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Cláudio Vieira
Opinião

Artigo Cláudio Vieira

Por Cláudio Vieira

Patuscadas presidenciais

Cláudio Vieira

14/08/2019 15h03

Eleitores elegeram Jair Bolsonaro como presidente do Brasil
DivulgaçãoEleitores elegeram Jair Bolsonaro como presidente do Brasil

O primeiro turno das últimas eleições presidenciais não contou com o meu voto, preso à cama de hospital havia uns quarenta dias. Malgrado já seja eleitor jubilado, ou melhor, isento da obrigação de votar, estivesse em condições estaria eu diante da urna depositando a minha escolha para presidente da República. O desempenho do meu candidato foi pífio, infelizmente, pois o considerava o mais bem preparado cultural, política e emocionalmente. Assim, o segundo turno foi polarizado entre dois personagens que não me agradavam exatamente. Todavia, eleitor compulsivo, já livre da estada hospitalar, mesmo contra a vontade de médicos e familiares apressei-me à urna. Por que o fiz, aos mais de setenta anos, quando amigos meus apenas estendem-se diante da televisão para acompanhar, placidamente, o desenrolar do pleito? Gosto de pensar na observação de Tocqueville de que contemporaneamente somos afetados por duas paixões conflitantes: sentimos necessidade de sermos guiados, e desejamos ser livres. Assim, o voto é a escolha daquele que nos guiará e respeitará a nossa liberdade. Votei então em quem não queria, mas que me pareceu melhor aparelhado para satisfazer aquelas minhas duas paixões.

Passados menos de um ano da eleição, mais uma vez em minha vida faço forças para controlar a minha decepção no meu voto. Aquele que esperava fosse um guia, mesmo que modesto, tem se revelado lamentável patusco, parecendo considerar que presidir esta Nação é nada mais que festa carnavalesca na qual todo absurdo é engraçado e permitido. Decide, e logo depois desdecide; toma atitudes político-administrativas, sem se preocupar com as peias da Constituição Federal e da legislação infra-constitucional. Nomeia e desnomeia auxiliares com mais facilidade que time de futebol. Opina sobre tudo sem qualquer reflexão, sem observar aquilo que alguém pomposamente já considerou a liturgia do cargo. Trata a questão ambiental com o mesmo descompromisso de uma criança. Sofre revezes na Justiça, e simplesmente diz que não sabia da ilegalidade ou inconstitucionalidade do ato. Baixa decretos modificando leis, um absurdo jurídico. Vive, enfim, um dia a dia aleatório, coisa nunca vista nesse quartel de Abrantes.

Outro dia, conversando com o Êpa sobre o presidente, dele ouvi interessante consolo: esse pelo menos não tem pose de estadista, nem finge sê-lo. Não se diz “pai do povo” e nos apunhala pelas costas. Também não usa maquiagem para esconder rugas e falta de vergonha. É um tosco, é verdade, mas, qual político não é?

Um filósofo, esse meu alter ego. Só erra quando junta no mesmo cesto políticos chinfrins com estadistas que fizeram a história.

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