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Cláudio Vieira
Opinião

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Por Cláudio Vieira
OPINIÃO

Sede vacante

20/09/2021 19h07

A expressão é latina, sendo a proclamação de que o trono de São Pedro está vazio. O Brasil não é o Vaticano, nem a Igreja Católica, nem a curul presidencial é o trono, e o ocupante momentâneo do cargo sequer de longe pode ser considerado papa, embora às vezes tenha pretensões imperiais. Malgrado estas considerações, a cadeira – curul –presidencial brasileira parece estar vazia. Aliás, isso vem de há muito, porquanto Bolsonaro não tem se mostrado muito afeito ao estafante trabalho de presidir e dirigir o País. Sua praia é outra. Criar problemas, gerar factoides, dizer inconsequências e comunicar-se através de grupos midiáticos, esse o seu mundo. Os momentos de folga, utiliza-os para realizar as chamadas motociatas, que o presidente não é de ferro.

Os últimos acontecimentos parecem ter sido a gota d’água que esborda o cálice. É possível que Bolsonaro esteja amargamente arrependido do 7 de Setembro com o qual presenteou a Nação. Os brasileiros jamais havíamos visto a sagrada data nacional tão afrontada, um dos símbolos nacionais, a bandeira, sendo utilizado para atividades nada condizentes com a Pátria ou com a Democracia. Em tempo algum, também, um presidente brasileiro atreveu-se a pregar, sem quaisquer pruridos ou subterfúgios, o golpe de Estado, a sublevação das massas, o desrespeito às Instituições e aos princípios republicanos, o desprezo à Democracia. Estarrecidos vimos e ouvimos o tresloucado simplesmente negar o cumprimento de qualquer ordem judicial. Pregou o anarquismo, só que sem qualquer verniz filosófico.

O País ainda estava embasbacado com o atrevido, quando nova pérola foi produzida nos gabinetes do Palácio do Planalto, ou do Alvorada. O presidente rendeu-se a algum resquício de sensatez, naturalmente vindo de terceiros, e dobrou-se às evidências de que seus atos e palavras naquele Dia da Independência haviam merecido o repúdio daqueles que verdadeiramente amam esta Pátria. O recuo do presidente é coisa normal neste governo. Desde o início, o que é dito em um dia, no outro não mais vale. Como no adágio popular, o que Bolsonaro diz, não se escreve. Não sendo diferente desta vez, alguma coisa parece que mudou; ou melhor, a gota d’água fez o copo transbordar. 

Políticos que normalmente seguem os passos do poder, apressaram-se a manifestar discordância às impropriedades presidenciais. Muitos afastaram-se, e foram engrossar a fila do repúdio. Político é animal sensível à sobrevivência, principalmente nas proximidades de eleição. Mesmo o seu aliado mais ferrenho, o presidente da Câmara Federal, não se ocupou em defender o amigo.

Eis então visível o isolamento do presidente, e ainda que seus seguidores aguardem o ressurgimento de uma Fênix, o governo Bolsonaro acabou. A cadeira está virtualmente vazia.

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