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Paulo Nicholas
Opinião

Artigo Paulo Nicholas

Por Paulo Nicholas

Seja um anjo

Paulo Nicholas

06/08/2019 16h04

O sol já seguia o galopante rumo da manhã enquanto ao longe e lá embaixo a cidade despertava. As pessoas saiam de suas casas, invadindo as ruas rumo aos seus destinos, ignorando solenemente os demais transeuntes.

Era mais uma manhã de primavera em Paris. Eu e Fernanda acabávamos de ser furtados.

Não falávamos o idioma, não tínhamos ninguém por nós. Meu guia simplesmente abriu um mapa da cidade e marcou com um “x” a delegacia, o consulado brasileiro e a estação de trem, depois me disse em um fraco português:

- Faça o B.O. na delegacia, vá ao consulado e tire outro passaporte, até o final da tarde pegue o trem e reencontre o grupo na Bélgica ainda esta noite, senão vocês perderão toda a viagem. Detalhe importante: o ano era 2002 e a internet ainda engatinhava, mesmo na França.

Sentados numa delegacia parisiense, desolados, eis que aparece aquele ser. Travestido de mulher, com a cabeça metida numa boina, bolsa de grife cara a tiracolo, acompanhado de seu jovem e belo “sobrinho”. Me toca no ombro e diz:

- Você é brasileiro? Precisa de ajuda

Uma onda de calmaria me tomou no mesmo instante e aquela dupla exótica resolveu nossas vidas, traduzindo o ocorrido para as autoridades e nos levando, a bordo de seu Peugeot 105, para todos os locais necessários até que, finalmente, nos deixou na porta da estação de trem rumo à Bélgica logo depois da hora do almoço.

- Amiga, você foi um anjo na minha vida. Como posso retribuir isso que você nos fez? - -Perguntei, ao tempo em que dobrava uma nota de 50 euros e pousava, discretamente, na sua mão.

- Fazendo o mesmo por outra pessoa. -Ele retrucou, enquanto desdobrava a nota e gentilmente me devolvia.

Sabe aquele momento de desespero, aqueles precisos momentos em que você está na rua e cai no chão, ou sofreu um acidente. Perdeu a carteira, se perdeu dos seus pais ou perdeu o filho no shopping. Aquele dia em que você realmente estava perdido, sem chão e, de repente, apareceu do nada aquela mão amiga, às vezes de alguém totalmente desconhecido, mas que “te pega no colo” e te salva sem nem cobrar um obrigado. São anjos.

Nunca mais vi nem tive notícias daquele anjo, mas me recordo de sua atitude com frequência. E desde este dia passei a ter esta prática sempre que vejo alguém precisando de ajuda e sem rumo. E cobro o mesmo preço daquele anjo: apenas lhe peço que, tendo a oportunidade, faça o mesmo por outra pessoa.

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