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Cláudio Vieira
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Por Cláudio Vieira
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Convescote em NY

29/09/2021 16h04

Presidente Bolsonaro
Agência Brasil/ArquivoPresidente Bolsonaro

Absurdo! Forçar o presidente a comer nas ruas de Nova York? Estão dizendo os bolsonaristas. É verdade, mas não absurdo: Bolsonaro não foi forçado. Comeu na rua porque quis, em canhestro populismo. Mesmo não estando vacinado, poderia comer em qualquer restaurante, desde que nas mesas exteriores do estabelecimento, o que é comum em Nova York. Poderia degustar nas ruas nova-iorquinas o melhor cachorro quente do mundo, servido em food trucks, ou carrocinhas. Preferiu, no entanto, uma pizza, e poderia apreciá-la, como aqui referido, na parte externa da pizzaria. Exercia o que pensou ser uma tosca jogada de marketing.

Optou, também, por não ser vacinado contra a covid-19. Assumiu, então, o ônus da sua teimosia, e não poderia ser diferente. Aqui no Brasil, arrogante ele se sente à vontade para dar o mau exemplo: não se vacina, não usa máscaras, e muito mais. Não deveria, mas é da natureza dele. Acontece que não é dono do mundo, e, portanto, está sujeito às leis dos países que visita. A atualidade de vários estados e cidades dos Estados Unidos, inclusive Nova York, é que no ambiente externo as pessoas podem circular sem o apetrecho protetor. No interior dos estabelecimentos, sejam comerciais, particulares ou públicos, o uso da máscara é obrigatório, a menos quando se está imunizado. E Bolsonaro, por opção, não estava.

Não foi esse, porém, o único vexame que o presidente e a comitiva brasileira produziram nessa curta viagem à ONU. No país dos livres, um deslumbrado ministro da Saúde se permite a grosseria de gestos obscenos na direção de manifestantes, opositores de Bolsonaro e da presença do mesmo em NY. Esse hiato escatológico foi o prelúdio do que viria com o discurso do presidente do Brasil no plenário da 75ª Assembleia Anual das Nações Unidas.

Bolsonaro ocupou o seu espaço para castigar o mundo e envergonhar os brasileiros com tantas inverdades; tantas ideias desconformes com a realidade; tanta manifestação de estultice teimosa; tanta arrogância. Repetiu para uma plateia de líderes mundiais, presentes pessoal ou virtualmente, suas convicções retrógradas sobre o tratamento precoce, hoje desautorizado pelo melhor da ciência internacional.

Para alguém que não sabe, o representante do Brasil recebe a honra de ser o primeiro a discursar nas Assembleias Gerais da ONU desde 1947, a 1ª Assembleia, quando Oswaldo Aranha, em nome do nosso país, abriu os trabalhos com inesquecível discurso, em defesa da criação do Estado de Israel. Não há lei escrita sobre isso, mas desde então o Brasil, anualmente, é homenageado com o discurso de abertura das Assembleias Gerais da ONU. O que se espera, então, do presidente brasileiro, é um discurso para o mundo, não para o cercadinho do Planalto, como aconteceu. Vexame mais danoso que comer pizza no meio da rua em Nova York.

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