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Por Elias Fragoso
economia

A oportunidade que o Brasil está perdendo na reforma do Fundeb

Elias Fragoso

26/07/2020 10h10

Reforma do Fundeb gerou críticas
DivulgaçãoReforma do Fundeb gerou críticas

O economista e colunista do EXTRA, Elias Fragoso, dá seu ponto de vista sobre a reforma do Fundeb, que ocorreu na semana passada. A pauta foi analisada e aprovada pela Câmara dos Deputados, em Brasília. 

"A classe política não quer bater de frente com o lobby da educação nem com os sindicatos esquerdistas que dominam o setor, que por sua vez não aceitam (sic) que gestores e docentes sejam avaliados", destacou.

Confira na íntegra

A oportunidade que o Brasil está perdendo na reforma do Fundeb

Qualquer profissional sabe muito bem que o segredo do sucesso da resolução de um problema reside na realização de um diagnóstico realista da questão a ser enfrentada. Qualquer alternativa diferente disso, leva ao caminho da especulação, do achismo ou pior, do erro.

Na educação brasileira, nossos “especialistas” se “especializaram” em errar sempre o diagnóstico indicando N causas para o problema da baixíssima qualidade do nosso sistema público de ensino enfatizando sempre – e com ênfase – os problemas estruturais da escola, sua rara inserção digital, o modelo de ensino conteudista, a falta de recursos para o setor, a baixa qualidade do livro didático e - bem superficial e rapidinho já que o setor faz parte do conluio que aí está – da baixa qualidade dos cursos de formação e especialização de docentes e gestores.

Mas tem algo em que eles de fato se “especializaram” ainda mais: em apontar o dedo indicador para o aluno, a família e o meio onde vive, para culpá-los pelo fracasso que eles, “especialistas” jamais irão reconhecer ser deles, dos gestores da educação, em regra gente totalmente despreparada para a função, e dos docentes na quase totalidade desequipados dos requisitos mínimos de conhecimento, cultura, informação, qualidade técnico-pedagógica e até comprometimento para o exercício da profissão. 

Mas esse é um debate interditado nesse país. A classe política não quer bater de frente com o lobby da educação nem com os sindicatos esquerdistas que dominam o setor, que por sua vez não aceitam (sic) que gestores e docentes sejam avaliados. E aí temos o pior dos mundos: sem medir a qualidade do docente e do gestor como propor mudanças para melhor? Na base da achologia como fazem hoje? Se nossos representantes não assumem a liderança das mudanças, quem o fará? 

Enquanto persistir esse estado de coisas, o fosso da educação brasileira rumo à qualidade somente se aprofundará. Fácil de resolver? Não. Mas possível, com vontade política (que não há), com gente qualificada que não compactua com as inumeráveis “igrejinhas” que se estabeleceram em torno da Educação (e que está alijada do processo decisório do setor) e, sem mirabolantes planos salvacionistas de curto prazo. 

Aqui estamos falando de pelo menos duas décadas para se completar as mudanças e trazer a educação para o rumo certo. É um processo de pequenas vitórias para, ao final, se obter um grande resultado. Possível, factível, concreto e de respostas muito positivas para todos.

Tudo isso aqui é para que se entenda o tamanho da chance que estamos tendo (e desperdiçando) com o “novo FUNDEB”. O país está prestes a sofrer mais um golpe. A questão principal da educação brasileira no momento não é de dinheiro. Ele existe e está sendo profundamente malversado seja por incompetência ou corrupção. Portanto, antes de novos aportes é preciso tapar os ralos por onde escorre a bolada do setor.

Em segundo lugar, estamos deixando passar aquela que pode ser a melhor oportunidade para dar um freio de arrumação na verdadeira “casa de Noca” que é a educação brasileira e começar a impor limites qualitativos de verdade para o setor como um todo, com atenção especial para gestores e docentes.

Em terceiro e último lugar, a destinação de recursos novos para o FUNDEB deveria estar atrelada apenas e exclusivamente para investimentos na infraestrutura educacional e para premiar via remuneração apenas aqueles docentes e gestores de melhor desempenho (que obtivessem, por exemplo nota superior a 8 nas avaliações).

Sequer me atrevo a propor o desligamento dos mais fracos. O que precisa ser pensado. Com educação não se brinca. E sala de aula não é lugar de incompetentes e despreparados. Ah, sim! Antes que os “especialistas” e o lobby da educação fique achando que vai “dominar” as avaliações. Eles seriam contratadas pelo governo federal junto à empresas privadas como FGV, INSPER e outros e executadas de forma autônoma para não haver o perigo de serem contaminadas pela podridão que campeia no setor. 

Roberto Solow, Prêmio Nobel de Economia de 1987, em artigo “A contribuição para a teoria do crescimento econômico” nos brinda com uma análise primorosa que correlaciona crescimento da população, poupança (capital) e inovação tecnológica como pontos centrais para o desenvolvimento de um país.

O que nos leva a concluir que a educação é um dos pilares principais para o crescimento econômico. Pessoas com acesso a uma boa educação são a principal fonte de ideias e das inovações tecnológicas. Daí não é muito difícil de associar por que temos tanta dificuldade em alçar voos mais altos e sustentáveis para o Brasil.

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