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Elias Fragoso
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Por Elias Fragoso
análise

Por que tem ser sempre da pior forma?

Elias Fragoso

24/06/2020 08h08

Neste final de semana, o jornal Financial Times, de Londres, publicou carta de um grupo de 30 instituições financeiras que gerenciam “apenas” 3,7 trilhões de dólares mundo afora. A carta foi entregue ao governo brasileiro na semana passada, portanto, uma posição formal dos investidores em relação ao país. 

Trata-se de um fortíssimo epídoto inferido por um grupo de poderosíssimas empresas que dominam largamente o capital global e o financiamento a países e projetos – exigindo (o termo é esse mesmo) mais respeito do governo federal na condução da questão da Amazônia. 

Em determinado momento da carta, eles dizem com todas as letras que “Eventualmente, se não virmos esse tipo de mudança, o risco de permanecer investido (continuar investindo no Brasil) poderá chegar a um ponto em que não permaneceremos...". Para o grupo, a continuidade da prática ambientalista equivocada criou "uma incerteza generalizada sobre as condições para investir ou fornecer serviços financeiros ao Brasil". 

Inaudito! A que ponto de esgarçamento este país chegou.

Ao longo das minhas quase 5 décadas de vida profissional, jamais havia experimentado uma sensação tão dolorosamente forte, misto de vergonha do mundo civilizado que nos puxa a orelha pelas doidivanas políticas deste governo federal para a Amazônia, com a repulsa típica dos encolerizados por saber que estão nos levando para mais um – e desta vez enorme – problema, agora como a comunidade financeira internacional. Dá frio na espinha. 

Mas o pior mesmo é saber que este governo poderia ter adotado uma pauta conservadora centrada em (boa) governança para a região, uma agenda de integração com o restante do país, uma política educacional renovada, de qualidade e de geração de empregos via rotas distantes do “pobrismo” proposto por ONGS e que tais. E, sim, também desidratando o entreguismo de nossas terras e riquezas naturais a outros países sob a intermediação onguista internacional.

Mas, não, optou por pautas desordenadas e retrógradas (até para os “onguistas pobristas” da esquerda) para a região. E aí a coisa desandou. Em apenas um ano de governo se desmatou 80% a mais que em 2018, durante o governo Temer. 

E antes que alguém pergunte o que diabo é onguista pobrista, é uma designação que criei para identificar a esquerdalhada onguista defensora da manutenção do status quo de pobreza, dependência e subserviência do povo amazônico – tal qual os portugueses fizeram com os nosso índios com seus “presentes” de espelhos e outras bugigangas. São criminosos escondidos sob o manto formal da “ajuda missionária” e títulos pomposos formais. Precisam ser vigiados e investigados. E isso que é o certo, o governo não faz.

Para que a sanha aloprada de más políticas na Amazônia seja parada está sendo necessário que os investidores estrangeiros admoestem o governo sobre a continuidade da sua política de frouxidão pró-desmatamento, pró-garimpos ilegais, pró-invasores de terras, pró-desrespeito a contratos e a acordos internacionais celebrados sobre o tema.

E aí a turma do capital, que fala grosso em qualquer lugar do mundo, tascou na carta “Considerando o aumento das taxas de desmatamento no Brasil, estamos preocupados com o fato de as empresas expostas a desmatamento potencial em suas operações e cadeias de suprimentos no Brasil enfrentarem uma dificuldade crescente de acessar os mercados internacionais. Também é provável que os títulos soberanos brasileiros sejam considerados de alto risco se o desmatamento continuar”.

Um representante do grupo ouvido pelo jornal foi enfático, “Não é apenas uma ameaça. Consideramos desinvestir. Acreditamos que o Brasil pode enfrentar desafios econômicos estruturais se não ajustar seu curso de ação.”

Ou seja, em linguagem diretíssima, ou o governo reforma sua atuação na Amazônia ou pode não ter grana para as empresas que se beneficiam do desmatamento (e aí temos gente tipo JBS que vem sendo advertida há tempos pelos financistas, mas faz cara de paisagem). Mas o pior eles guardaram para o final: os títulos soberanos que o Brasil tanto irá precisar para gerenciar logo à frente seus déficits, vão pro espaço. Necas de catibiriba de grana para o país. Simples assim. Ou muda ou quebra.

Nunca é demais relembrar que entre abril deste ano e maio de 2021 o precisa vai precisar levantar 90 bilhões de dólares em dinheiro novo ou com rolagem da dívida, principalmente. E quem põe a mão no bolso está nos dizendo com todas as letras: tomem tento, façam a coisa certa!
Será que o recado não está claro?

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