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Por Elias Fragoso
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Hora de mudar o rumo da conversa

Elias Fragoso

26/06/2020 09h09

No artigo anterior, questionamos 3 momentos em que, se o Brasil tivesse escolhido o caminho certo, a conversa agora seria outra bem diferente da mesma lengalenga de sempre, ”somos o país do futuro”, “O Brasil é a 9% (já fomos 7ª) maior economia do mundo” e a pior de todas “Deus é brasileiro”. Sacanagem com Ele.
Dizíamos que no século passado o país optou pelo agrarismo enquanto os EUA pela industrialização. Éramos economias concorrentes à época. Hoje... 

Já na década de 1980, Brasil, China e Coréia do Sul que tinham exportações em torno 20 bilhões de dólares competiam entre si no mercado global. hoje, a China exporta o equivalente a um PIB brasileiro, a Coréia do Sul, 1/5 e nós, o equivalente a 7,6% do que produzimos... 

Quanto à educação, o terceiro tripé que elencamos como centrais na nossa parada obrigatória rumo ao subdesenvolvimento tivemos a oportunidade nos dias 17, 18 e 19 deste mês de publicar no Extra Online uma análise sobre o tema, se alguém se interessar.

Esses dados, concretos, deixam transparecer a “qualidade” da nossa elite politico-judiciária e da empresarial chapa branca: a férrea manutenção do acordo não escrito em que eles se locupletam do Brasil e o brasileiro paga a conta. É isso a razão verdadeira para o brasileiro viver remando contra a maré. Sem remos, com as mãos mesmo. 

Este país precisa dar um choque de modernidade para sair da marcha ré em que está metido há séculos e engatar uma primeira rumo a senda do crescimento, do desenvolvimento. As ferramentas para isso estão à mão e o que falta é vontade de fazê-las acontecer. 

Começemos pela – a meu ver – mais importante e de maior rapidez de alcance: A abertura comercial do país. Somente essa medida tem o condão de impactar o PIB nacional em 8% entre o curto e médio prazo!
E por que isso não acontece? Porque a vanguarda do atraso empresarial brasileira chapa branca não deixa (aliás, já se “acomodaram” junto ao ministro Guedes, que não mais fala em acabar com a boquinha em que esses caras mamam desde Getúlio Vargas, com o fito único de impedir a livre concorrência).

Só para lembrar: somos, dentre as grandes economias do mundo, a mais fechada. Embora sejamos a 9ª maior, estamos de fora da OCDE justamente por sermos “fechados” ao comércio internacional. 

E essas “Altas barreiras comerciais impedem que o Brasil aproveite os diversos benefícios de uma economia global cada vez mais integrada. Tanto consumidores quanto empresas estão pagando preços bem mais altos do que em outros países” afirma a OCDE.

Uma maior exposição internacional ajudaria a tirar empresas pouco competitivas do mercado (e é disso que os “chapas brancas” morrem de medo), direcionando recursos para as mais competitivas, deixaria o Brasil mais próximo da fronteira tecnológica, além de abrir mais mercados aos produtos brasileiros no exterior.

Outra medida deste “programa de desenvolvimento” sem dúvida é a reforma tributária que tem o condão de elevar o PIB brasileiro (de forma direta e indireta) em 33% em 15 anos, segundo estudo do economista Bráulio Borges da consultoria LCA para o Centro de cidadania fiscal. Notem bem, estamos falando que, bem feita, a reforma aumentará em 1/3 o PIB da 9ª maio economia do mundo. O que também serve para mostrar o quão ruim é o nosso atual sistema tributário.

Outra medida seria reduzir (olha que não estou falando nem em eliminar) as barreiras ao empreendedorismo neste país. Sabe qual o impacto disso no PIB? 5%! Sairíamos do ridículo e altamente constrangedor 123º (dentre 190 países) no ranking Doing Business do Banco Mundial. Querem exemplo da vanguarda atrasada dessa área? Duas.

Somos um dos últimos colocados na liberação de licenciamento ambiental para uma empresa poder operar (quem já sofreu o martírio que é isso, sabe bem do que estou falando). Mas também somos um dos “reis” globais de proteção à ineficiência governamental. Alguém aí já ouviu falar de corte (de verdade) dos custos do governo, ou de simplificação efetiva de impostos?

Redução da corrupção é o quarto item do “programa de desenvolvimento” que estamos elencando. Reduzi-la pode levar a um impacto de 3% a 5% sobre o PIB nacional. O quinto é melhorar a eficácia da máquina governamental levando a ganhos no PIB da ordem de 2%. Acredito que não é necessário comentar isso. Basta ir a uma repartição pública prá vê.

E o sexto, estudo do economista Erik Hanuscheck da Universidade de Stanford realizado com 80 países chegou a conclusão que 75% do PIB de uma nação é gerado por uma boa educação. E o matemático brasileiro Marcelo Viana estima que uma boa melhora na qualidade da educação pode gerar 10% de aumento do PIB do país.

Como se observa, com a intervenção focada em apenas 6 segmentos, este país poderá no médio prazo alçar um voo em termo de crescimento do PIB da ordem de 63% em relação ao PIB atual. E isso não somente seria fantástico, como é passível de ser feito. É claro, como diria Drummond, no meio do caminho tem uma pedra...
No artigo anterior avisei que a volta completa de um transatlântico demora. Com um país também é assim. Mas se não começarmos a mover a direção no sentido certo, não vamos chegar bem nunca.

Esse momento que estamos próximos a vivenciar da saída da epidemia é um momento rico, impar, para se tomar decisões estratégicas sobre este país. Oportunidades como essa são poucas. Em quase 50 anos de profissão vi isso uma única vez.

A questão que fica é: seremos capazes disso? Nossa cidadania está afiada para cobrar dos nossos “representantes” essa virada? Essas pessoas que estão aí dirigindo o país estão cientes e sensíveis sobre a temática?

Pago pra ver.

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