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Por Elias Fragoso
OPINIÃO

Por que nunca demos certo?

Elias Fragoso

25/06/2020 14h02

Pode dar certo um país que começa sua história com um bando de bandidos portugueses degredados vindo para cá para “limpar” Portugal de suas presenças, ou que viu morrer de forma gratuita e criminosa pelos portugueses, principalmente, 95% dos seus nativos, ou que até finais do século XIX era o maior repositório do escravagismo mundial, ou que detém uma das elites mais predatórias do planeta, ou uma burocracia e uma plutocracia que é das mais atrasadas e corruptas do mundo?

Essa é a pergunta que estudiosos de todas as correntes tentam – e não consegue, a meu ver – responder satisfatoriamente. Não vamos aqui adentrar por essa seara. Tem muita gente boa e estudos interessantes sobre as várias facetas desta equação inacabada chamada Brasil.

Quero me ater apenas em 3 pontos que terminam por perpassar por essa nossa péssima herança e a alimentar o sentimento de vira lata que persegue este país.  Teria sido essa a razão de errarmos no final do século XIX em não industrializar o país optando por uma sociedade agrária retrógrada que barrou nosso crescimento e viram os EUA (cuja economia era pouco maior que a brasileira) se distanciarem mais e mais, e se tornarem a maior potencial mundial, com um PIB que hoje é 10 vezes maior que o do Brasil?

Aquela conjunção hereditária nos fez errar a mão novamente quando nas décadas entre 1950 e 1980 éramos uma das nações que mais cresciam no mundo e optamos em investir no mercado interno, enquanto países como China e Coréia do Sul se estruturam de olho no mercado externo? 

Em 1980, os três países Brasil, China e Coréia do Sul exportavam cerca de 20 bilhões de dólares. Atualmente a China exporta mais de 2 trilhões de dólares (mais que todo o PIB brasileiro), a Coréia do Sul, 500 bilhões de dólares e o Brasil comeu poeira de novo: 200 bilhões de dólares.

Perdemos a corrida com os EUA no final do século de XIX rumo ao topo da liderança global e, novamente - agora para a China e outros países denominados de tigres asiáticos a partir de meados do século passado - por termos sido incapazes de dar os passos seguintes. No caso brasileiro, o aprofundamento do seu modelo de substituição de importações. Somos a 9ª maior economia do mundo, mas não somos competitivos globalmente. Continuamos fechados na casca (somos um dos países mais fechados ao comércio no mundo).

Ou seria porque perdemos o passo na formação educacional do nosso povo? Somos um gigante populacional cercado de analfabetos, subalfabetizados e semialfabetizados por todos os lados. Mais de 70% das pessoas. E de pessoas com nível superior onde reina a baixa e a baixíssima qualificação. Não à toa, nossa produtividade-homem é 1/5 da americana que é apenas o 4º colocado no ranking global de PIB gerado por hora...

No ensino universitário, nossas 5 melhores universidades estão classificadas no ranking mundial da 115ª posição ao longínquo 439º lugar. Mas o grosso mesmo das demais anda na faixa do 700º ao 900º lugar. Em Alagoas, a melhor colocada ultrapassa o 1.000º lugar.

Então o que fazer para alterar esse quadro anômalo que nos persegue séculos a fora? Claro que isso é assunto polêmico, portanto a ideia aqui é centrar fogo no que deve ser feito de fato. Sangue na veia. Prioridades. Lembrando sempre que um transatlântico não manobra com muita rapidez seu retorno. 

Estamos num momento certo para isso, por mais cruciante que seja o grave momento epidêmico por que passa o país, para embicarmos a proa deste transatlântico rumo a seu destino de país grande, importante e desenvolvido.
Há óbices. Vários. Mas o que se pede é que o governo federal, o Congresso, as lideranças empresariais enxerguem a janela de oportunidade que estamos tendo neste momento.
Amanhã falamos mais disso.

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