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Por Elias Fragoso
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No Nordeste, de cada 10 que entra numa UTI de covid, 1,7 sai vivo

Elias Fragoso

21/03/2021 11h11

Alagoas: 36,8% dos pacientes em UTIs por covid-19 têm até 59 anos
CNNAlagoas: 36,8% dos pacientes em UTIs por covid-19 têm até 59 anos

Se você contrair a COVID-19 no Brasil e precisar ser entubado (isto, se houver vaga e você não falecer antes na fila de espera), não sorria. As suas chances de sobreviver ainda assim permanecem mínimas se você estiver no Nordeste: de cada 10 pacientes entubados, morrem 8,3. E se for no Norte, pior ainda: vão a óbito 8,7 em cada dez pessoas que foram entubadas.

E ainda assim, o caminho para a (quase certa) morte é íngreme, difícil. Primeiro, as pessoas fazem um brutal esforço para conseguir uma vaga em qualquer hospital público totalmente lotado, e sem condições mínimas para atendimento civilizado a elas, que chegam aos borbotões. Depois, se piorar, entra na lista de espera para ir à UTI e, se conseguir chegar até lá e o quadro se agravar mais, aguardar uma vaga para ser entubado.

A partir daí (no Nordeste) é torcer para ser um dos 1,6 que vão entrar na UTI e sair de lá vivo e rezar para não estar entre os 8,4 que irão a óbito. Um número extravagante, tétrico. No Brasil como um todo, a coisa vai ao mesmo diapasão, morrem 8 pessoas, sobrevivem, 2.

Frise-se que a média mundial de mortes de intubados com COVID em UTI é de 50%, uma taxa quase 40% menor que a brasileira. Na Europa cuja taxa é de 35%, de cada 10 pessoas que são entubadas, sobrevivem 6,5 pessoas, basicamente as mesmas taxas de alguns, raros hospitais de ponta brasileiros.

O que demonstra o quão muitíssimos distantes estão os demais quase 6 mil hospitais brasileiros estão distantes de oferecer serviços de melhor qualidade. Pelas razões já expostas aqui e por outras que não cabem no tema. Chocante, mas real.

As informações vem de pesquisa sobre mortalidade de pacientes de covid-19, publicada na revista médica The Lancet Respiratory Medicine com doentes intubados no Brasil entre 16 de fevereiro e 15 de agosto de 2020. Para isso, foram analisadas 254.000 mil internações.

Mas o pior vem agora. Segundo a mesma pesquisa, os dados preliminares do estudo relativos ao segundo semestre de 2020 mostram que a toada vai piorar ainda mais este ano. Por uma série de razões que, para não nos alongarmos vamos listar superficialmente.

*Neste ano de pandemia, mesmo havendo significativa evolução no conhecimento de técnicas para melhorar a qualidade do atendimento aos pacientes, elas não têm chegado à ponta, ao grosso dos hospitais, aos mais simples e desestruturados (a grande maioria), seja:

*Pela falta de um Protocolo Nacional e de coordenação central para gerenciar o repasse dos conhecimentos adquiridos de forma parametrizada a todo o Sistema;

*Pelo grande número de profissionais requisitados às pressas para atuar em UTI sem o devido treinamento (médicos levam mais de 4 anos após suas formaturas);

*Pela absoluta falta de tempo dos profissionais para se dedicarem ao estudo e treinamento dos avanços técnicos para pacientes de COVID-19;

*Pela deficiência estrutural da rede hospitalar do SUS, sempre superlotada, faltando quase tudo em termos de suporte, recursos humanos, materiais básicos, até;

*Pela demora em intubar pacientes graves por conta das causas aqui relatadas;

*Pelo tempo perdido com discussões sobre medicamentos que não funcionam para o combate ao vírus, e a não disseminação de informações sobre tratamento realmente eficazes tipo uso de esteroides, técnicas de identificação respiratória, posição Prona...

Os números do estudo realizado por Razani e Bozza mostram que mesmo mínimas, as chances de um paciente grave escapar com vida de uma UTI são muito superiores às daquelas em estado grave que estão apenas com ventilação mecânica atendidos em enfermaria e corredores. Pense!

Um hospital nos dias atuais tornou-se um circo de horrores. Um local de matança generalizada para quem tiver a desventura de ver seu quadro de COVID agravado. Um açougue. Regredimos ao século XVIII. De lá só sai quem tiver apenas uma “gripezinha”, como diz o Caveirão-Presidente ou uns poucos sortudos, 13% para sermos exatos, se o cara estiver no Nordeste.

E com o aumento de UTIS (com gente totalmente despreparada para ali atuarem e agora até sem medicações básicas para o trabalho) a tendência é que o abate aumente.

Até onde a barbárie vai continuar prevalecendo? Até quando governadores, prefeitos, Supremo, Congresso vão empurrar de barriga as medidas reais de contenção que são os lockdown totais e a compra de vacinas para evitar que esse governo incompetente liderado por um facínora continua a matar o povo brasileiro?

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do EXTRA

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