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Cláudio Vieira
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Por Cláudio Vieira

Titicas presidenciais

Cláudio Vieira

22/08/2019 13h01

Há algum tempo venho pensando que estou anacrônico. Ainda sou daqueles que levantam para cumprimentar alguém, independentemente da idade. Às mulheres, cedo-lhes assentos, e envaideço-me ao ouvir um agradecimento por isso, em geral acompanhado de referência ao cavalheirismo. Jamais em público, diante de presenças desconhecidas, pronuncio qualquer palavra escatológica. Incomoda-me ouvir palavras de baixo calão perante crianças, moças e senhoras. Em suma, pareço viver em outro tempo, mas sou assim mesmo, sem qualquer afetação. Como não posso mudar o mundo, convivo com as situações que contrariam o meu modo de ser, pois afinal cada um é como quer ser. Não aceito, todavia, que autoridades usem palavras chulas em seus discursos, suas entrevistas, suas falas ao povo. Considero que seus maus costumes, nossos representantes devem reservar para suas famílias e seus amigos.

Sou compulsivo no acompanhamento do noticiário, notadamente o político. É um cacoete que adquiri ainda adolescente, lendo os jornais-murais de turmas colegiais, o que me levou, naquela quadra a iniciar-me na leitura dos jornais profissionais. Agora, nesses tempos modernos, nos quais o jornalismo em papel quase não mais existe, sufocado pela televisão e pela internet, transferi-me para as telas das tevês e dos computadores, mesmo saudoso do cheiro do papel impresso dos periódicos. 

O moderno noticiário, se me atualizam ao vivo, ou quase, às vezes causam-me espanto. Foi assim que no final da semana passada, e no início desta, tomei ciência de pronunciamentos do presidente Bolsonaro sobre questões ecológicas, e sobre a atuação de órgãos oficiais com responsabilidade pelo meio ambiente. Ouvi, com desagrado, o mandatário maior desta Nação afirmar, com ares de quem faz blague, que a solução dos problemas ecológicos estaria em se fazer “cocô um dia sim e outro não”. A “genialidade” do pândego dá inveja ao Brucutu, genialidade essa reafirmada por declarações do mesmo no Rio Grande do Sul, em novo gracejo idiota, desta feita lamentando que obras sejam paralisadas apenas porque algum cocô petrificado de índio fora encontrado. 

Certamente que as questões sobre meio ambiente e indígenas muitas das vezes são levadas ao paroxismo, o radicalismo impedindo que se encontrem soluções alternativas. Em Alagoas, por exemplo, há o caso da BR-101, cuja duplicação foi impedida em Joaquim Gomes, e assim encontra-se há anos, para preservar terras indígenas, sob o beneplácito de políticos e órgãos judiciais. Fernando de Noronha, por sua vez, restringe o acesso de turistas a praias paradisíacas, exceto se em passeios contratados aos ilhéus. Claro que devemos aplaudir os cuidados que se tenha com a população indígena e a beleza de Noronha, mas que se achem soluções sustentáveis, isso é o normal em qualquer país evoluído. No caso da ilha, basta vermos os exemplos do Caribe, onde o turismo é respeitado, as construções hoteleiras são permitidas, tudo sob rígido, mas razoável, controle.

Esses exemplos, porém, não são justificativas das titicas presidenciais que infelizmente são um dia sim, outro também.

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