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Cláudio Vieira
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Por Cláudio Vieira
OPINIÃO

Sobre liturgia dos cargos

31/08/2020 13h01

Comecemos por uma indagação: qual político não deseja a popularidade? Não me parece de difícil resposta. A popularidade garante – ou pelo menos pode assegurar – a sustentação de boa capacidade eleitoral, o que em outras palavras resulta em mantença do poder. Se a resposta à pergunta acima é de fácil formulação e entendimento, a abrangência do termo, em seu significado, não será da mesma simplicidade. 

E essa dificuldade começa pela concepção que o próprio político tem do seu próprio papel na sociedade. Políticos entendem que a popularidade lhes dá o status de liderança, a despeito de essa qualidade política – a liderança – ir mais além, estando afeta a uns poucos. Também têm a errônea percepção de que a popularidade tem como forma o aliciamento de prosélitos. Nesse ponto, com raríssimas exceções, são discípulos de Maquiavel, pretendendo serem válidos quaisquer meios para se tornarem atraentes ao povo, bem assim ao voto popular. 

Distribuição de dinheiro, desperdício de recursos públicos com obras sem sentido, criação de projetos que mantêm aceso o liame com o apoio popular, ainda que tais projetos visem apenas prestar favores a determinada parcela da população, necessariamente a maior, essas e outras ações transformam e desfiguram o que concebemos por popularidade, fazendo surgir o populismo em cujo núcleo estará aquele aliciamento de prosélitos.

Bolsonaro sem dúvidas tem-se esmerado em criar nova nuança de populismo. O grosseiro falar em situações que requerem a solenidade do cargo, no caso a presidência do país, tem sido prática de quase constância do presidente em entrevistas, conversas públicas com seguidores, e até em reuniões ministeriais, como já é sabido por toda a Nação. A última do presidente, ameaçando de agressão física a determinado jornalista, expõe a sua índole truculenta, sem qualquer lustro, além de desrespeitar a Constituição Federal que jurou preservar. Na verdade, não envergonhassem as suas atitudes, internas e externas, nem mereceria o mais mínimo comentário, sequer meia linha de escrita. É o País, todavia, que por esses destemperos vive situações vexatórias. 

A verdade, porém, é que inúmeros são os aplausos recebidos pelo capitão, até de pessoas supostamente mais ilustradas, aquelas que certamente vêm nos despautérios do chefe do governo algo de grande hilaridade e que, ao mesmo tempo, demonstram o quanto o presidente está em sintonia com a população. Não percebem, os que nisso acreditam, que estão nivelando por baixo o povo brasileiro. Não apenas isso, mas confirmam o desalentado pensamento do filósofo francês De Maistre, segundo o qual cada povo tem o governo que merece.

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