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Alari Romariz
Opinião

Alari Romariz

Por Alari Romariz
OPINIÃO

Um mundo novo e diferente

10/08/2020 13h01

Vi esta semana, uma filha agredindo a mãe porque a coitada não informava corretamente seus dados bancários para acessar um caixa eletrônico. Vi, também, um casal mantendo uma idosa em cativeiro. Tudo isso na TV!
Assusto-me tremendamente quando vejo idosos serem maltratados por pessoas mais jovens, que vivem às custas dos velhinhos.

No tempo que passo no Sindicato dos Aposentados da Assembleia Legislativa, presidido por Dione, ouço histórias que amedrontam, parecendo até filme de suspense. O pior é que conheço as pessoas há muitos anos e como grandes guerreiras criaram filhos e netos, os malvados de hoje.

Quando se descobriu que havia no Alagoas Previdência várias pensões congeladas por maldades dos dirigentes, o Sindicato começou a ser procurado para atualizar, na Justiça, tais pensões.

Uma avó me procurou, devidamente acompanhada por um neto adulto, porém bastante irreverente. Tentamos ajudá-la e faltava apenas um documento a ser procurado no cartório. Expliquei ao jovem o que deveria fazer e ele olhou para mim, ousado: “Por que você não vai”? Tive vontade de replicar com raiva e apenas olhei para idosa, conhecida minha. “Alari”, disse-me ela, “ele quer aumentar meu dinheirinho; eu estou satisfeita”! Virei-me para o deseducado, dizendo; “Vá e resolva! Ela espera aqui”.

Outro caso interessante: uma viúva foi atualizar a pensão que recebia do marido. Quando ganhou a questão, havia outra viúva e o apurado foi dividido pelas duas. A que entrou na Justiça queria dividir os honorários do advogado entre elas. Briga prá lá, briga prá cá e no fim, só a primeira pagou a parte devida. O defunto deve estar morrendo de rir com as querelas!

Estava eu passando pela Praça da Catedral e duas mulheres vieram falar comigo: “Você é a Alari? Precisamos de sua ajuda, pois cortaram nossos salários na Assembleia porque não nos recadastramos. Moramos no interior e não soubemos de nada. E agora”? Depois de conversarmos um pouco, uma delas me disse que foi namorada de um célebre e valente deputado do Sertão, acrescentando: “Se ele fosse vivo, ninguém faria isso comigo”. Lembrei-me que o presidente, na época, era também do Sertão e conhecia o finado. Olhei firme para as duas, dizendo: “Vão ao presidente e podem dizer que eu as orientei”. O caso foi esquecido por mim e uma semana depois elas me procuraram: “Alari, nossos salários vão voltar, inclusive com os atrasados. Obrigada”. Perguntei: “E o presidente”? Responderam então: “Ele riu e resolveu”!

Essas histórias me lembram a fragilidade dos idosos e dos que morrem deixando famílias dentro e fora do casamento. “Quem perde o padrinho, fica pagão”. Falávamos hoje de alguns amigos que foram muito influentes na Assembleia Legislativa. Morreram e deixaram parentes e amigos nos quadros do Poder. Para resolver um caso, por menor que seja, até recebimento de férias, precisam ir à Justiça. É o que diz a célebre frase: Rei morto, rei posto!

Deparo-me com cenas hilariantes de idosos, aposentados que já viveram dias gloriosos naquela Casa, ou mesmo, parentes de autoridades fortíssimas que já morreram! 

Cansei de ver parentes de saudosos governadores, deputados federais, procurando as entidades para reclamarem seus direitos. Uns me perguntam se me lembro deles. Claro que lembro.

Os idosos, outrora autoridades, detentores de cargos e poder, que se cuidem, pois se não deixarem seus parentes e amigos por eles nomeados, devidamente protegidos, ou eles mesmos, vão sofrer nas mãos dos “vampiros” da Previdência ou do gestor de plantão.

Apavora-me a fragilidade que a velhice nos traz e não nos deixa enxergar as maldades deste mundo novo que nos machuca. 

Só Deus!

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