Alagoas, 22 de julho de 2019 23º min 25º máx
WhatsApp (82) 9.9982-0322
Jorge Moraes
Opinião

Artigo Jorge Moraes

Por Jorge Moraes
MESES DE ANGÚSTIA

E o caso Pinheiro de volta

Jorge Morais

17/06/2019 16h04

Bairro do Pinheiro
Foto:Marco Antonio/Secom MaceióBairro do Pinheiro

Depois de meses de angústia, que acredito não tenha se encerrado, os moradores dos Bairros do Pinheiro, do Mutange e de Bebedouro retomaram, com força, as suas reivindicações, até com manifestação e fechamento de via, na porta da Braskem. Na verdade, o que se tem de concreto é a demarcação de algumas áreas, entre vermelha, laranja e amarela; o aluguel de moradias para aqueles que foram forçados a deixar suas residências; a informação de que os bairros não correm tanto perigo de uma catástrofe; a promessa de indenização dos locais afetados; a liberação do FGTS para os moradores que tiveram seus imóveis danificados; isenção do IPTU e a recuperação das vias afetadas com ações da Prefeitura de Maceió.

Me parece que, encontrados os culpados, com toda carga sobre a Braskem, do Grupo Odebrecht, que acaba de pedir acordo judicial, quebrada depois de tantos esquemas com a classe política, sem trabalho e com multas bilionárias para pagar, a empresa está separando os recursos necessários para indenizar os moradores emocionalmente arrasados e materialmente destruídos. Mas, ao que parece, também, não é só isso o que interessa. Retirar os moradores, pagar indenizações e as demais providências anunciadas é o mínimo que pode ser feito.

Na semana passada, as lideranças dos três bairros afetados se reuniram com secretários e assessores diretos do prefeito Rui Palmeira para fazer mais cobranças ao Poder Público. A Prefeitura de Maceió e o Governo do Estado estão prometendo promover ações para recuperar o Pinheiro e a estima de seus moradores, aqueles que não precisam deixar suas casas e fechar seus negócios, anunciando a construção de novas galerias de águas pluviais, saneamento, pavimentação nova, proteção nas encostas, direcionadas ao Mutange e Bebedouro, demolição dos prédios e casas condenados, provavelmente, com o surgimento de um novo bairro.

Na verdade, muita coisa nessa recuperação depende diretamente da Prefeitura de Maceió. Outras, não, como verbas indenizatórias; suspensão do pagamento de energia elétrica, isso a cargo da empresa privada Equatorial, o que se torna muito mais difícil uma negociação; isenção do pagamento da conta de água, que depende da CASAL (Governo do Estado de Alagoas); como outras ações emergenciais.

Os representantes do município foram claros: a Prefeitura de Maceió não tem, sozinha, como bancar todas as reivindicações feitas pelas lideranças dos moradores. “Se não trabalharmos juntos, município, governo estadual, governo federal e a Braskem, não sairemos dessa situação”, disse um deles. Esta semana, tendo à frente o secretário Eduardo Canuto, pela Prefeitura de Maceió, e representantes das comunidades, eles estiveram reunidos no Ministério Público Estadual, tentando definir algumas ações mais emergenciais.

Nesse episódio todo, minha preocupação maior é que, em Alagoas, sempre funcionou assim. Um determinado assunto ou problema é notícia até cansar ou aparecer outro que seja mais importante ou interessante, isso do ponto de vista de cada um, autoridade, mídia ou pessoas envolvidas. Como vai ser daqui para frente? A Braskem anuncia que vai fechar as portas. Pelo menos andou falando isso. Precisamos da Braskem operando com toda sua força de produção, mantendo, consequentemente, o emprego de tantas pessoas que, direta ou indiretamente, dependem disso.

Comentários
Curta o EXTRA no Facebook
Confira o nosso canal no YouTube
Siga-nos no Twitter
Siga-nos no Instagram Seguir 15.5k
Notamos que você possui
um ad-blocker ativo!

Produzir um conteúdo de qualidade exige recursos.

A publicidade é uma fonte importante de financiamento do nosso conteúdo.

Para continuar navegando, por favor desabilite seu bloqueador de anúncios.

publicidade