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Cláudio Vieira
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Por Cláudio Vieira
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A Lava Jato sob peias

03/08/2020 12h12

A primeira metade da década passada viu o início da transformação-ética do Brasil. Essa transformação foi obra, podemos dizer, exclusiva de jovens procuradores da República, policiais federais e estaduais dedicados, e dois juízes, um em Curitiba e outro no Rio de Janeiro. Incomodaram, sem dúvidas, o mundo político e empresarial, destruindo vários enclaves de corrupção, prevaricação, e outros crimes. A população aplaudiu – e ainda aplaude – bem como passou a acreditar que tudo mudaria para melhor. E mudou, embora não totalmente, não suficientemente, mercê de vários políticos e de empresários, que insistem na prática deletéria da antiética, ou aética, como preferirem.

A mudança do governante federal, em 1919, apregoando realizar a limpeza da classe política, logo fez ver nuvens sombrias sobre a esperança ética do país. Deixemos de lado a ida do juiz Moro para o governo, um aparente passo para o credenciamento de um presidente quase desconhecido. As ações da família presidencial logo revelaram, para o bom entendedor, ao que vinha a nascente oligarquia. Hoje já se sabe que até aquela eleição que fora propaladamente ganha quase sem recursos, apenas utilizando a mídia eletrônica, era na verdade uma empulhação, pois a máquina eletrônica usada visava a criar ilusões, transformando-se quando no poder – agora se sabe – no denominado gabinete do ódio.

A Lava Jato, porém, estava preservada, embora incomodando a muitos. Enquanto a estatura do agora ex-juiz e ex-ministro Moro era o baluarte que impedia agressões maiores à limpeza ética. Não durou tanto quanto necessário. O então ministro Moro foi maquiavelicamente e grosseiramente induzido a afastar-se do governo. Por outro lado, o presidente deixou de lado qualquer pejo, aliou-se ao que de mais fisiológico existe na política brasileira, o denominado Centrão, do qual muitos próceres estão embolados na faxina moral iniciada em 2014, em Curitiba. 

O outro fator que levaria à destruição da Lava Jato, à sujeição, foi sem dúvidas a nomeação do senhor Augusto Aras para o cargo de procurador-geral da República. A coisa começou malparada, sendo escolhido alguém que sequer compunha a lista tríplice escolhida em eleição pelos procuradores da República a nível nacional. Quebrou-se, assim, uma tradição que já se firmava, e que objetivava afastar o Órgão que tem também a função de acusador criminal do centro do Poder. Vinha sendo medida salutar de garantia, embora os grandes procuradores-gerais de outrora, como Sepúlveda Pertence e Aristides Junqueira, para citar apenas alguns, apesar de escolhidos pelo hóspede do Palácio do Planalto, tenham primado, em suas celebradas gestões, em deixar firme a independência ética da PGR.

Eis agora que o procurador-geral, como na música de Cazuza, mostra a sua cara. Esforça-se, sem qualquer acanhamento, em submeter a Lava Jato ao seu tacão, sob a desculpa de ser necessário combater o que denomina “lavajatismo”. Certo que os procuradores da República do Paraná, assim como os do Rio de Janeiro, algumas vezes pecaram pelo excesso, mas são equívocos que podem ser corrigidas sem traumas e sem a necessidade de colocar a Lava Jato sob peias.

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