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Cláudio Vieira
Opinião

Artigo Cláudio Vieira

Por Cláudio Vieira

Quis custodiet custodies ?

Cláudio Vieira

09/10/2019 14h02

Polícia Federal do Rio de Janeiro
DivulgaçãoPolícia Federal do Rio de Janeiro

Perdoem-me o pretensioso título. Aos onze anos de idade tive o meu primeiro contato com o latim. No Seminário, nessa época, a língua romana, considerada morta por desuso, era matéria obrigatória no currículo. As aulas diárias fizeram-me apaixonar pela língua de tantas figuras importantes do mundo antigo, como Cícero, Júlio César, Vergílio, e muitos outros mais. Aprendi, então, com o passar dos anos, que o idioma do Lácio, do qual nasceu o português, era sobremaneira objetivo e as suas frases e expressões dizem em poucas palavras pensamentos que só podemos traduzir de forma mais prolixa. 

Juvenal, poeta e dramaturgo da Roma Clássica, crítico mordaz dos costumes corruptos dos políticos e governantes (lá como cá!), cunhou a expressão, cuja parte primeira ousei trazer como título: QUIS CUSTODIET CUSTODIES? Essas três palavras de construção sucinta dizem muito: quem fiscalizará aqueles que fiscalizam? Quem custodiará aqueles que têm como função por sob custódia os infratores? Quem prenderá os carcereiros? A síntese diz muito.

Ultimamente a Polícia Federal, no seu mister de investigar os atos de corrupção, tem retomado as operações da Lava Jato, de tantos benefícios à cidadania e ao Estado brasileiro. Suas ações atingiram políticos, empresas e empresários, policiais, inclusive da corporação, ferindo na própria carne como se costuma dizer. Há já algum tempo vem-se prenunciando maior avanço sobre órgãos fiscalizadores. Vez por outra comenta-se – apenas comenta-se – haver alguma coisa de reprovável em determinados setores do Judiciário. Muitos como eu torcem para que sejam simples suspeitas, não passem disso. Afinal, se chegarmos ao ponto de desacreditarmos na Justiça, o que restará ao cidadão? Em que portas bateremos em busca de socorro na defesa dos nossos direitos, dos nossos interesses enquanto cidadãos? A verdade, todavia, é que corruptos e corruptores têm, vez por outra, apontado dedo denunciador contra autoridades judiciárias e/ou seus familiares. As denúncias não parecem subsistentes; ao menos, embora gravíssimas, as investigações não têm prosseguido, arquivadas, quem sabe porque mistérios?

Esta semana o alvo foram setores da Receita Federal, localizada a operação policial no Rio de Janeiro. A gravidade disso é visível, quando se tem em conta que todos os brasileiros, indistintamente, enquanto vivermos estaremos sob o crivo dos auditores fiscais das receitas de todos os entes de Estado.
Quem serão os próximos? Juvenal, afinal, tinha razão?

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