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Cláudio Vieira
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Por Cláudio Vieira
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Bolsonaro é de Marte

22/11/2021 18h06

Bolsonaro
Agencia BrasilBolsonaro

Tenho por hábito, de há muito, acompanhar o noticiário político. Esse hábito tem origem na adolescência. No Colégio Guido de Fontgalland, onde estudei, debatia-se muito sobre as questões políticas locais, nacionais e até mundiais. Havia o Centro de Estudos Jacques Maritain, do qual por um período fui presidente, um ambiente exclusivamente cultural, no qual estudávamos e discutíamos filosofia e, naturalmente, política. Certamente vem dessa época o interesse pelas coisas da política, pois então já éramos conhecedores da relevante história do filósofo grego Diógenes de Sinop, que andava pelas ruas de Atenas com uma lanterna procurando um homem, ao menos um, que vivesse conforme a sua essência, ou seja, honesto. Aplicávamos Diógenes à política do nosso tempo, e sempre buscávamos honestidade em nossos políticos. Para nós, honestidade não se resumia apenas ao dinheiro, mas a todo um comportamento. Sonhávamos, então, encontrar entre os políticos um homem assim.

Sempre que vejo as diatribes do presidente Bolsonaro, que como outro se diz honesto, essas questões vêm-me à mente. Como pode ser honesto uma pessoa que acoberta o mau comportamento dos filhos? Ou quando mente descaradamente para o povo que se diz governar? Ou falseia a verdade sempre que se lhe dá a oportunidade de falar como magistrado do País, seja aqui ou em qualquer outra parte do mundo?

Recentemente tenho ouvido do presidente coisas como a covid é uma gripezinha; a vacinação é inócua; o tratamento contra a pandemia é o kit composto por cloroquina, ivermectina e outras drogas não reconhecidas pela ciência como apropriadas ao combate do vírus; que estimula o povo a aglomerar, abandonar as máscaras, certo de que alguns irão morrer, mas isto resultará na imunidade de rebanho. Suas opiniões são flutuantes, pois agora já vem afirmando, por si e por assessores, que o seu governo acredita na vacinação desde o início, por isso comprou tantos lotes do imunizante e, graças a sua atuação, o vírus está sendo dominado e vencido. Faz isso por razões obviamente interesseiras, agora que se vê desprestigiado nas pesquisas de opinião.

A nível mundial Bolsonaro não se acanha das mentiras. Para ele, a Amazônia está intocada, o seu governo cuida do bioma com desvelo e o mantém como no descobrimento. Na economia, com a ajuda do seu ministro da Economia, informa às outras nações que o Brasil é um paraíso, a inflação dominada, a economia crescendo a níveis internacionais, e apresentará resultado mais e melhores do que os outros países.

O sábio Diógenes, se aqui baixasse, iria pensar que Bolsonaro vivia em Marte, não neste Brasil de tantas dores.

As novas gerações não sabem, mas a mais alta patente do exército brasileiro era, até meados do século XX, a de MARECHAL. Um dos últimos a ostentar as cinco estrelas gemadas do posto foi o Presidente Castelo Branco, durante o período militar, considerando-se que a partir de 1967 só em caso de guerra o título dignificante poderá ser usado pelas nossas Forças Armadas.

A sucinta abertura explica o uso do título entre nós, mas a crônica presta-se, não ao debate sobre os governos militares, mas à constatação do comportamento honesto de nossos governantes do passado, pouquíssimos, para nossa tristeza, apesar da jactância dos nossos políticos a respeito de sua auto-declarada inocência de propósitos, antes, durante e após o exercício dos cargos para os quais foram eleitos.

O querido amigo Lacerda, oficial engenheiro da Aeronáutica, brindou-me com o exemplo dado pelo Marechal Castelo Branco, quando Presidente da República. A história fora originalmente divulgada pelo conhecido Jornalista Élio Gaspari. Segundo consta, em 1965, o Marechal-Presidente lera nos jornais que um seu irmão, funcionário da Receita Federal, fora presenteado, por seus colegas do Fisco com um carro Aero-Willys, em agradecimento aos seus esforços, junto ao Governo, pela ajuda que dera à aprovação da lei que organizava a carreira. O Marechal telefonara ao irmão, determinando que o mesmo devolvesse o brinde. O argumento do agraciado fora de que se cada fiscal o presenteasse com uma simples gravata, o valor seria muito maior que o do carro, e nessas circunstâncias, se devolvesse o mimo estaria ele desmoralizado perante os colegas. Ante a recalcitrância do irmão, o Presidente Castelo Brando interrompera-o: “Meu irmão, você não entendeu! Afastado do cargo você já está! Estamos decidindo agora é se você será preso ou não”.

O Jornalista relembrava essa história, que lhe fora repassada pelo filho do Marechal-Presidente, a propósito da defesa que fizera o ex-Presidente Lula do seu filho, o notório Lulinha, quando fora divulgado que o seu genial rebento recebera 15 milhões de Reais da Telemar para tocar sua empresa que, nos governos petistas, ascendera a posição privilegiada no cenário empresarial brasileiro.

Em tempos de Lava-a-jato, a história do Marechal-Presidente e seu irmão vem bem a calhar, demonstrando que, para o homem honesto, seja governante ou não, pau que bate em Chico, também bate em Francisco.

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