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Cláudio Vieira
Opinião

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Por Cláudio Vieira
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Nem tudo é azul

24/09/2020 20h08 - Atualizado em 24/09/2020 20h08

Nesses tempos de pandemia tenho dado atenção bastante à evolução das cores vermelha, laranja e azul no gráfico do mapa do Brasil diariamente divulgado pela mídia. Vejo com satisfação que a nossa Alagoas vem se mantendo azul, indicativo de que as mortes por covid-19 estão em queda. Comemoro e me preocupo. De fato, quando nós somos informados de Alagoas no azul, isto se dá apenas quanto aos óbitos, pois os casos de contaminação, esses continuam crescendo. É tal simples fator que parece não estar sendo percebido pela grande
maioria, ou se o percebem não levam muito a sério, ou melhor, veem-no pelo lado absolutamente favorável ao livramento da pandemia. Tenho observado tal fenômeno até em familiares. Tudo encaminhar-se-ia para a derrota cabal da covid-19.

É mal interpretando a manutenção de Alagoas na cor azul que muitas das pessoas – inúmeras, podemos dizer – estão liberando geral, para usar uma expressão contemporânea mais descontraída. Venho me posicionando contra esse entendimento, e nunca me faço de rogado em manifestar a minha posição nesse sentido, sendo incisivo na manutenção do controle do convívio social. Recentemente ouvi de um amigo a indagação se não haveria algum caminho mais mediano, que não fosse nem oito nem oitenta, no trato do isolamento social. 

Acredito que sim. Nada de radicalismos, mas de ponderação. Ouvi também, ecos da teoria de adeptos
do “tudo não passa de uma gripezinha”, e que deveria haver isolamento apenas vertical, isto é, aqueles com risco de contraírem o coronavírus na forma mais grave deveriam manter rígido isolamento. Ponderei, em certa ocasião, que isso seria tratar os idosos e aqueles com comorbidades de igual forma dos leprosos na Idade Antiga e no Medievo, apartados dos contatos sociais pois poderiam transmitir a grave doença. No caso, o cuidado seria ao
contrário: proteger os grupos de risco do contágio, sendo tratamento isolacionista de qualquer forma, e sem resultados práticos, porque se aqueles que são jovens e não estão em risco forem liberados a terem vida livre e descuidada, eventualmente contraindo a doença, trarão “a gripezinha” para dentro de casa, infectando pais e avós. Paradoxalmente não seria o leproso que contaminaria os sãos, mas estes que adoeceriam aqueles.

Voltando à questão que me foi posta, aquela do 8 ou 80, afirmei que nem um nem outro seria o ideal. O meio, este sim. Os romanos da Antiguidade diziam que no meio está a virtude, a força. Confúcio também pregou a sapiência do Caminho do Meio, o mais virtuoso e, por isso mesmo o melhor. Infelizmente grande é a dificuldade de se aplicar esses antigos ensinamentos entre pessoas que parecem estar se comportando como se não houvesse amanhã., como se o Apocalipse estivesse se aproximando lotando bares e restaurantes, festejando nas ruas e
praias sem a providencial máscara facial. Afinal, o azul ainda é relativo!

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