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Por Elias Fragoso
ANÁLISE

Os números da covid-19 precisam chocar o Brasil

Elias Fragoso

12/07/2020 08h08 - Atualizado em 12/07/2020 09h09

Covid-19 continua causando vítimas no país
DivulgaçãoCovid-19 continua causando vítimas no país

O economista e colunista do EXTRA Elias Fragoso faz uma reflexão: apesar das 70 mil mortes pela covid-19, o brasileiro ainda não se choca com a pandemia. 

"Daqui a exatamente 12 dias, o coronavírus vai matar em quatro meses mais que a soma de todas as mortes no trânsito e todas as mortes violentas registradas no Brasil ao longo de todo o ano 2019", destacou.

Confira o artigo na íntegra

Os números da covid-19 precisam chocar o Brasil

A crise da covid-19 no Brasil já supera os 70 mil mortos e caminha célere para até inicio de agosto alcançar a medonha marca de 100.000 pessoas falecidas no brevíssimo tempo de 4 ½ meses. Pior, estacionada num platô com média extremamente alta de óbitos de 1.000 a cada dia, aproximadamente, não se divisa no futuro recente, redução daqueles números.

São números extremamente altos, profundamente preocupantes. Uma catástrofe humanitária sem precedentes. Mesmo para o padrão brasileiro “acostumado” à carnificina no trânsito que mata anualmente cerca de 40 mil pessoas, ou aos crimes violentos que levam a vida de 42 mil pessoas. 

Pois bem, daqui a exatamente 12 dias, a covid-19 vai matar em 4 meses mais que a soma de todas as mortes no trânsito e todas as mortes violentas registradas no Brasil ao longo de todo o ano 2019! E, seguirá matando.
Em mais ou menos 27 dias o país vai superar a todas as mortes por causas cérebro vasculares (infarto, derrame, AVC, etc.) a terceira maior causa de óbitos que registrou 99,9 mil casos em todo o ano passado.

A covid-19 nesse pouco tempo entre nós já matou mais gente que a dengue, a chinkungunya, febre amarela, leptospirose, hanseníase, cólera, peste bubônica, malária, mataram em um ano. Matou o equivalente a 10 anos de óbitos por tuberculose, uma praga que ainda nos assola nos fundões e nas grotões desse país. E isso é inaceitável. 

Quando se fala em números, parece que o brasileiro está meio anestesiado com o que está acontecendo no país, dado o enorme desmando que se tornou a gestão da pior crise sanitária dos últimos 100 anos pelos governos federal, estaduais e municipais e que está nos levando a liderar mundialmente o ranking de pior gestão da epidemia no mundo. Vamos tentar mostrar esses números de forma diferente. Comparando-os ao número de municípios que possuem população total na faixa de 7 mil habitantes, que é exatamente a média de mortes semanais provocadas pela  covid-19. 

Se, mal comparando, tomássemos Alagoas como exemplo, nos próximos 4 meses ou 16 semanas, se nada for feito para reduzir o platô onde o pico da epidemia se assentou no Brasil, seria como se toda a população das cidades de Chã Preta, Sta. Luzia do Norte, Campestre, Jacuípe, São Brás, Campestre, Belo Monte, Roteiro, Tanque D’arca, Coqueiro Seco, Jaramataia, Minador do Negrão, Jacaré dos Homens, Olho D’agua Grande, Palestina, Feliz Deserto, Belém, Jundiá, Mar Vermelho, Pindoba e Bragança Alagoana, viessem a óbito pela covid.

São dados reais da tragédia que o brasileiro está vivenciando.

O Especial Coronavírus do jornal O Estado de São Paulo do dia 20.06 enfatizou outro ângulo da mesma questão “ No Brasil, se somarmos os mortos de 17 tragédias emblemáticas ocorridas em nosso pais, não chegaríamos nem perto do que a covid-19 matou. Juntas, elas vitimaram 3.537 pessoas. A conta reúne os mortos soterrados com os rompimentos de barragens em Brumadinho (2019) e Mariana (2015); os de quatro acidentes aéreos – dois da TAM em Congonhas (1996 e 2007), da Gol (na Serra do Cachimbo, em 2006) e do time da Chapecoense (na Colômbia, em 2016); três deslizamentos e enchentes, no Rio (2011), em Caraguatatuba (1967) e Santa Catarina (2008); e os desabamentos, incêndios e explosões dos edifícios Joelma (1974) e Andraus (1972), da Boate Kiss (2014), do Gran Circus (1961), da Vila Socó, em Cubatão (1984) e do Plaza Shopping (1996); do naufrágio do Bateau Mouche (1989) e no massacre do Carandiru (1992)”.

Os dados estão aí para desnudar o que não se está fazendo para minorar a gravidade do problema. A falta de uma politica consistente de coordenação do governo federal que preferiu se omitir (ganhou o apelido de avestruz nos meios médicos mundiais) e defender bandeiras que nos ridicularizam mundo afora como essa questão da cloroquina, só serve mesmo para servirmos de chacota no mundo.

Não se pode esquecer que nesse meio tempo, vários governadores, secretários de saúde e pessoas dos staffs dos mesmos estão sendo acusados pela PF de desvios que ultrapassam a casa dos 2 bilhões de reais e dois deles, governadores, estão respondendo a processos de impeachment.

Se este país fosse minimamente sério – e não é – certamente o presidente da república, seus não ministros da saúde e entourage e, a maior parte dos governadores e prefeitos teriam que responder por esta esculhambação que virou a gestão da crise da covid-19 no Brasil.

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