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Por Elias Fragoso
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ESTELIONATO ELEITORAL. MAIS UM?

24/11/2020 06h06 - Atualizado em 24/11/2020 06h06

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Agência BrasilUrna eletrônica

Maceió, (apenas para ficar em um dos seus índices calamitosos) ocupa o 3.272º lugar no ranking de competitividade das cidades do país (DATAFOLHA/2019), ou seja, o empresário que pensa em investir tem 3.271 razões para fazê-lo fora daqui, levando o caso ao pé da letra.

Nesta eleição, de novo, está se perdendo mais uma excelente oportunidade para se discutir os gravíssimos problemas que se abatem sobre a cidade. Como, por exemplo, o que fazer em relação à quebradeira da prefeitura que não tem grana sequer para sua manutenção; Ou porque a cidade tem um Plano Diretor defasado, de baixa qualidade técnica e eivado de “apêndices” em benefício de certos lobbies; Ou por que não há uma proposta global adequada para os graves problemas da parte alta da cidade? Como mudar o comportamento passivo, vassalo e incompetente em relação à Braskem...

Os dois candidatos a prefeito seguem alopradamente concorrendo para ver quem dá mais esmolas e quem menos propõe soluções concretas e de qualidade para a cidade, preferem uma dancinha mixuruca, ou beijar a cabeça da velhinha, na linha do pão e circo, seguindo o script da ladainha de engana bobo, pobres e miseráveis de seus marqueteiros para arrancar-lhes o voto esperançoso do cumprimento de suas promessas vãs.

No fundo, parece que a coisa é outra: é preciso assegurar a sobrevivência do status quo dos mandantes de sempre e de suas claques de puxa sacos inoperantes, nem que para isso seja necessário continuar o processo de pauperização da população (renda média de ½ salário mínimo) e a inação incompetente que impede ações transformadoras capazes de redirecionar o processo de atraso e empobrecimento constante da cidade, para outro viés, mais positivo.

Candidatos e marqueteiros estão jogando na lixeira do esquecimento questões que deveriam ter sido discutidas e aprofundadas nessa campanha. Como por exemplo:


O ETERNO DESCASO COM O TURISMO

Maceió possui um dos maiores potenciais turísticos do mundo, mas, nunca foi prioridade para o governo municipal (a rigor, a última grande intervenção da prefeitura urbana no setor se deu com a distante urbanização da orla de Maceió. E lá se vão 4 décadas; as praias poluídas que espantam turistas e adoece alagoanos, não nos deixa mentir quanto a isso) e, ao que parece, nem para os atuais candidatos. Um dos maiores geradores de emprego e renda do munícipio, o setor, à exceção de frases feitas dos candidatos foi miseravelmente relegado à segundo plano.

A VASSALAGEM DOS POLÍTICOS E A IMPUNIDADE DA BRASKEM

A “morte” do Pinheiro, Bebedouro, Mutange, Bom Parto e agora a ameaça à lagoa Mundaú pela Braskem, é subproduto da incúria administrativa e da corrupção política. Não é a toa que os candidatos tergiversam sobre o tema. Prometem rigor com a empresa (sic), mas se escondem sobre punições reais e a proibição da volta da operação da empresa no Pontal (que também é alçada da prefeitura) uma ameaça a meio milhão de pessoas no caso de acidente grave na indústria.

O DESCASO COM A PARTE ALTA DA CIDADE

Na parte alta moram e trabalham 70% da população de Maceió. O descaso do poder público com a região sempre foi a tônica. E os atuais candidatos seguem a mesma toada: Cadê propostas estruturantes? Quais as propostas estratégicas para o futuro da região que mais cresce numa cidade estagnada? Por que esse descaso?

MIL E UMA PROMESSAS, ZERO CONDIÇÕES DE SEREM CUMPRIDAS.

A Prefeitura, o Estado e o País quebrados, e os candidatos prometendo mundos e fundos aos incautos. Todos insinuam “buscar dinheiro no governo federal” (só não dizem como) (sic). Especialmente quando se sabe que um deles é do PSB, partido de oposição no governo federal e o outro se ampara no governo do Estado que também vive as turras com Bolsonaro, sequer participando das “inaugurações” fajutas de obras que o presidente andou fazendo por aqui. Chega de desrespeito à inteligência alheia. Chega de desrespeito a Maceió.

POUCAS VIAS, TRÂNSITO CAÓTICO

Maceió sufoca, anseia por saídas. Cadê propostas para melhorar o trânsito? Por que não se duplica a Av. Menino Marcelo? Cadê o VLP Centro-Rio Largo? Cadê novas vias ligando a parte alta e a parte baixa da cidade? Cadê o plano diretor viário? O silêncio, nesse caso é a pior resposta. Significa nada será feito.

O APODERAMENTO DO PLANO DIRETOR POR LOBBIES INTERDITA O FUTURO DA CIDADE.

O plano Diretor da cidade está “vencido” e sua “atualização” vem sendo patrocinada de forma opaca por lobbies diversos. Nenhum candidato ousou dizer que vai brecar essa imoralidade contra a cidade e fazer o certo, um planejamento urbano sério, técnico e voltado para atender as demandas, presente e futura, de Maceió elaborado por consultorias especializadas já que a prefeitura – embora lotada de apaniguados - não conta com especialistas para isso, nem para nada. É um deserto de competências.

SEM VERDE, SEM PRAÇAS, SEM PARQUES, SEM LAZER, UMA CIDADE CINZA.
Longe da feérica e linda orla, Maceió é das capitais menos arborizadas do país; com praças abandonadas, invadidas e dezenas sequer iniciadas; dois “quase” parques que não atendem a demanda da população, sem outros espaços de lazer. Coisas simples, úteis, baratas de fazer e manter, que os candidatos passam ao largo. Por quê?!

ESTELIONATO ELEITORAL

A penúria financeira da prefeitura é tão grande que não tem grana sequer para pagar seus funcionários, apropriando-se irregularmente de milhões ao fundo de previdência dos funcionários para tal. Pior, a partir de 2022 terá que começar a resgatar dívida em torno de 140 milhões de reais recém-assumida pela atual gestão (contra parecer do Tesouro Nacional que classifica a situação financeira do Município como uma das piores do país).

Enfrentar nos próximos 3 anos os graves problemas decorrentes da crise brasileira que irão “explodir” numa cidade com 25% de desempregados e outros 35% sem qualquer perspectiva futura e, sem perspectivas econômicas para sequer minimizar o problema, não é trivial.

Mas nenhum dos candidatos explica essa realidade. De como sairão dessa, e menos ainda, como cumprirão suas tão desarrazoadas promessas diante de uma situação calamitosa com a que se aproxima.

Cadê propostas de ajustes e moralização da administração? De redução das despesas? De demissão de centenas de apaniguados? De onde vão tirar a grana para as promessas capciosas? Como defender a economia local da crise tsunâmica que se anuncia?

Esconder questões de tal magnitude da população tem nome: estelionato eleitoral.

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