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Cláudio Vieira
Opinião

Artigo Cláudio Vieira

Por Cláudio Vieira

Diplomacia de Brucutu

Cláudio Vieira

10/06/2019 15h03

Durante minha vida em Brasília conheci diversos diplomatas brasileiros, com quem aprendi algo sobre a diplomacia. Naqueles idos – há uns trinta anos – o Itamaraty era exemplo de excelência, seja como órgão público, seja como celeiro de vocações para a representação do País perante outras nações, e a prestação de serviços de assessoria superior a autoridades, notadamente o presidente da República. Marcos Azambuja, Mario Vilalva, são apenas dois exemplos de diplomatas que dignificam a diplomacia nacional. O mesmo digo do Miguel Gustavo Torres, a quem conheço desde a sua adolescência, criado no bairro do Farol, aqui em Maceió, ali na rua Dr. José Bento Junior. O convívio com esses diplomatas, e outros mais, entendi que a diplomacia brasileira é formada por pessoas altamente qualificadas, cultas e donas de cérebros privilegiados. Pessoas afáveis, são comprovadamente firmes nas suas posições em defesa da soberania da nossa Pátria, exímios negociadores da paz, gente que você aprecia ter ao seu lado em horas de crises políticas ou internacionais.

Revista de circulação nacional trouxe nesse final de semana preocupante informação sobre o risco de um conflito entre o Brasil e a Venezuela. Lendo a matéria tive a firme convicção de que o dia 24 de fevereiro deste ano foi o nosso “mais longo dos dias”. Se a guerra bateu às nossas portas, quase atravessa o umbral da casa ironicamente graças à truculência do ministro Ernesto Araújo, das Relações Exteriores. Tudo teria acontecido quando o governo do país vizinho impediu a entrada de 20 toneladas de alimentos e outros gêneros de necessidade primeira, ajuda humanitária aos sofridos cidadãos venezuelanos. Além do fechamento da fronteira, determinado pelo inconsequente Nicolás Maduro, as forças armadas daquele país posicionaram veículos militares na cidade de Santa Elena, a apenas 15 quilômetros da fronteira.

Em qualquer diplomacia que honre a função, é esse o exato momento em que a paz deve ser buscada, e ninguém mais bem preparado para isso que os diplomatas. No caso em questão – revela a revista – foi o próprio ministro Ernesto Araújo quem solicitou ao Ministério da Defesa reunião de emergência do comando militar do País. Até aí tudo normal, pois cabe também ao Itamaraty a vigilância da soberania nacional. Não ficou aí o ministro brasileiro da diplomacia. Defendeu ele, perante chefes militares certamente pasmos, a imediata retaliação, com a mobilização das forças armadas. E isso sem qualquer movimento em busca preservação da paz. Se não entramos em guerra devemos isso à ponderação dos nossos generais, que não levaram em grande conta as maluquices do ministro de Bolsonaro.

Não me atrai fazer blague de assunto tão sério e sem dúvida preocupante. Quando Bolsonaro assinou o termo de sua própria posse com aquela hoje famosa caneta BIC, tantos pensaram no quão despojado era o nosso presidente, bom sinal diante de tanta soberba dos nossos políticos. Acaso do momento, ou jogo de marketing, o fato é que a tal caneta desde então passou a ser marca do governo, tornando-se de constante presença nos atos oficiais, inclusive decisões importantes como a nomeação do brucutu Ernesto Araújo. Sem que percebêssemos, parece que naquela posse nascia a lenda da caneta azougada!

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