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Por Elias Fragoso
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Problemas para todo lado

Elias Fragoso

29/03/2020 10h10 - Atualizado em 29/03/2020 11h11

Bairro do Pinheiro
AscomBairro do Pinheiro

Alagoas está em vias de quebrar outro recorde negativo ultrapassando os limites do que os economistas chamam de tempestade perfeita, conjunto de eventos quase simultâneos que provocam profundo desarranjo na economia e na sociedade.

Entre abril e outubro, o Estado sentirá os efeitos devastadores da epidemia do Coronavírus. A ameaça latente do desmoronamento do Pinheiro e bairros adjacentes já começa a se tornar realidade com a interdição da via que passa justamente abaixo das áreas condenadas.

É preciso que se diga: se o Coronavírus ameaça provocar – além das mortes - uma crise de grandes proporções nestas paragens de tantas misérias seculares, o colapso do solo do Pinheiro e adjacências, que prenuncia não apenas a “morte” de quatro dos mais dos importantes bairros da capital, não fica atrás.

A fragilizada estrutura da saúde pública em Alagoas sequer está apta para sua rotina do dia a dia, imagine para suportar o “ataque” do Coronavírus, que aqui pode ter conduta diversa do primeiro mundo.

Cerca de 90% dos alagoanos dependem do SUS, que normalmente não atende sequer 1/3 da demanda. Além disso, grande parte do território possui características típicas de país de terceiro mundo com pequenas moradias insalubres, de alta fragilidade sanitária, hiper habitadas e com pessoas sem acesso a saneamento e com parcas noções de higiene pessoal.

O caldo de cultura é perfeito para a eclosão da epidemia, mesmo a despeito das medidas de afogadilho tomadas pelas autoridades para reduzir o impacto do vírus em sua passagem pelas Alagoas. Podemos estar caminhando para uma das mais altas taxas de letalidade do país. Torcemos para não acontecer, mas...

A outra “epidemia”, o agravamento da situação geológica do Pinheiro e bairros adjacentes, é uma lição de manual do que a corrupção política pode provocar. Desde a “incompetência estatal programada” costurada para não “atrapalhar” os desmandos da exploração do sal-gema pela Braskem que está “matando” quatro importantes bairros da cidade ou; a omissão histórica dos órgãos fiscalizadores das atividades mineradoras na região que levou ao maior desastre geológico potencial de que se tem noticia em todo o mundo.

Neste episódio, os governos de Alagoas e de Maceió lembram a piada da raposa designada pelos “donos” para administrar o galinheiro. Esse caso cheira putrefato por todos os buracos perfurados pela Braskem na região.

Até quando vamos continuar a ser piada pela “terceirização” da gestão do problema para quem o causou?

* O opinião do autor não representa, necessariamente, a do EXTRA ALAGOAS.

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