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Cláudio Vieira
Opinião

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Por Cláudio Vieira
OPINIÃO

A conexão queiroz

06/07/2020 13h01

Incialmente pensei em escrever sobre as trapalhadas no ministro-que-não-o-foi, o doutor Decotelli. Realmente o tema é provocante, considerando-se que o sujeito, em brevíssimo tempo, foi desmascarado por plágio e fraude curricular. Pergunto-me quão tamanha ambição de reverência leva o sujeito a despir-se de todo o senso ético-moral, arriscando-se a ficar, como ficou, ridicularizado e desmoralizado a nível nacional, sobretudo no meio acadêmico ao qual se dizia pertencente. 

Indago-me ainda sobre o prosaico apoio dado pelo presidente ao seu escolhido para dirigir, logo, o Ministério da Educação. O assunto é tão surreal e hilário que resolvi mudar o tema para outro que vem tumultuando o noticiário e aguçando a imaginação popular, além de mais parecer um filme hollywoodiano, o affaire Queirós.

Na verdade, após tantas descobertas sobre Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro, quando este era deputado estadual no Rio de Janeiro, os personagens dispensam apresentação, graças ao bombardeio do noticiário. Todavia, as perguntas sem respostas são tantas, que sugerem um emaranhado criminoso. Vejamos algumas: por que uma pessoa ligada à milícia carioca teria feito parte da assessoria do então deputado Flávio Bolsonaro? Por que familiares desse mesmo indivíduo ocupavam cargos em gabinetes da Câmara Federal, inclusive no staff do atual presidente, o Bolsonaro número Um, quando este representava o Rio de Janeiro no Parlamento? Por que a mãe de outro miliciano tenha seu empreguinho, indicado pelo notório Queiroz, no nos gabinetes bolsonaristas? E sem lá precisar comparecer? Por que o mesmo Queiroz controlava os vencimentos dos demais assessores do deputado Flávio e auferia percentuais desses proventos? Por que teria ele movimentado tanto dinheiro, pago as escolas de filhos do seu chefe imediato? Pagamento em dinheiro, sem que as contas dos pais dos meninos tenham qualquer retirada correspondente? Esses e outros questionamentos veem sendo feitos, e só bolsonaristas empedernidos fazem vista grossa às evidências de tão estranha conexão. 

Eis então que, como soe acontecer nesses tempos bolsonaristas, nada é simples de explicar, e os fatos estranhos não se consumam em si mesmos. Passam a gerar novos fatos, novas notícias, em um movimento de contínua renovação e revigor. Agora é o caso de advogado do notório senador Flávio esconder (dizia-se, antigamente, preservar) o tal Queiroz em casa utilizada como escritório profissional, e declarar, em cândida resposta, que não sabia da “hospedagem” do Queiroz em sua propriedade há um ano, mais ou menos. Nem o conhecia... Na sequência, veio a defender o Queiroz, que não era seu cliente, afirmando que o mesmo não estava foragido, e lá se encontrava por necessidade de tratamento médico.

O presidente, descendo de sua cadeira presidencial, não ficou atrás na defesa do ex-assessor do seu filho, repetindo a mesma cantilena do advogado: Queiroz não precisava esconder-se, pois não era procurado.

Os porquês são muitos. Não me atrevo a respondê-los, deixando a cada um, bolsonarista ou não, buscar as respostas, usando da sua própria inteligência e perspicácia.

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