvo de críticas na mídia, o governo aparece como super-herói: decreta calamidade para justificar soluções emergenciais, assim, fica dispensada a necessidade de licitação e de concurso. Graças a essa manobra, surgem as quadrilhas que lesam o erário, enriquecem facilmente, e na maioria das vezes nunca ocorre, de fato, punição. 

Nada garante que haveria menor incidência de desvios se as vagas fossem ocupadas por meio de concurso, sem terceirização, mas seria mais difícil infiltrar capachos de gestores. No modelo atual tem muita gente colocada em cargos estratégicos justamente para formar quadrilhas. Enfim, num país de tradição corrupta, entregar a administração de serviço público a grupos privados é no mínimo uma irresponsabilidade. Insistir nisso configura opção intencionada ao crime. 

Aliás, se a PF realizar novas investidas ainda vai descobrir dezenas de outras fraudes e grupos criminosos alimentados pelo governo. Melhor do que ver os bandidos na cadeia, é adotarmos atitudes assertivas para vetar as brechas que dão origem ao problema. Exigir seriedade no serviço público pode ser um bom começo.

Deferência Extra 

Wellington José Leite da Silva, 17 anos, que começou a carreira como autodidata, inclusive estudando sob a fresta de luz do poste em frente a sua casa, é lição para muitos. Após dois títulos de campeão em olimpíadas nacionais de matemática, agora é bolsista da FGV. Saiu da periferia de Alagoas para um centro acadêmico no RJ. Esta apenas começando sua guinada social. Exemplo de como a educação pode elevar: o céu é o limite.

Yohansson Nascimento, referência do atletismo paralímpico brasileiro, também é exemplo de superação, e orgulha todos os alagoanos com sua força na busca contínua pelo seu melhor desempenho. São sucessivas vitórias, e mais de 10 medalhas em campeonatos mundiais. A melhor marca foi nos 100m com o tempo de 10"69, quando garantiu a vaga para Tokyo. A mais recente conquista, medalha de bronze, tem peso de ouro na coleção, dada sua relevância no mundo do esporte. Parabéns!

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