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Alari Romariz
Opinião

Alari Romariz

Por Alari Romariz
OPINIÃO

Cuidados especiais

18/11/2020 13h01

Venho insistindo na tecla dos mais jovens respeitarem os idosos. Entretanto, o povo brasileiro pouco se preocupa com a atenção necessária aos velhinhos. Recentemente, uma cantora famosa morreu num asilo em Santos – SP, vítima de parada respiratória. Um filho que vive muito bem tirou-a do hospital e a colocou numa casa de repouso. Foi chorar a morte da mãe com remorso. Mal que desejo ao infeliz: vai ficar velho e morrer num asilo!

Nós, pais, temos filhos, trabalhamos, criamos todos eles encaminhando-os para a vida. Quando ficamos idosos, eles, os jovens, não têm tempo para cuidar de seus genitores. A desculpa é a mesma: todos em casa trabalham, o apartamento é pequeno, não há espaço para as pessoas que lhes deram a vida.

Vi um vídeo de um pai que ficou viúvo, e logo cedo recebeu a visita de dois filhos: um médico e um advogado. Chegaram à conclusão de que o melhor seria colocar o pai num asilo. Não podiam ficar com ele por falta de espaço em suas casas, por todos trabalharem ou estudarem. Contratar cuidadores sairia caro e a melhor solução era internar o pobre coitado. Ele chorou, lamentou-se, reuniu pequenas coisas e foi levado para um lar de idosos. Não ensinou aos filhos o sentimento de gratidão.

Convivo em nosso sindicato com um moço que é voluntário numa dessas casas de repouso. Ele conversa muito comigo e o que mais me impressiona: as famílias deixam seus parentes por lá e nem aparecem para visitar. Quando eles morrem, o difícil é localizar os familiares.

Há também filhas que se preocupam com as mães. Tenho uma grande amiga, agora senil, mas mora no seu apartamento, com cuidadoras e devidamente assistida pelas duas filhas. Uma verdadeira bênção!
Imagino o sofrimento dos pais que envelhecem em lares de Classe D e E. A renda da família é pouca, o espaço bem pequeno e a possibilidade de internar seus velhinhos é bem menor. Tudo fica nas mãos de Deus!
Em compensação, encontro passeando no shopping uma velha senhora, amiga da família, com 94 anos, acompanhada por uma cuidadora e um motorista. Tem um apartamento na Ponta Verde e a casa da filha é no interior do estado. 

Está sempre rindo e conversa comigo com muita lucidez. Trabalhou a vida toda e hoje curte a terceira idade com bom humor e responsabilidade. As filhas da velha senhora merecem nosso respeito.
No nosso sindicato dos velhinhos encontro sempre com amigos aposentados. Uns vivem bem com suas famílias, outros vivem sós, mas não vejo grandes problemas. Procuro conversar com todos para saber a realidade de cada um.

Engraçada é uma pensionista que adora dançar. Arranjou um companheiro nos salões, mas não quer casar com ele. Diz ela: “Alari, a pensão dele é menor do que a minha; só quero ele para dançar”.
Outra está protegendo o ex-marido de uma neta. Era uma pessoa equilibrada, mas a proteção pelo moço sabido, está levando a pobre coitada para os empréstimos consignados. Não é mais a feliz e controlada amiga dos velhos tempos.

Recentemente, recebi a visita de meus quatro filhos por ocasião dos oitenta anos de meu marido. Após alguns dias de convivência, fizeram vários elogios. “Mãe”, disseram dois, “estamos saindo contentes com a vida que vocês levam; estão lúcidos, comem bem, administram a casa, cuidam da saúde e estão sempre ocupados. Vamos voltar tranquilos”.

Aí, minha cabeça ferve e fico pensando nas pessoas que passaram dos setenta anos. Podem levar a vida que nós levamos? A cantora que morreu nesta semana tinha 73 anos!

Sem falar nos aposentados que sustentam filhos, netos e nem veem a cor do salário. Entregam o cartão e a senha aos parentes desnaturados. Daí porque peço aos filhos e netos que cuidem dos pais e avós. Não os abandonem, não os joguem em asilos, tratem deles com carinho e atenção.

Pelo que fizeram durante anos e anos, merecem de seus descendentes cuidados especiais. Deus existe. Não duvidem!

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