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Alari Romariz
Opinião

Alari Romariz

Por Alari Romariz
OPINIÃO

Bons tempos

22/11/2021 17h05

Verão de 1956. Dia 13 de dezembro a União Beneficente Portuguesa, de Maceió, comemorou o Jubileu de Prata, com um baile a rigor. Verdadeiro sucesso! Uma jovem loira de quinze anos aproveitou o vestido de aniversário e foi ao baile com seus pais. Lá estava um moço fardado de verde e branco, conhecido do Grupo Escolar. Dançaram a noite toda e adoraram a festa!

24 de dezembro de 1956: baile de formatura do Instituto de Educação na Portuguesa. O jovem casal voltou a se encontrar e começou a namorar.

Maceió na época era uma cidade cheia de clubes, onde a juventude frequentava as festas, flertando, dançando, amando ou mesmo acabando os namoros.

O Clube Fênix Alagoano, situado na Praia da Avenida da Paz, era um dos mais famosos. Carnaval, réveillon e sua festa mais comentada, o baile de aniversário, do dia 6 para o dia 7 de setembro. Sempre a rigor, começava às doze horas da noite do 6 e ia até o amanhecer do dia 7. Célebres orquestras tocavam, jovens animados dançavam muito, casais da sociedade local não perdiam tão grandioso evento.

O Iate Clube Pajuçara, mais novo, conhecido por seus times de voleibol e basquetebol, também promovia suas festas, procurando datas que não coincidissem com seus rivais. Moças e rapazes o frequentavam e desfrutavam de agradáveis atividades de lazer, já se iniciando no esporte à vela.

O Jaraguá Tênis Clube, na Avenida Comendador Leão, sempre mais dedicado à modalidade da raquete, concorria com algumas festas, sendo a mais lembrada o “Vermelho e Preto”, ainda hoje no seu calendário.

Era um tempo em que as moças iam às festas acompanhadas pelos pais ou pelos irmãos, aproveitando a vida, sempre vigiadas por alguém da família. Não se falava em droga, mas o álcool era livre, causando vários problemas.

Para os universitários havia as concorridas matinês no CEU – Clube do Estudante Universitário – e dessas reuniões saíram vários casamentos.

Tínhamos também as festas de rua. A da Praça do Pirulito, atual Parque Rodolfo Lins, era a mais conhecida, lá se formando o tradicional “Quem me quer quem me tira”: os homens ficavam parados e as moças andando nas calçadas, por perto deles.

Nos bairros aconteciam festas populares no São João e no fim do ano. Bem interessantes eram os telegramas que passávamos através do locutor do Serviço de Auto Falante, do tipo: “Alô, alô, menina dos olhos verdes, você é a garota que mais brilha nesta festa”!

Como sempre frequentei a Portuguesa, falarei um pouco mais de suas reuniões. O carnaval tinha 3 bailes noturnos e uma matinê. Depois de quatro dias de folia, ao amanhecer da quarta-feira de cinzas, os foliões cantando e dançando, acompanhavam ao som da orquestra um passeio em torno da Praça Deodoro.

Na festa de Santo Antônio, dia 12 de junho, a Portuguesa promovia o tradicional forró, indo até os primeiros raios do sol. Todos dançavam alegremente, caracterizados de matutos. Muitas recordações ficaram.
O tempo foi passando e os clubes não resistiram às crises. Tiveram que alugar parte de suas áreas, terceirizar as festas e hoje já não se vê nada como antigamente.

Tenho a impressão de que a Portuguesa fechou, a Fênix modificou-se completamente, o Iate ressurge com atividades náuticas e o Tênis sempre dedicado ao esporte da rede baixa.

O Carnaval sobrevive como festa de rua, o réveillon só existe nas praias ou nos hotéis. Os jovens vão às festas sem a companhia dos pais, os namoros começam pelo fim, como diz uma amiga minha.

Não quero dizer que não haja mais alegria entre moças e rapazes. Mas tudo é diferente! As festas são outras, os clubes morreram, o Ano Novo é rompido nas praias ou em tendas gigantes, montadas por empresas, com ingressos caríssimos.

Talvez, alguns prefiram o momento atual. Eu, do alto dos meus oitenta anos, lembro com saudades dos velhos clubes de Maceió.

Bons tempos aqueles!

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