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Cláudio Vieira
Opinião

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Por Cláudio Vieira

Ouro dos tolos

18/09/2019 15h03

Os apreciadores dos filmes de western conhecem a expressão-título. Àqueles que dela não têm conhecimento, ou jamais a ouviram, explico que se trata do elemento químico denominado pirita, cujas pepitas têm a aparência de ouro, mas valor ínfimo. 

Ao início do ano, quando Bolsonaro assumiu a Presidência da República, o então juiz Sérgio Moro era “pule de dez”, ou seja, representava para o novo governo aquela ilha de excelência ética que tanta falta faz à prática política. Sou daqueles que acreditava ser difícil a alguém como Moro envolver-se com o mundo da política, após ter tomado conhecimento da lama por debaixo dos pés dos nossos representantes e adjacências, e de empresários que cresceram à custa de corrupções. Não o via no governo, ainda que fosse para garantir uma nomeação para o Supremo Tribunal Federal. Assim, foi com uma certa apreensão que o vi assumir o Ministério da Justiça. Contraditoriamente, havia esperança também em minha visão. Afinal o homem que se tornara um dos heróis da “mãos limpas” brasileira, um dos principais, poderia garantir-nos, se não total, relevante contenção dos assanhados escroques da política nacional. 

Também vi com certa reserva as louvações do novel presidente às atividades da Lava Jato, hoje uma instituição nacional malvista por aqueles que a temem, mas sempre sinceramente louvada por nós aqui da planície. Bolsonaro passava para Moro verdadeiro cheque-em-branco, concedendo-lhe o poder de nomear pessoas de sua confiança para órgãos auxiliares do seu ministério, e adotar medidas de moralização do poder.

Durante os primeiros meses do governo a minha desconfiança foi-se esmaecendo, e via com satisfação o prestígio do ex-juiz perante o presidente da República, mesmo que notasse certa inquietação no entorno do poder, para mim simples ciumeira não abençoada por Bolsonaro. Parece ter sido assim, o presidente resistindo no cumprimento de suas declarações públicas, e suas promessas, jamais negadas, a Moro, ainda que os aliados parlamentares e certa mídia procurassem envenenar a relação entre presidente e ministro, esta última, a imprensa, talvez mais interessada em desequilibrar o governo do capitão do que advertir Moro da sua fragilidade, sendo ele um estranho no ninho. Investigação sobre os malfeitos de amigos do peito de um dos filhos de Bolsonaro virou de ponta-cabeça o prestígio, agora sabemos que aparente, do ministro. 

Essas coisas eclodiram nas últimas semanas, apesar de o chefe do governo, na sinuosa técnica do assopra-e-morde, sugerir algum apoio a Moro. Já não era, porém, o inacreditável cheque-em-branco, como parecia ser no princípio. Nem sei porque nós - e o Moro, claro - acreditamos nessa cessão de poder por quem ocupa o cargo principal da política do País. Considerando-se que a História é relato de fatos em épocas, pergunta-se qual o presidente da República jamais abdicou de seu assento imperial em favor de alguém, por mais ilustre e respeitado que fosse esse alguém? Ao contrário, o momento nas entrelinhas conhecido da relação entre o presidente e Moro sugere que o cheque de Bolsonaro era na verdade em pirita.

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