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Cláudio Vieira
Opinião

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Por Cláudio Vieira
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Leito de procusto

13/10/2020 15h03

Cada civilização tem os seus mitos, bons e maus. Os gregos da antiguidade clássica tinham no mito de Procusto a encarnação da maldade. Conta-se que Procusto era um celerado, um bandido, empregado de estalagem que atraía os homens para o conforto da mesma com o intuito de roubar-lhes os pertences. Não ficava apenas nisso. Divertia-se o sádico forçando o incauto ou desavisado a deitar-se amarrado em sua cama. Caso o indivíduo aprisionado fosse maior que o leito, cortava-lhe as pernas; se menor, esticava-o até caber perfeitamente no jirau.

A imagem desse ser mitológico veio-me à mente com o encontro de reconciliação do ministro Paulo Guedes e o presidente da Câmara, o deputado Rodrigo Maia. Após os desencontros desses dois, briguinhas ou arengas como se dizia antigamente, o dono da estalagem, Jair Bolsonaro, interveio para as pazes entre eles, porquanto, afinal se não sai o tal Renda Cidadã como arregimentar clientela em seu apoio? Lula já fez o mesmo, e até hoje tem eleitorado cativo. 

O fato é que, para garantir o clientelismo bolsonarista, os quase-inimigos-cordiais, Guedes e Maia pretendem um leque de medidas que assegurem os valores orçamentários para o tal projeto. Aperto de cinto do governo? Não! Redução dos custos com uma desnecessária infinidade de cargos de cunho político, os chamados comissionados? Também não! Extinção das despesas suntuárias, como viagens oficiais sem nada para fazer, do uso das aeronaves federais ou particulares alugadas? Definitivamente não! Reduzir o número de ministérios, como prometeu na campanha política? Absolutamente não! 

Como o teto de gastos de 2021 não pode ser ultrapassado – ao menos por enquanto, diz Guedes – por que não buscar as soluções nos incautos silentes, o povo em geral, os servidores públicos, os empregados das empresas privadas, e as próprias? Assim, o pagamento do auxílio-doença, hoje responsabilidade do INSS, poderá ser transferido ao empregador, sobrando dinheiro para a vaquinha. O tempo mínimo de carteira assinada para os empregados que ganham até R$ 2.090,00 seria elevado de um mês para seis meses, o que também contribuirá para o novo dispêndio do erário.

O Benefício de Prestação Continuada, o BCP, instituído para minorar a penúria de idosos e pessoas com deficiência, que tenham renda de até R$ 280,00, assim como outros que estejam em condição de miserabilidade e vulnerabilidade, poderá ser retirado quando houver acúmulo com outros benefícios sociais. Outras maldades, sempre em detrimento do povo brasileiro, estão também em estudos, que a máquina de malefício não descansa. 

O aceno atraente dos nossos procustos é a tal Renda Cidadã, criação de novas despesas com oneração da população e das empresas, estas já tão sacrificadas pelo isolamento social, pelos escorchantes tributos, pelos preços altos da cesta básica. E tudo isso sem choro nem vela, como está no cancioneiro popular.
O Procusto grego fez prosélitos entre nós! As vítimas, essas são sempre as mesmas: NÓS!

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