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Cláudio Vieira
Opinião

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Por Cláudio Vieira
OPINIÃO

Teimosia sem limites

28/09/2020 13h01

Vivemos época inquietante. E não apenas por causa do isolamento/distanciamento social. É inquietante porque parece haver um absoluto desconcerto na política. Os problemas acontecem, e o chefe do Executivo tem deles uma visão particular, desvirtuada dos fatos.

O presidente da República internamente dirige o País. Externamente tem a representação única do Estado. Desta forma, tudo que ele diz no exterior, seja em discursos ou em entrevistas, representa a povo que o elegeu. Em suma, só ele pode dizer em nome do Estado. Esse não é só um poder que envaideça o cidadão ocupante do Palácio do Planalto, em Brasília. É um múnus, um dever do qual não pode dissociar-se enquanto ocupar transitoriamente o posto. O presidente, como é obvio, não é infalível, como não são os demais ocupantes dos cargos públicos, por mais proeminentes que sejam estes. Nós, o povo, devemos ter essa compreensão, e muitas vezes a tolerância. Ouvir o discurso do senhor Bolsonaro na abertura da Assembleia Geral da ONU foi um exercício duro para qualquer brasileiro de algum tirocínio, por mais compreensão e tolerância com as quais se olhe o comportamento do chefe de Estado.

Lendo o discurso do presidente Bolsonaro tem-se a impressão que o Brasil está vencendo a pandemia d a covid-19. Os mais de quatro milhões e meio de brasileiros contaminados pelo vírus da “gripezinha” pouca coisa significam. São acidentes de percurso, afinal, segundo sua teoria simplista, quase toda a população será contaminada até que o vírus desapareça das nossas vidas. Será a benvinda “imunidade de rebanho”, e a materialização da inumana expressão “quem for podre que se quebre”. Os quase cento e cinquenta mil mortos pelo vírus pandêmico é consequência natural da vida. E os números crescem diariamente. Afinal, todos morreremos um dia, segundo afirmou várias vezes o capitão-presidente.

Os caraminguás distribuídos como ajuda social aos desempregados, nas palavras do presidente, passaram a ser uns mil dólares, mais ou menos, como apregoou. Cem bilhões, também de dólares, foram destinados ao socorro das micro e pequenas empresas. Valor importantíssimo, ainda que inúmeras empresas daquela categoria não tenham visto um centavo de tais dólares, seja pela dificuldade de crédito, pelos juros altos, ou porque o dinheiro simplesmente não foi liberado. Nesses bilhões de dólares, pelo que entendemos, inclui-se ajuda aos estados brasileiros. Os funcionários públicos que agradeçam a tanta bondade, ainda que tenham sido obrigados a ficarem sem aumento durante dois anos, enquanto que os preços não param de crescer. Tem o governo adotado medidas sérias para a solução dos problemas ambientais, malgrado a região do Pantanal brasileiro, e outras, venha amargando queimadas e incêndios que vêm destruindo fauna e flora. 

Bem, para Bolsonaro e seus seguidores, as críticas são frutos de informações preconceituosas e erradas da mídia, pois vem ele trilhando o bom caminho de um governante sério e capaz. Possivelmente agora já esteja vociferando contra o Times e a mídia internacional.

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