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Elias Fragoso
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Por Elias Fragoso
Crítica

Campeão ou vice?

Elias Fragoso

22/06/2020 08h08

Em 3 meses, 50 mil mortes. Desnecessárias. Por trás do número se escondem saudades, dores, inconformismo, revolta. Desde os primórdios dos tempos a humanidade é abalada por pandemias. Quem é do ramo sabe que a pergunta a se fazer agora é, quando será a próxima?

Esses últimos 6 meses servem para medirmos a inépcia travestida de má gestão, politização da pandemia, ampla ausência de acordo nacional para combater a Covid-19. Aliás, nesse sentido, tivemos um bom tempo para nos prepararmos. Mas tivemos que gastar grande parte dele para poder defender o país do protogolpe que o presidente estava –embora negue – armando.

O primeiro óbito no país aconteceu no meio de março, dia 17, enquanto a Europa rica e desenvolvida e países Asiáticos já se debatiam desde janeiro com a pandemia em seu seio, a dilacerar vidas com sua foice afiada e invisível. 

Não aproveitamos e estamos pagando caro. Hoje, nossos mortos só não alcançaram os números de americanos. Ainda. Se não achatamos a curva de infectados, vamos chegar em 30 de julho com 85 mil óbitos, e no final de agosto com 135 mil pessoas perdendo suas vidas. 

Esse dado é do mesmo instituto que passou a abastecer a Casa Branca de informações após Trump ter desembarcado (meio que a contragosto) do seu negacionismo. Vamos chegar em agosto “brigando” para ser o pais que mais matou gente nesta pandemia...

Mas a Covid-19, ao menos está servindo para uma coisa: jogar na cara de todos, os nossos invisíveis, pessoas que sempre estiveram cara a cara com a sociedade que sempre encontrou meios de neutralizá-los, de não deixá-los evoluir, de morrerem à míngua: pedintes, lixeiros, borracheiros, auxiliares de serviços gerais, negros ou brancos pobres, desempregados, milhões e milhões deles, sempre. 

Este país agora precisa de uma vez por todas acabar com essa odiosa, abjeta, discriminação. Pior que a dos negros americanos, que por lá ainda é – em certos locais - acintosamente clara. Tem muita gente tratando disso. Sociólogos, antropólogos, psicólogos, filósofos, economistas e até políticos (existe, segundo uma conta de enrolar prego comum nos corredores do Congresso, que até 10% deles são, sim, gente séria). 

O momento é mais que adequado, o programa emergencial mostrou onde eles estão (até então todos os governos saiam pela tangente com a desculpa de que não tinham “cadastro” deles). Agora só resta definir o como fazer, quando fazer e quanto vai custar (dia 14 deste, sugeri na coluna uma alternativa). 

De outro lado, a sociedade pensante discute sobre como será o novo normal, pós-epidemia. Sou por natureza profissional um cético. O mundo vai sim se recuperar, é o padrão. Alguns países mais rápidos, outros menos e alguns muito menos, como será no nosso caso. Mas não creio em novo normal, tal qual a turma está apregoando por aí. Mais solidariedade. Mais humanidade. Mais respeito. Menos competição... O mundo velho vai voltar ao seu velho normal de sempre. Tudo como dantes. Poucas, pouquíssimas coisa mudarão de verdade.

A única área que torço firmemente para que haja alguma mudança é a política. O povo brasileiro não pode continuar elegendo e reelegendo bandidos, rufiões, ladrões, milicianos, quadrilheiros ou corruptos em penca.
Torço para que os 10% de gente decente que há no Congresso se torno 30%. 

A pandemia está nos mostrando a cara de cada um. Senadores, deputados, vereadores, escondidos em suas mansões, chácaras ou casas de praia, refastelados no bom e no melhor, incapazes de uma notinha de rodapé sobre o enorme problema que a Nação e seus eleitores estão passando, não estão nem aí para a choldra otária que os elegeram.

E aqueles que estão nos executivos federal, estadual e municipal, a população está vendo os que estão sendo indignos do nosso voto. Incapazes de sentir a dor e de agir em prol dos que estão sofrendo. Incompetentes, porque estarem nos levando para esse caminho trágico de mais um titulo negativo de campeão ou vice: o de óbitos na pandemia.

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