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Cláudio Vieira
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Por Cláudio Vieira

Ausências do poder

Cláudio Vieira

29/08/2019 14h02

Somos um país de ausências do Poder Público
DivulgaçãoSomos um país de ausências do Poder Público

Hoje vou deixar de lado as patranhas do governo federal, e certamente não farei falta, pois a fila de críticos ao presidente Bolsonaro é grande, e quanto mais anda mais cresce, porquanto as pérolas bolsonarianas são diárias, contadas aos minutos de cada dia. Esta semana despertou-me reportagens sobre o desleixo com que o governo municipal trata os cidadãos fora dos bairros privilegiados da orla marítima.

Somos um país de ausências do Poder Público. Ausência de educação; ausência de saúde; ausência de mobilidade urbana decente; ausência de segurança, o que nos obriga a vivermos enjaulados por grades e muros altos. Alguém mais genérico diria ausência de um tudo. A única ausência que, por amor à verdade, não percebemos, é a da propaganda mídiática, mesmo que um ou outro órgão da mídia, quando preterido das gordas verbas dos governos, dê-nos a oportunidade de podermos ter alguma matéria jornalística denunciando a realidade das ruas. Pois bem, foi um desses lapsos temporais de empresa de comunicação que tomei conhecimento da situação degradante por que passam logradouros da Ponta Grossa, do Vergel, da orla lagunar, enfim, daqueles bairros que não estão no circuito dourado da Pajuçara, Ponta Verde, Jatiúca e Stela Maris, e um pouco do Farol. Com revolta, ouvi moradores afirmarem que há anos convivem com poeira e lama nas ruas, esgotos a céu abertos, baratas, ratos, dengue, chikungunya e outros males, tudo em perfeita dissonância com a propaganda oficial, necessariamente feita para turistas e eleitores pouco exigentes. 

Mais ainda revolta quando, logo após a reportagem dos males que acometem os mais desvalidos, e após os órgãos encarregados das soluções declararem que enviarão técnicos aos locais para verificarem (pasmem!) a realidade das reclamações dos moradores, aparece uma autoridade municipal falando de programação de folguedos, não sei a que propósito, talvez para, como aos romanos, brindar-nos com pão e circo; talvez para encantar os turistas com as nossas belezas folclóricas, mesmo que a beleza natural da origem haja sido substituída por esplendores de lantejoulas e paetês, muito à imitação de escolas de samba cariocas. Seja por qual motivo, a intenção e o resultado é varrer as nossas vergonhas sociais para debaixo dos tapetes.

Cícero, senador, jurisconsulto e pensador romano, cansado das mentiras, engodos e politicalhas do seu colega de senado, Catilina, verberou com um ATÉ QUANDO, CATILINA, ABUSARÁS DA NOSSA PACIÊNCIA? O nosso problema parece ser bem maior, ao menos em quantidade de catilinas, o que pressupõe o exponencial número de mentiras, engodos, patranhas. Não esqueçamos, então, desses nossos representantes descompromissados com a população, e acautelemo-nos que logo a propaganda oficial estará nos brindando com um circuito Helena Rubinstein.

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