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Por Elias Fragoso
OPINIÃO

O artigo que não gostaria de ter escrito

Elias Fragoso

27/04/2020 08h08 - Atualizado em 27/04/2020 09h09

Este é o artigo que não gostaria de ter escrito. Mas, o lado profissional e o respeito pelo leitor me impede qualquer tergiversação: é preciso alertar as pessoas para o que vem por aí a partir de 2021 em termos da economia brasileira.

Não, prometo, não tocarei em política, em Bolsonaro e coisas do gênero. Nesse quesito o estrago já está feito. Quero me ater agora apenas nos números que começam a aflorar para o ano que vem. Que a meu ver estão furados na partida, vez que preveem uma queda do PIB em torno de 5%, desde que no segundo semestre deste ano, a economia comece a reagir (grifo nosso). Não vai acontecer. 

O número mais convincente no momento é algo em torno de -8% a -10%. Uma brutalidade de crise está se armando mais à frente. Infelizmente. Esses números – que já são o pior que se podia imaginar – podem se agravar e muito, se a curva de infecção pelo Coronavírus que tem sido relativamente “comportada” degringolar. 

Sabemos que até o presente o vírus no Brasil tem alcançado em maioria a porção “belga” do país, ainda não chegou na plenitude a nossa porção “Índia” (uma homenagem ao prof. Edmar Bacha que cunhou em 1974, o termo Belíndia que junta a parte rica e a muito pobre do país). E torço para que não a alcance, senão teremos de um lado uma verdadeira chacina e do outro a explosão dos números negativos da economia.

Como torço para que os governadores se mantenham firmes e até aumentem as restrições – em alguns casos – as movimentações sociais. Ainda não é hora de liberações. Antes do tempo pode ser mais um gatilho para exponenciar o tamanho da crise econômica que está vindo por aí. A sofreguidão da abertura pode levar ao recrudescimento da epidemia e a novo fechamento no segundo semestre. Aí sim, estaríamos no inferno completo. 

Não vamos sair dessa confusão tão cedo. O país vai ter que remar tudo de novo como vinha fazendo desde o infausto governo Dilma. Não será uma “recessãozinha”. Pode virar uma “depressãozona”.

O desemprego que beirava os 11% vai crescer violentamente e pode chegar a mais de 20%. A renda média que era de R$ 2.413,00 no final de 2019, pode chegar ao final deste ano em torno de R$ 2 mil. Além dos empregos perdidos, as pessoas que permanecerem no mercado vão ver sua renda reduzida em torno de 15% a 20% (a FGV projeta -14,4%, mas considera que a economia vai começar a reagir no segundo semestre. Não vai). É claro que essas perdas não são homogêneas. Cada caso é um caso.

A tempestade perfeita se abate sobre o país. À enorme crise do Coronavírus se junta a forte crise política que estamos vivenciando e a econômica que está por vir. Que pode ser ainda mais exponenciada pelas incertezas do mercado com as soluções mirabolantes que o governo está querendo engendrar, o que certamente levará à saída do ministro Guedes, o último bastião de bom senso nesta bagunça que virou o governo. É só ver o que está acontecendo com o dólar, que não para de subir, assim como os juros de longo prazo.

O leitor amigo não é obrigado a entender de economia, mas esses dados precisam ser levados a sério. O risco de levar isso de barriga é ampliar de forma absurda a crise que já está a nossa porta. Ainda mais quando se sabe que a epidemia que aí está veio para ficar. Pelo menos até o surgimento de uma vacina que deve levar pelo menos 2 anos para chegar à ponta dos sistemas de saúde.
O que fazer então?

Vamos tratar disso amanhã.

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